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Hei-de ir a Melgaço!

Museu de Cinema de Melgaço.

Acontece, de 29 de Julho a 4 de Agosto, em Melgaço, uma nova edição dos Filmes do Homem, que já não se chamam Filmes do Homem mas MDOC – Melgaço International Documentary Film Festival. Uma castração simbólica politicamente correcta. Tenho gosto e orgulho em participar, desde o início, nesta iniciativa que extravasa, ao nível da cultura e da arte, o festival e o concelho de Melgaço.

Segue:

  1. O vídeo de promoção;
  2. O programa;
  3. O catálogo;
  4. Um excerto do catálogo com um texto da minha autoria sobre Prado, a minha freguesia natal.
MDOC – Melgaço International Documentary Film Festival 2019. Vídeo.
MDOC 2019. Programa. Carregar na imagem para aceder ao programa.
MDOC 2019. Catálogo. Carregar na imagem para aceder ao catálogo.
A. Gonçalves. Prado, população e estilos de vida. Carregar na imagem para aceder ao texto.

O espelho invertido

Detalhe da Tapeçaria do Apocalipse, por Jean Bondol e Nicholas Bataille, no Castelo de Angers. 1382.

Detalhe da Tapeçaria do Apocalipse, por Jean Bondol e Nicholas Bataille, no Castelo de Angers. 1382.

Quando a auto-derisão se extrema, é bom sinal, é sinal de que a identidade o admite. Pelos vistos, nem fumar, nem ser doente mental conseguem ser piores do que ser argentino! O absurdo, bem destilado, é um bom comunicador.

Marca: Argentina New Cinema Fillm Festival. Título: Transplant. Agência: Connil Advertising Los Angeles. Direcção: Dos Ex Maquina, USA, 2016.

Ontem, dia 13 de Maio, Salvador Sobral, representante de Portugal, venceu o Festival Eurovisão da Canção de 2017. Foi a primeira vitória de Portugal, com a maior votação de sempre. Esta notícia é sobejamente conhecida em Portugal, mas como cerca de 80% das consultas deste blogue provêm do estrangeiro, partilho a boa nova.

Salvador Sobral – Amar Pelos Dois (Portugal) Eurovision 2017 – Official Music Video.

Filmes do Homem. Melgaço, 2 a 7 de Agosto

filmesdohomem

Existem, sempre, bons motivos para visitar Melgaço. Os Filmes do Homem 2016, Festival Internacional de Documentário de Melgaço, é um motivo muito especial. Decorre de 02 a 07 de Agosto, em várias localidades do concelho. Para aceder ao catálogo, carregar numa imagem ou no seguinte endereço: http://www.filmesdohomem.pt/doc/FDH2016.pdf.

Filmes do Homem. Projecção junto à Torre de Menagem. Melgaço, Agosto 2016.

Filmes do Homem. Projecção junto à Torre de Menagem. Melgaço, Agosto 2016.

A primeira vez

Utopia tour

O mundo anda assim. Parece avariado. Espreita-se um anúncio e não se percebe nada. Um corpo, não se sabe se vestido ou despido, e uma voz, esticada das profundezas do inconsciente. Um corpo à David Hamilton? Uma reflexividade à Ingmar Bergman? Um vídeo pelo olhar de um fotógrafo? Presumivelmente, não. Há calendários para o iPhone? Saiu um novo perfume ou uma nova bebida light? Quanto à música, apenas uns acordes na parte final. Ou se ouvia a voz quase robótica ou a música electrónica. Acertaram: se não tem música, é sobre música: o anúncio de um festival de música dance, em Madrid. A nós, ninguém nos engana. Mas a primeira vez ainda está para vir. El mundo es de los jóvenes!

Marca: Festival Utopia 2016. Título: You won’t have another chance to experience this first edition. Agência: La Despensa Ingredientes Creativos. Direcção: Imanol Ruiz de Lara. Espanha, Abril 2016.

Mix Brasil: Cultura da diversidade

mix brasil 2014Não vai muito tempo, os homossexuais eram estigmatizados, marginalizados e silenciados. A homofobia ainda perdura. Hoje, as organizações e os movimentos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros) fazem-se ouvir. É o caso do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade (13 a 23 de Novembro de 2014, em São Paulo). Os anúncios são criativos e bem concebidos. O primeiro, “Fantasias”, ilustra, com recurso a várias técnicas de animação, a diversidade de práticas sexuais, apelando ao sexo seguro. O segundo, “Todo o mundo é gay”, assume que qualquer pessoa pode ser rotulada, ao mínimo indício e preconceito, como homossexual. O festival abre-se, portanto, a toda a população, independentemente da orientação sexual. “Se todo mundo é gay, o Mix Brasil é para todo o mundo”.

Anunciante: Mix Brasil. Título: Fantasias. Agência: Neogama/BBH. Direção: Fábio Acorsi. Brasil, Setembro 2014.

Anunciante: Mix Brasil. Título: Todo o mundo é gay. Agência: Neogama/BBH. Brasil, Novembro 2014.

Pelos cabelos

Hair Fest. México, Abril 2014Limamos o excesso e o insólito desde que nascemos. Mesmo assim, permanecemos estranhos, aos outros e a nós próprios. Este blogue não o esquece. A iniciativa da Casa de la Amistad para Niños con Cancer apresenta-se, à primeira vista, estranha. Se calhar, não o é. A ideia é genial: organizar um festival rock, o Hair Fest (México, 12 de Abril), com o objectivo de recolher cabelo destinado a perucas para crianças com cancro. Resultados: cabelo para 107 perucas, nove milhões de impactos nas redes sociais e mais de 500 000 dólares de publicidade gratuita! Foram ultrapassadas as expectativas mais optimistas. Pelos vistos, o Metal tem bom coração. E o marketing, os seus trunfos.

Anunciante: Casa de la Amistad. Título: The Hair Fest. Agência: Ogilvy & Mather México. Direcção: Hernán Almar. México, Maio de 2014.

 

A Andorinha e a Primavera

Esta crónica do comUM corresponde a uma nova versão de um artigo publicado no blogue Tendências do Imaginário (http://tendimag.com/?s=porcos). Para aceder à crónica, carregar na imagem.

A Andorinha e a Primavera

Porcos, Famintos e Promíscuos

Festival de Vilar de Mouros. 7 e 8 de Agosto de 1971

Tomei conhecimento, via Abel Coentrão (https://www.facebook.com/abel.coentrao/posts/535112596558538?notif_t=close_friend_activity), deste relatório sobre o Festival de Vilar de Mouros, de Agosto de 1971, redigido por um informador da PIDE/DGS, do tempo de Marcelo Caetano. Este festival ficaria conhecido como o Woodstock português. O relatório constitui um documento ímpar. Da leitura, depreende-se que os participantes no festival eram porcos, estavam famintos e andavam com cio. O “elemento informativo” carrega nestas três teclas. É verdade que a “praga de gafanhotos” que “se lançou sobre as hortas próximas” ainda não se apagou da memória local. É também verdade que um cobertor era um luxo. Quem tinha um, que o agarrasse bem na ponta que os “hóspedes” ainda não tinham ocupado. Quanto ao resto… Este relatório é um bom exemplo de discurso da má língua. Seja como for, o primeiro festival de Vilar de Mouros distinguiu-se como uma andorinha solitária da “primavera marcelista”. Pelos vistos, a incorporação do vídeo que segue foi desactivada. Dá para ver na mesma carregando em “ver no YouTube”.

Elton John, dia 8, Manfred Mann’s Earth Band, dia 7, e Amália Rodrigues, dia 15, constavam do cartaz. Elton John era a estrela e os Manfred Mann’s Earth Band deram espectáculo. Por esse ou por outro motivo, Portugal foi um dos países onde colheram mais sucesso. Em 1971, já eram uma banda consagrada, A canção MIghty Queen (1968), escrita por Bob Dylan, esteve várias semanas topo das tabelas  (é a música do vídeo 1 com imagens do festival de Vilar de Mouros). Assisti, oito anos mais tarde, em 1979, a um concerto dos Manfred Mann’s Earth Band, em Paris. Uma experiência radicalmente diferente. A interpretação, o ambiente e o público resultaram impecáveis. Nem sombra de  “promiscuidade”, “indecência” ou “multidão de famintos”; ninguém “se aliviou no recinto do espectáculo” e as hortas das vizinhas ficaram intactas. Um cobertor, no entanto, teria dado jeito.

“Informação nº 226-C.I.(I)

Distribuição Presidência do Conselho, Ministério do interior, Ministério da Educação Nacional

Assunto: Festival de música “Pop” em Vilar de Mouros

A seguir se transcreve o texto de uma informação redigida por um nosso elemento informativo que assistiu ao “festival” em questão, que teve lugar nos dias 7 e 8 do corrente, a qual se reproduz na íntegra, para não alterar os detalhes que foram alvo do seu espírito de observação:

“Dias antes do festival, foram distribuídos, nas estradas do País e nas estradas espanholas de passagem de França para Portugal, panfletos pedindo aos automobilistas que dessem boleias aos indivíduos que iam ver o festival.

No 1º dia, o espectáculo começou às 18h00 e prolongou-se até às 4 da manhã.
Ao anoitecer, o organizador, um tal Barge, anunciou que tinham sido vendidos 20 mil bilhetes (a 50$00 cada).
Esperavam vender 50 mil bilhetes para cobrir as despesas, que seriam aproximadamente a 2.500 contos.
Diziam que tiveram de mandar vir o conjunto Manfred Mann de Inglaterra, mas parece que estava no Algarve, e por isso, a despesa com eles não foi tão grande como parecia.

Um dos cantores, Elton John, causou desde o começo má impressão, com os seus modos soberbos e as suas exigências: carro de luxo para as deslocações, quartos de luxo para os acompanhantes e guarda-costas, etc.
O recinto do festival era uma clareira cercada de eucaliptos, com um taipal à volta e uma grade de arame do lado do ribeiro.

Na noite de 7 estavam muitos milhares de pessoas e muita gente dormiu ali mesmo, embrulhada em cobertores e na maior promiscuidade.
Entre outros havia:
crianças de olhar parado indiferentes a tudo
grupos de homens, de mão na mão, a dançar de roda
um rapaz deitado, com as calças abaixadas no trazeiro
um sujeito tão drogado que teve de ser levado em braços, com rigidez nos músculos
relações sexuais entre 2 pares, todos debaixo do mesmo cobertor na zona mais iluminada
sujeitos que corriam aos gritos para todos os lados
bichas enormes a comprar laranjadas e esperando a vez nas retretes (havia 7 ou 8 provisórias) mas apesar disso, houve quem se aliviasse no recinto do espectáculo.
porcaria de todo o género no chão (restos de comida, lama, urina) e pessoas deitadas nas proximidades

Viam-se algumas bandeiras. Uma vermelha com uma mão amarela aberta no meio (um dos símbolos usados na América pelos anarquistas); outra branca, com a inscrição “somos do Porto” com raios a vermelho e uma estrela preta.

A população da aldeia, e de toda a região, até Viana do Castelo, a uns 30 km de distância, estava revoltada contra os “cabeludos” e alguns até gritavam de longe ao passar “vai trabalhar”. Foram vistos alguns a comer com as mãos e a limparem os dedos à cabeleira.
Viam-se cenas indecentes na via pública, atrás dos arbustos e à beira da estrada.

Em Viana do Castelo dizia-se que os “hippies” tinham comprado agulhas e seringas nas farmácias da cidade.
Havia muitos estudantes de Coimbra, e outros que talvez fossem de Lisboa ou do Porto. Alguns passaram a noite em Viana do Castelo em pensões, e viam-se alguns de muito mau aspecto, parece que vindos de Lisboa, que ficaram numa pensão.

Houve gritos de Angola é… (qualquer coisa) durante a actuação do conjunto Manfred Mann (de que faz parte um comunista declarado, crê-se que chamado Hugg).
Fora do recinto, junto do rio e de uma capela, havia muitas tendas montadas e gente a dormir encostada a árvores ou muros e embrulhada em cobertores.
Houve grande confusão junto às portas de entrada.
Havia quatro bilheteiras em funcionamento permanente e muito trânsito.

Toda aquela multidão de famintos, sem recursos para adquirir géneros alimenticios indispensáveis, como se de uma praga de gafanhotos se tratasse, se lançou sobre as hortas próximas colhendo batatas e outros produtos hortícolas, causando assim, grandes contrariedades aos seus proprietários, muitos deles de débeis recursos económicos.

26-8-71”.

O álbum mais marcante dos Manfred Mann’s Earth Band é, provavelmente,  Nithingales and Bombers, de 1975. Spirits in the Night é a primeira faixa.

Festival de videojogos

Se queres curtir, não vás a Woodstock. O famoso festival não foi lá. Se queres curtir, vai ao GameStock, o festival de verão da GameStop. Estarás monstruosamente bem acompanhado. Mas se queres mesmo curtir, aguarda pelo próximo Courastock, e leva um monstro contigo!

Marca: GameStop. Título: Going to GameStock / Bathroom. Agência: The Richards Group, Dallas. Direção: Jeff France. EUA, Agosto 2012