Os monstros somos nós!
Cresce o número de anúncios com pessoas portadoras de deficiência. A exibição, nas feiras e nos circos, de monstros, aberrações e pessoas deficientes remonta a tempos imemoriais. É um espectáculo popular que costuma render.
Freaks, de Tod Browning, estreado em 1932, é um filme de culto, um dos mais bizarros de sempre. A história passa-se num circo pejado de deficientes físicos (anões, siameses, homens sem braços nem pernas, microcefálicos). Cleópatra é uma bela trapezista que gosta de Hércules, o levantador de pesos. É também a paixão do charmoso anão Hans. Ao saber que Hans é herdeiro de uma fortuna, Cleópatra, de conluio com Hércules, projecta casar com Hans, envenená-lo e ficar com a fortuna. Mas os monstrinhos amigos de Hans descobrem o plano e entregam-se à vingança… A moral da história não é nova: seres humanos fisicamente perfeitos podem ser monstruosamente desumanos; em contrapartida, seres humanos fisicamente imperfeitos podem ser um exemplo de humanidade.
Este não é um filme leve. Recomendo-o para quando lhe apetecer ver o que não costuma ver. O espírito não tem que nadar sempre em água de rosas, pode mergulhar, de vez em quando, em sopa de espinhos. Segue um trailer, o filme completo e uma pequena galeria de imagens.
Tod Browning. Freaks. 1932. Trailer.
Tod Browning. Freaks. 1932. Filme.
Humor Chinês
Não foi por acaso que os chineses entraram em força na EDP. Gostam de ideias luminosas. Bem como de bom humor. De preferência, com um toque desconcertante. Estes anúncios do Windows 8 são cintilações. Cintilações hilariantes. Gosto! Mas este género de humor não é completamente original. Nós, os portugueses, já o cultivamos há imenso tempo. O concurso das melancias lembra-me uma anedota lusitana homóloga. Um francês, um inglês e um português. O francês pega na espada, atira um ananás ao ar, descasca-o e fatia-o em rodelas antes de cair ao chão. O inglês avança, atira uma laranja ao ar, descasca-a e retira-lhe as sementes antes de atingir o solo. O português avança, concentra-se, retalha o ar com a espada e imobiliza-se. Os outros perguntam: então? E o português, condescendente, esclarece: Então! Estão a ver aquele mosquito? Nunca mais será pai… Os chineses aprenderam, provavelmente, esta arte de gracejar connosco. São muitos séculos de convívio. Desde o tempo em que parecíamos macacos pendurados nos mastros das naus.
Marca: Microsoft. Títulos: Water Melon – The Power of Touch; Make Up – Beautiful and Fast; Piano and Ping Pong – Multitask. China, 2013.












