Natal na Idade Média
Os 50 minutos da “aula de Natal” não chegaram para projetar o vídeo “Como era celebrado o Natal na Idade Média” (portal Segredos da Humanidade), uma apresentação do ambiente e das tradições de Natal na Idade Média.
Duas observações:
O que é convencionado designar-se como Idade Média corresponde a cerca de mil anos (dos séculos V ao XV). A descrição do vídeo aplica-se, sobretudo, à Baixa Idade Média e à Idade Média Tardia, isto é, a partir do século XI.
A Festa dos Loucos (Festum Fatuorum), onde os “papéis sociais eram invertidos de forma cômica”, ocorria, efetivamente, durante o ciclo natalício, mais precisamente no final de dezembro e início de janeiro. Algo aparentadas, pertenciam ainda a este ciclo a Festa dos Meninos (Festum Puerorum) e a Festa ou Missa do Burro (Missa Asinorum), que abordámos nas aulas.
Acresce um pequeno reparo:
O tema e a narrativa talvez justificassem outro tipo de acompanhamento visual: menos “conteúdos significativamente editados ou gerados digitalmente” e mais imagens da época, por sinal abundantes e fascinantes. Ou talvez não… é provável que as imagens utilizadas, embora artificiais, atraiam mais visualizações e subscritores, objetivo assumido pelos streamers.
Seguem: o vídeo “Como era celebrado o Natal na Idade Média?”; uma pequena galeria de imagens da Natividade através dos tempos; e um cântico de Natal da segunda metade do século XIII.






Impressão 3D da Pietà


O Fernando acaba de me oferecer uma pequena Pietà que imprimiu em 3D; por sinal, muito mais fiel ao original do que as cópias que possuo. Em jeito de gratidão, retomo um cântico à Virgem que se destaca entre os meus preferidos: “Polorum Regina”, compilado no Llibre Vermell de Monserrat, escrito cerca de 1399 (ver o artigo Deserdados do futuro, colocado no Tendências em 30.11.2019).
Acrescento outro (en)canto ainda mais antigo e jubiloso: “Santa Maria, Strela do Dia”, das Cantigas de Santa Maria, compilação em galaico-português datada do século XIII.
Ecos medievais

Escutamos e estimamos pouco a música medieval, pelo menos, não tanto quanto vale, na sua originalidade e diversidade em várias áreas:
- Ancoragem social: religiosa, trovadoresca, popular, mourisca…;
- Géneros: cantigas, motetos, missas, conductus…
- Cantos: gregoriano, cantochão, polifónico…
- Espaços: igrejas, castelos, praças, banquetes, tabernas…
- Eventos: festas, feiras, procissões, desfiles, bailes, banquetes…
- Instrumentos: rebecas, cítolas, harpas, vielas, saltérios, alaúdes…
- Danças: carolas; tripudium, estampidas, saltarelos, folias…

É verdade que, nos nossos dias, réplicas e sucedâneos nos interpelam, intermitentes, nos eventos e simulacros (e.g. as feiras medievais), no cinema (e.g. os filmes de fantasia) ou na música (e.g. o folk power metal, como os Blind Garden, ou os trovadores contemporâneos, como o Angelo Branduardi). Sublinhe-se que a música medieval é precursora e inspiradora de muitas composições dos séculos seguintes. Atente-se, por exemplo, nas Cantigas de Santa Maria, do século XIII, da corte de Afonso X, escritas em galego-português.
A minha ignorância da música medieval é avassaladora. Felizmente, tem-se manifestado notável o estudo e a recuperação do legado medieval. A ignorância comporta uma virtude para quem prefere descobrir a confirmar: proporciona mais hipóteses de encontrar, com espanto e prazer, por acaso ou pesquisa, novidades, sejam contextos ou obras. Seguem cinco exemplos:
