Tag Archive | Fantasia

O último tango na cozinha

mrclean_cleanerofyourdreams17Lembra-se de O último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci? Estreou em 1973. Os espanhóis vinham a Portugal só para o ver. E da manteiga, também se lembra? Um pico de vendas nos lacticínios. Mas não há glória que dure sempre. A erótica do detergente substitui a erótica da manteiga, no anúncio Cleaner of your dreams, da marca Mr. Clean. Um bailado alucinado com fantasmas excitantes.

Marca: Mr. Clean. Título: Cleaner of your dreams. Agência: Leo Burnett Toronto. Estados Unidos, Janeiro 2017.

Linhas

hero-nadadoraUm “belíssima” anúncio da Peugeot. A raiar o mítico e o cósmico. Ela, terra; o carro, fogo, a água, água; a respiração, ar. O mergulho é fantástico. Lembra aquilo que nunca vimos: a Atlântida. O tridente de Neptuno, em vez da tocha da estátua da liberdade, indicia o fim de uma civilização. E um recomeço: o Peugeot 208, beleza e economia. Entretanto, nem sombra de carros nem de pessoas. O efeito é íntimo, com música a condizer.

Marca: Peugeot. Título : Nadadora. Agência : BETC São Paulo. Direcção: Marcello Lima. Brasil, Novembro 2016.

O sonho da modernidade

Batelco Directory_Logo

Simplesmente fantástico este anúncio proveniente do Bahrain. Uma pérola adormecida na areia da memória. Vale a pena revisitar o sonho da modernidade.

Anunciante: Batelco. Título: Infinity. Agência: FP7, Bahrain. Directores: Steffen Hacker; Alexander Kiesl. Bahrain, Nov. 2010.

A realidade da imagem. Restauro

ariston_aqualtis_underwaterÀ procura de artigos sobre a morte no Tendências do Imaginário, deparo-me com centenas de vídeos apagados. A Internet dá, é pródiga, mas também retira: “vídeo privado”; “a página não existe”, “defesa dos direitos de autor”, “não disponível no país”… Assim sucedia com os três anúncios do artigo “a realidade da imagem”. Os dois primeiros anúncios são uma excelente ilustração do que pode ser um ovo de Colombo na publicidade. O terceiro anúncio, da Ariston, é uma perdição! Segue o artigo restaurado.

A realidade da imagem (02 de Dezembro de 2011)

Entre o real e o imaginário, nem sequer um passo. Que o digam D. Quixote, Alice ou a criança que espreita pela porta de uma máquina de lavar roupa Ariston Aqualtis (ver vídeo). Entre a realidade e a imagem, apenas um abraço. Fundem-se. O peixe prefere o monitor ao aquário e a rã encontra o seu habitat nas cores do telemóvel Samsung. De tão real, a imagem até parece irreal: “Colors so real, it’s almost unreal”. A imagem é demasiado real!

Marca: Samsung. Títulos: Fish. Agência: BBDO New York / Skunk Us. Direcção: Mason Nicoll. EUA, Maio 2011.

Marca: Samsung. Títulos: Frog. Agência: BBDO New York / Skunk Us. Direcção: Mason Nicoll. EUA, Maio 2011.

Marca: Ariston Aqualtis. Título: Underwater world. Agência: Buf Film Master. Direcção: Dario Piana. Itália, Março 2006.

Gestos

wongderland traviesoOs filmes de animação resgatam o valor dos gestos. Imersos nos actos, nas palavras e nas ideias, descuidamos os gestos. O anúncio Wongderland, da Cencosud, é, precisamente, uma animação centrada nos gestos, gestos que unem mundos e gerações. Brincadeira, partilha, fantasia, libertação. A imaginação continua a levar-nos mais longe do que a razão. Se alguém te disser “vai acolá”, a razão segue o GPS, a imaginação leva-te a outro lado qualquer.

Marca: Cencosud. Título: Wongderland. Agência: Wonderman Phantasia. Perú, Agosto 2016.

Riscos e rabiscos

Pompeia

Pompeia

A publicidade, por vezes, satura. O acordo ortográfico, também. Boa parte dos anúncios soam a evangelho. Uma pessoa equilibrada mandava os anúncios, por exemplo, para a ERC, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, e dedicava-se à leitura, à conversa, aos amigos, ao passeio, ao exercício físico. Mas é próprio de um aselha esmerar-se. Se a publicidade actual dá náuseas, demanda a antiga. A publicidade muda de ano para ano. Nessa vertigem, só é ultrapassada pelos tacões e pela barba. Tal como a moda, a publicidade tem ondas: ora slow motion, ora legos, ora mutantes, ora ciborgues. Encantaram-me dois anúncios cheios de grotescos e arabescos: linhas e contracurvas que desenham figuras efémeras. Tão leves, tão lindos! O primeiro, Kolibri, é de 2006; o segundo, Fantasia, de 2007.

Marca: Motley Bird. Título: Kolibri. Agência: Psyop. USA, 2006.

Marca: Gustav Paulig. Título: Fantasia. Agência: Sec & Grey Finland. Finlândia, 2007.

O Homem na Lua

john-lewis-man-on-the-moon-04

Todos os anos, a John Lewis estreia um anúncio na quadra natalícia. É uma tradição. Fantásticos e ternurentos, os anúncios da John Lewis são contos infantis. Neste anúncio, uma menina, na terra, e um idoso, na lua, têm dificuldade em comunicar. Mas tudo se resolve… Um anúncio polémico, sobretudo, para quem gosta de interpretações literais. Por exemplo, como chegou o idoso à lua?

Marca: John Lewis. Título: Man on the Moon. Agência: Adam & Eve DDB (London). Reino Unido, Novembro 2015.

Calças de perder a cabeça

REPLAY_Hyperskin_SP_Image-2-724x1024

Ave Maria por Ave Maria, este anúncio optou por a de Franz Schubert, originalmente intitulada Ellens dritter Gesang (1825).

As calças Replay Hyperskin são tão flexíveis e tão leves que nem dá para sentir.

Se se cruzar com um par de calças Replay, olhe sem ver, imagine o nu e esqueça as calças, não vá perder, com o espanto, a cabeça, que tão mau aparafusada anda.

Permitam-me acrescentar um intérprete, eventualmente inesperado, da Ave Maria de Schubert: Nina Hagen, considerada por muitos a “Rainha do Punk”: Ave Maria, Nina Hagen (1989).

Marca: Replay Hyperskin. Título: A New Dimension in Denim Experience. Agência: 180 Amsterdam. Direcção: Tell no one. Holanda, Outubro 2015.

Morte social

Louis-Vincent Thomas

Louis-Vincent Thomas

“Nunca estou só com a minha solidão” (Georges Moustaki, La Solitude, 1971).

Este anúncio é  poesia com imagens. Há séculos que se faz poesia com imagens. Agora, também.

A solidão pode aproximar-se da morte social (Louis-Vincent Thomas, Anthopologie de la mort, 1975).

Perdura, é verdade, a vida biológica, mas afrouxam-se os laços sociais e o sentido da vida. O mundo perde calor.

Marca: Les petits frères des pauvres. Título: Poisson d’Avril. Agência Euro RSCG. Direcção: Christelle D’Aulnat. França, 2001.

A fantasia é uma arma

hermes christmas

A fantasia é fantástica. E tem efeitos reais. Como diria William I. Thomas: porventura falsa nos seus pressupostos, pode ser verdadeira nas suas consequências. Lembra um cartoon em que um grupo de estrangeiros tenta convencer os indígenas que a sua religião é mera fantasia. Os indígenas vão buscar os seus enormes totens e arremessam-nos aos estrangeiros. O efeito manifestou-se pesadamente real. Apetece parafrasear, abusivamente, A Cantiga É Uma Arma (1975), do Grupo de Acção Cultural – Vozes da Luta (CAC):

“A fantasia é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a fantasia é uma arma
de pontaria…”

Colocar uma par de chifres para voar à frente do trenó do Pai Natal é uma fantasia deveras original, numa época alta de compra de perfumes, cosméticos, chocolates, espumantes e relógios. Cabe a honra ao anúncio A Little Holiday Magic!, da Hermès.

Marca: Hermès. Título: A Little Holiday Magic. França, Dezembro 2014.

Uma vez que misturar géneros dá saúde e faz crescer, um último apontamento. A fantasia foi uma atracção particularmente prezada nas cortes. Grandes escultores e pintores dedicaram-se a congeminar carros alegóricos, triunfos, máscaras, indumentárias, efeitos de luzes e fogos de artifício. Vem a propósito a Fantasia para um Gentil Homem (1954), de Joaquín Rodrigo. Na edição, em vinil, da Deutsche Grammophon, com interpretação de Narciso Yepes, aparece como o lado B do Concerto de Aranjuez. Segue a primeira parte: Villano y Ricercare (Adagietto – Andante moderato):