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Melancolia aveludada

Picasso. Femme assise près d’une fenêtre (Marie-Thérèse). 1932.

Gosto de escutar música. No trabalho e no lazer. Sou um melómano omnívoro. Aberto a quase todos os géneros e tendências, mas de cada apenas uma parte diminuta. A minha “discoteca” assemelha-se a um albergue espanhol com portas e janelas estreitas e filtradas. A maioria das músicas publicadas no Tendências do Imaginário tenho-as em casa. Escolho-as enquanto as escuto ou aleatoriamente enquanto percorro gavetas e prateleiras atolhadas com Cds e LPs. Tenho espírito de colecionador. Acumulo selos, moedas, pedras e minerais, picos paleolíticos, filmes, anúncios, vídeos musicais, imagens, ingratos e outras preciosidades que não vêm a propósito. Algumas relíquias e bastante desperdício.

Desta vez, o ponteiro da roleta deteve-se em Perry Blake, um cantor e compositor irlandês de culto. Uma voz e uma orquestração singulares, suaves, compassadas, melódicas e melancólicas. Seleciono quatro canções.

Sou viciado em música desde criança. Atrevo-me a resgatar mais um episódio de vida. Nos anos setenta, muitos jovens do Alto Minho e de Trás-os-Montes prosseguiram os seus estudos deslocando-se para Braga. O alojamento dispersava-se pela cidade, destacando-se, para os rapazes, o colégio D. Diogo de Sousa e, para as raparigas, o colégio, bem como o lar, Teresiano. Estava em voga a prática da boleia, um misto de poupança, aventura e bandeira ideológica. Por exemplo, nos regressos pendulares de fim-de-semana rumo às famílias do interior. Corríamos o risco de não chegar ao destino. Entre Braga e Melgaço, beneficiávamos de um último recurso: um autocarro, da Empresa Salvador Transportes, que circulava ao fim da tarde. Mas com a nossa gestão da mesada, faltava, amiúde, o dinheiro para o bilhete. O itinerário desdobrava-se por etapas (Vila Verde, Portela do Vade, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Monção), comportava sítios de espera e possuía regras, por exemplo, o primeiro a chegar era o primeiro a embarcar.

Cruzo-me frequentemente, em Moledo do Minho, com colegas e amigos de águas passadas. Acordam episódios de vida. Zé Dias, meu conterrâneo, destila memórias:

“Um domingo à tarde, eu e o Abílio, íamos à boleia de Melgaço para Braga. Chegados a Ponte da Barca, caminhámos até ao melhor local para erguer o polegar. De longe, ficamos apreensivos porque já lá estava alguém. Mas logo nos alegrámos. Escarrapachado na erva, à sombra das videiras, com a tua inseparável grafonola [um aparelho portátil com gira-discos, leitor de cassetes e rádio, oferecido por um primo, proprietário de um comercio de eletrodomésticos]. Solitário, despreocupado, prazeroso, a ouvir música e a deixar passar os carros. Só podia ser o Tino, só podias ser tu!”

Quase nunca me recordo destas anedotas que me convocam. Desconfio: falácias da imaginação ou realidade partilhada? Não obstante, admito que podia ser eu, já naquele tempo, um devoto de Santa Cecília e um caso à parte, um cromo desaparafusado.

Perry Blake. The Hunchback Of San Francisco. Broken Statues. 1998. Ao vivo no Cirque Royal, Nuits Botaniques, Bruxelas.
Perry Blake. Stop Breathing. Still Life. 1999.
James Blake. Broken Statue. Broken Statues. 2001.
Perry Blake. If You Don’t Want Me. The Crying Room. 2005.

The Silent Box

The Silent Box.

Algo mudou na música pop no que respeita aos protagonistas? Terão as bandas perdido algum protagonismo em relação aos intérpretes individuais? No Billboard de 1968, nos 25 primeiros, constavam 14 bandas e 11 intérpretes individuais (inclui os duo). Cinquenta anos depois, em 2018, nos 25 primeiros, constam 6 bandas e 19 intérpretes individuais. Subsistem, porém, muitas bandas. Os The Silent Box é uma banda de Braga, com repertório original, consistente e promissora. O vocalista é um caso sério. Retenho três músicas. Acabam de publicar Hold On  (2021). Acrescento Aftermath, do EP “I.N.T.R.O” (2019) e a atuação ao vivo no Braga Sounds Better 2018.

Hey ! We are a band from Portugal. The project goal is to create music with a wide spectrum of styles, with the majority of the influences being on the Indie, Alternative and Blues areas of Rock music (The Silent Box).

The Silent Box. Hold On. Vídeo musical. 2021.
The Silent Box. Aftermath. “I.N.T.R.O.”. 2019.
The Silent Box. Ao vivo: Braga Sounds Better. 2018.

Cabras urbanas

01. O monte das cabras com vista para a Universidade do Minho

„Não se aproxime de uma cabra pela frente, de um cavalo por trás ou de um idiota por qualquer dos lados“ (provérbio Judaico).

Cnsta que a natureza foi a mais beneficiada com a pandemia do coronavírus. Há mais cobras, lagartos, ratos e pássaros nas cidades. Jura-se a pés juntos que a erva nunca foi tão verde e as árvores tão altas. No quintal, os melros regalam-se com a comida dos gatos. Junto ao McDonald’s, entre a Universidade do Minho (Foto 1), o hotel Meliá (foto 2) e o INL (Instituto Ibérico Internacional de Nanotecnologia), pontifica um parque natural espontâneo, com dezenas de cabras e algumas vacas cachenas (fotos 3 e 4). As fotografias são de Conceição Gonçalves.

As cabras apoderaram-se de um monte de areia sem uso. Conquistam o cume (foto 5), dispõem-se em presépio ou cascata de S. João e afiam os cornos nos galhos remanescentes. Por ironia, este fenómeno pecuário ocorre num terreno que pertenceu ao INIA (Instituto Nacional de Investigação Agrária). Invente-se um provérbio: as sementes acabam sempre por germinar. Se não for milho, contente-se a gente com as cabras.

Qualidade e sucesso

Micah P. Hinson

Existe sucesso sem qualidade; e qualidade sem sucesso. Não é preciso ser belo para ser bom, mas ajuda. Uma vida atribulada não impede a criatividade, mas corrói a credibilidade. O norte-americano Micah P. Hinson não é um Senhor Milhões de visualizações. É original, com uma voz e um som próprios. Esteve no Theatro Circo, Em Braga, no dia 1 de Fevereiro de 2019.

Micah P. Hinsob. Beneath The Rose. Micah P. Hinson and the Gospel of Progress. 2004. Marc Riley BBC 6 Music Session 06/11/2012.

A Procissão da Burrinha

Procissão de Nossa Senhora da Burrinha – Braga,

“Vá até onde puder ver; quando lá chegar poderá ver ainda mais longe” (Goethe). Ver longe é uma vontade e um privilégio. Assim o estima Goethe mais as resmas de anões montados nos ombros dos gigantes. Gosto de ver as maravilhas onde elas estão: ora perto, ora longe. Richard Hoggart quase não teve que sair de casa para escrever The Uses of Literacy. Aspects of Working-Class Life with Special Reference to Publications and Entertainments (1957), um clássico da Sociologia. Quando enxergo maravilhas longe, fico encantado; quando ignoro maravilhas perto, não me perdoo.

Procissão da Burrinha. Braga TV.

A Procissão da Burrinha, na freguesia de S. Victor, em Braga, não podia ser mais próxima. Desde 1992, o número de figurantes, participantes, assistentes e turistas não para de crescer. Um sucesso que é um misto de religião oficial e religiosidade popular. A origem remonta aos anos 1870. Conheceu, entretanto, altos e baixos. Teve longos períodos de interrupção. Os motivos, os quadros e os figurantes mudaram ao longo do tempo. Outrora, em Julho, a procissão era dedicada às dores de Nossa Senhora, agora, inserida na Semana Santa, versa sobre o “Cortejo Bíblico Vós sereis o meu povo”. Até o SNI, órgão de propaganda do Estado Novo, pugnou, nos anos sessenta, pela renovação da Procissão da Burrinha. Ressalve-se, porém, que a partir do momento em que a imagem de Nossa Senhora do Egipto (a Senhora da Burrinha) se juntou, na procissão, à imagem de Nossa Senhora das Angústias, o núcleo duro permaneceu intacto: Nossa Senhora montada numa “jumentinha”, com o menino Jesus ao colo e São José a conduzir. Acrescenta-se um pormenor raro: Nossa Senhora porta um chapéu. Para se resguardar da inclemência solar durante a “fugida” para o Egipto? Por uma contingência local: quem organizava a procissão era a Irmandade de S. Tiago. “Esta corporação era constituída essencialmente pelos fabricantes de chapéus, os sombreireiros, que chegou a ser o mais importante ofício praticado na cidade de Braga” (Ferreira, Rui, 2007, Procissão da Burrinha, Braga, Junta de Freguesia de S. Victor). Nem tudo o que é divino cai dos céus.

Milhares nas ruas de Braga para aclamar a Procissão da Burrinha. Braga TV.

A imagem de Nossa Senhora, com chapéu, montada, o menino ao colo, avança numa burrinha conduzida por S. José (um figurante). Este é o coração da procissão. Rodeado e acompanhado por um mar de gente. Acontece estar perto o que não se encontra longe!

Preserve-se o nome “Nossa Senhora da Burrinha”, mais eloquente do que “Nossa Senhora das Angústias” ou “Nossa Senhora do Chapéu!

Procissão da Burrinha. Braga. Press Minho.

As informações constantes neste artigo provêm do livro Procissão da Burrinha, da autoria de Rui Ferreira. Apoia-se, ainda, num estudo, de que fui tutor, protagonizado por um grupo de alunos do curso de licenciatura em Sociologia da Universidade do Minho: Memória e Significado: O Caso da “Procissão da Burrinha”, por Ana Pereira, Ana Tavares, Daniela Pereira, Eduardo Mó e José Sendão.
A burrinha da procissão lembra o jumentinho do poema A moleirinha, de Guerra Junqueiro (Os Simples, 1892). A mesma humildade, quase a mesma divindade. “Quando a virgem pura foi para o Egipto, / Com certeza ia num burrico assim”.


Guerra Junqueiro. A Moleirinha.


Pela estrada plana, toc, toc, toc,
Guia o jumentinho uma velhinha errante
Como vão ligeiros, ambos a reboque,
Antes que anoiteça, toc, toc, toc
A velhinha atrás, o jumentinho adiante!…

Toc, toc, a velha vai para o moinho,
Tem oitenta anos, bem bonito rol!…
E contudo alegre como um passarinho,
Toc, toc, e fresca como o branco linho,
De manhã nas relvas a corar ao sol.

Vai sem cabeçada, em liberdade franca,
O jerico ruço duma linda cor;
Nunca foi ferrado, nunca usou retranca,
Tange-o, toc, toc, moleirinha branca
Com o galho verde duma giesta em flor.

Vendo esta velhita, encarquilhada e benta,
Toc, toc, toc, que recordação!
Minha avó ceguinha se me representa…
Tinha eu seis anos, tinha ela oitenta,
Quem me fez o berço fez-lhe o seu caixão!…

Toc, toc, toc, lindo burriquito,
Para as minhas filhas quem mo dera a mim!
Nada mais gracioso, nada mais bonito!
Quando a virgem pura foi para o Egipto,
Com certeza ia num burrico assim.

Toc, toc, é tarde, moleirinha santa!
Nascem as estrelas, vivas, em cardume…
Toc, toc, toc, e quando o galo canta,
Logo a moleirinha, toc, se levanta,
Pra vestir os netos, pra acender o lume…

Toc, toc, toc, como se espaneja,
Lindo o jumentinho pela estrada chã!
Tão ingénuo e humilde, dá-me, salvo seja,
Dá-me até vontade de o levar à igreja,
Baptizar-lhe a alma, prà fazer cristã!

Toc, toc, toc, e a moleirinha antiga,
Toda, toda branca, vai numa frescata…
Foi enfarinhada, sorridente amiga,
Pela mó da azenha com farinha triga,
Pelos anjos loiros com luar de prata!

Toc, toc, como o burriquito avança!
Que prazer d’outrora para os olhos meus!
Minha avó contou-me quando fui criança,
Que era assim tal qual a jumentinha mansa
Que adorou nas palhas o menino Deus…

Toc, toc, é noite… ouvem-se ao longe os sinos,
Moleirinha branca, branca de luar!…
Toc, toc, e os astros abrem diamantinos,
Como estremunhados querubins divinos,
Os olhitos meigos para a ver passar…

Toc, toc, e vendo sideral tesoiro,
Entre os milhões d’astros o luar sem véu,
O burrico pensa: Quanto milho loiro!
Quem será que mói estas farinhas d’oiro
Com a mó de jaspe que anda além no Céu!

Festival para Gente Sentada

Acalmia em Moledo. Fotografia de Fernando Gonçalves

Acalmia em Moledo. Fotografia de Fernando Gonçalves. 2018.

As férias terminaram, mas Moledo continua. Não me lembro de ver tantos carrinhos de bebé, tantas mulheres grávidas, tantas pessoas com cão e, sobretudo, tamanha afluência de carros a banhos. Moledo, no verão, está a mudar, a mudar no sentido inverso. Não estranhava ver nas redondezas de Moledo o Sufjan Stevens, cantor e compositor norte-americano, nascido em 1975. Tenho dois cd de Sufjan Stevens: Seven Swans (2004) e Illinoise (2005). Adquiri-os por altura da sua participação no Festival para Gente Sentada, em Braga, em 2004, no mesmo ano que Devendra Banhart. As três músicas seleccionadas pertencem ao disco Seven Swans.

Sufjan Stevens. We Won’t Need Legs to Stand. Seven Swans. 2004.

Sufjan Stevens. A good man is hard to find. Seven Swans. 2004.

Sufjan Stevens. Seven Swans. Seven Swans. 2004.

Espelho de água

Identidade e território

Disappeared. Pixabay.

Andei arredado por causa do III Congresso sobre Culturas – Interfaces da Lusofonia (Universidade do Minho, 23 a 25 de Novembro de 2017). Proferi duas comunicações, uma em plenário, apresentei a reedição do livro Vertigens e moderei uma sessão sobre indústrias culturais. Como convidado. Não me lembro de me auto propor a um congresso. Foi bom! Com o desuso, temia perder-me. Mas não, os congressos são para a gente se encontrar. Com o tempo, convenci-me que consubstanciam um caso de histerese do habitus científico, um fenómeno que perdura e, eventualmente, se exacerba para além das condições que o justificaram. Afinal, os congressos têm vida. Falta saber qual. Para a espera entre comunicações, recomendo Feist (Caught A Long Wind). Gostei do Congresso. Muitas sombras e muitos reflexos num enorme espelho de água (ver imagem).

Feist. Caught A Long Wind. Metals. 2011.

Valsa

Sílvia Perez Cruz

Sílvia Pérez Cruz actua no Theatro Circo, em Braga, esta quinta à noite. A lotação está quase esgotada. Sílvia Pérez Cruz é uma grande voz. Diria mais! É uma grande voz que sabe cantar. “Pequeño Vals Vienés” baseia-se na música que Leonard Cohen compôs (Take This Waltz, 1986) para o poema Pequeño Vals Vienés, de Federico García Lorca. Os gostos tendem a cruzar-se. São as tais afinidades electivas… Ontem. Leonard Cohen, hoje, Sílvia Pérez Cruz. Dancemos, não de lado, mas de frente.

Sílvia Pérez Cruz e Raúl Fernández Miró. Pequeño Vals Vienés. Granada. 2014.

 

Senhora do Leite

Nossa Senhora do Leite. Igreja de São Lourenço. Almancil. Algarve.

Figura 1. Nossa Senhora do Leite. Igreja de São Lourenço. Almancil. Algarve.

Nossa Senhora do Leite é um dos ícones mais antigos da religião cristã. Uma imagem nas catacumbas de Roma remonta ao séc. II. A par da Paixão de Cristo, a Senhora do Leite sobressai pela humanidade, senão humildade (há, naturalmente, excepções, ver Fig 3). O ato, a postura, a roupa e os adereços distinguem-na de outras figuras tais como a Coroação de Nossa Senhora ou a Rainha do Céu. Corrente na Idade Média, a Senhora do Leite quase desapareceu a partir do Concílio de Trento, vítima do pudor da Contra Reforma.

Senhora do Leite. Sé Catedral de Braga.

Figura 2. Senhora do Leite. Sé Catedral de Braga.

Jean Fouquet, Vergine e il Bambino (particolare), 1452-55.

Figura 3. Jean Fouquet, Vergine e il Bambino (particolare), 1452-55.

A Igreja de São Lourenço em Almancil, no Algarve, é um tesouro. O interior, quase todo coberto a azulejo, acolhe uma imagem da Senhora do Leite (Figura 1). Na Sé Catedral de Braga, existe uma Senhora do Leite, que é um dos principais ícones da cidade. Foi na Península Ibérica que a figura da Senhora do Leite teve maior acolhimento. Há diversas orações à Senhora do Leite. Segue um exemplo. Acrescento, no fim, uma oração pessoal.

Andrea Pisano, Madonna Del Latte, Pisa, 1343-1347.

Figura 4. Andrea Pisano, Madonna Del Latte, Pisa, 1343-1347.

Contributo de uma visita:

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO LEITE E DO BOM PARTO

Panel of the Fonte Gaia (Fountain of Joy), piazza del Campo, Siena. The original was the work of Jacopo della Quercia (ca. 1367–1438).

Figura 5. Panel of the Fonte Gaia (Fountain of Joy), piazza del Campo, Siena. The original was the work of Jacopo della Quercia (ca. 1367–1438).

Senhora do Leite e Bom Parto, mãe amorosa do Menino Jesus e minha Mãe, escutai a minha humilde oração. Sei que Vosso coração de  Mãe conhece todos os meus desejos, todas as minhas necessidades, só Vós, Virgem Imaculada, e Vosso Divino Filho são capazes de entender os sentimentos que enchem a minha alma. Vós que tivestes o sagrado privilégio de ser a Mãe do Salvador, intercedei junto a Ele agora, minha querida Mãe, para que, segundo a Sua vontade, eu  possa ser uma mãe, ou mãe de outros filhos enviados por Nosso Senhor. Isso eu peço, a Vós, Senhora do Leite, em nome de Vosso Divino Filho, meu Senhor e Redentor. Amém (http://precantur.blogspot.pt/2014/01/oracao-nossa-senhora-do-leite-e-do-bom.html).

Senhora do Leite,
Livrai-nos dos “pequenos deuses caseiros” (Manuel Freire), que nos “roubam a Pátria e a humanidade” (José Afonso); e o “leite nosso de cada dia nos dai hoje”. Amem.

Teimoso e despistado

Em 1567 artigos do Tendências do Imaginário, pouco falei de mim. A quem interessa? Sabe-se que sou sociólogo, professor universitário, fumador e pouco mais. O meu rapaz mais novo, o Fernando, descobriu, há dois ou três dias, uma página que me é dedicada e que, no meu alheamento crónico, desconhecia. Trata-se de um trabalho realizado por Filipa Magalhães e Ricardo Grilo, ambos licenciados em ciências da comunicação. Os textos e os vídeos incidem sobre o meu tempo de estudante em Braga e em Paris. O período mais turbulento e mais suculento da minha vida. Salpicos biográficos. A Filipa e o Ricardo desencantaram, ainda, o meu rapaz mais velho, o João, bem como o Álvaro Domingues, amigo de infância, e a Ana Moreira, minha aluna. Gosto do resultado. A não ser mais, constata-se que, no meu caso, a escrita é muito mais fresca do que o autor.

Para aceder à página carregue na imagem ou no seguinte endereço: http://ensinopij1314.weebly.com/vocaccedilatildeo.html.

Teimoso e despistado