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Anúncio português vintage 2. Lápis

Nos anos noventa, multiplicam-se os anúncios alegóricos minimalistas. “Lápis”, da Campanha de Segurança Rodoviária, ilustra, de forma paciente e didática, os riscos irrefletidos da condução sob efeito de álcool.

Anunciante: Campanha de Segurança Rodoviária. Título: Lápis / Se conduzir não beba. Portugal, 1985

Anúncio português vintage 1: Crânio / capacete

“Crânio”, da Segurança Rodoviária, estreou há mais de 30 anos. Pretende sensibilizar, de um modo impactante, os motoristas para o uso [obrigatório] do capacete de proteção. [carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo]

Anunciante: Segurança Rodoviária. Título: Crânio. Agência: TBWA / EPG (Lisboa). Direção: Jorge Castro. Portugal, 1994 (?)

Recordações do liceu Sá de Miranda

Escadas do Liceu Nacional Sé de Miranda, em 2014

Esparsa
Não vejo o rosto a ninguém,
cuidais que sou, e não sou.
Sombras que não vão nem vêm,
parece que avante vão.
Entre o doente e o são
mente cada passo a espia;
no meio do claro dia
andais entre lobo e cão.
(Sá de Miranda)

Revolvo o passado. Por estímulo alheio. O Facebook conduziu-me às publicações de agosto 2021 (Jogar às cartas com o Diabo 1 a 5), a Almerinda Van Der Giezen desencantou esta entrevista de 2014: O ensino depois da Revolução. O Fernando precisou que já me tinha mostrado a fotografia. A minha memória parece uma peneira que só retém o restolho.

A vida está cheia de ruturas e viragens, mas, pelos vistos, persistem algumas linhas de fundo. Por exemplo, a alergia à disciplina e o amor, entre outros, à arte.

Reparo que me tenho autocentrado demasiado. Quase sem convívio, propicia-se o diálogo comigo mesmo. Por acréscimo, experiências recentes inspiram-me a apostar menos na invisibilidade.

Neste mundo (no outro, não sei), para que serve e a quem serve a humildade? Não resulta de escassa utilidade para o próprio? Não tende a prejudicá-lo e a beneficiar os outros? Quem prega a humildade? A quem? Pregar a humildade não costuma ser uma iniciativa de humildes.

A despropósito, as palavras humilde e humilhado partilham a mesma raiz etimológica. Ambas derivam do adjetivo humilis (perto do solo) associado ao vocábulo humus (terra ou solo). Humilde significa perto do solo, sem elevação excessiva; humilhado, remetido para o solo, rebaixado.

Na banda desenhada, por exemplo, existem personagens que brilham pela humildade ou, até, humilhação, tais como o Pateta, o Felipe e o Charlie Brown ou Calimero e o Cascão.

O Tendências do Imaginário funciona não só como diário, mas também como arquivo. Faltava esta peça. Para aceder à entrevista, carregar na fotografia acima ou no seguinte endereço: https://ensinopij1314.weebly.com/vocaccedilatildeo.html.

Os Valores da UNESCO no Contexto Local

Na próxima sexta-feira, 4 de julho, participo no painel “Histórias Contadas. Memórias Guardadas” do encontro Os Valores da UNESCO no Contexto Local (Uma década de Clube para a UNESCO), na Casa do Tempo, em Cabeceiras de Basto.

Procurarei ilustrar, mais do que teorizar, com excertos de entrevistas filmadas, a importância dos testemunhos de vida para as ciências sociais e para a sociedade.

Programa do Encontro Os Valores da UNESCO no Contexto Local. Casa do Tempo. Cabeceiras de Basto, 4 julho 2025

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Mercedes Sosa – El tiempo vuelve. Cover de Pablo Milanés (Años. No me pidas, 1978

Campanhas de m*rda

Ça sent la mer d’ici (trocadilho francês)

Acontece as novidades chegarem aos molhos. Com os anúncios “La campagne de merde”, “Conquer the First School Poo” e “Le Studio”, temos elementos para iniciar um tratado de coprologia. Abordam temas fecais, desde a prevenção até à libertação, passando pela depuração.

Imagem: Ilustração do livro Gargantua

O texto mais estapafúrdio que conheço nesta matéria é da autoria do François Rabelais: o capítulo XIII da obra Gargântua (1534), intitulado “Como Grandgousier reconheceu a maravilhosa inteligência de Gargântua graças à invenção de um limpa cu”. Cinco páginas de delírio grotesco, cuja leitura pode ser escutada nos dois vídeos que seguem aos anúncios.

Imagem: O pequeno Gargântua segurando com as mãos um limpa cu. Gravura de Gustave Doré

Anunciante: Croque la vie. Título: La campagne de m*rde. Agência: Productman. França, maio 2025
Anunciante: Les Petits Culottés. Título: Le Studio. Agência: Customer Service. França, maio 2025
Anunciante: Andrex. Título: Conquer the First School Poo. Agência: FCB Inferno/London. Direção: Andreas Nilsson. Reino Unido, maio 2025

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1 PARTE do Limpa Cu em “Gârgantua e Pantagruel” de François Rabelais. Pelo Prof. Renato Brito. GELPEA. Colocado: 15/11/2021
2 PARTE do Limpa cu em “Gargântua e Pantagruel” de François Rabelais. Pelo Prof. Renato Brito. GELPEA. Colocado em 15/11/2021

Origami mágico

Ontem, tive um momento de glória. Consegui a façanha de mostrar ao Fernando um vídeo japonês que ele ainda não conhecia. E adorou! Uma lança em África. Sinto uma ponta de orgulho. Convenha-se que o vídeo Origami, realizado pelo jovem japonês Kei Kanamori, é fantástico. Curto, com menos de três minutos, nele cabe um vendaval de arte e sonhos.

Cativa-me a palavra origami. Há quase vinte anos, ilustrei uma conversa em Viana do Castelo com uma compilação de anúncios publicitários batizada Origami Mágico (ver Lição Imaterial: https://tendimag.com/2020/03/13/licao-imaterial/).

Origami. Animated Short Film by Kei Kanamori. Student Academy Award – Best Animated Short Film. Posted 19/10/2024

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É realmente belíssimo, veloz, imaginativo, ritmado, e pensar que tudo cabe numa folha de papel. A palavra origami também me fascina, e o origami em si mesmo ainda mais. Sem perder uma única dobra, tudo é possível neste imaginário. E remontando às vertigens do barroco e às suas dobraduras, diria que o origami representa a precisa vertigem do efémero. Tudo se resume à mudança e à capacidade de se reinventar. Dispersa-se com o vento, consome-se no fogo e dissolve-se na água. É um ritual da alma e celebra o espírito na sua magia de renovação. Sem amarras. Preces e oferendas, dobras infinitas. (Almerinda Van Der Giezen, 25.03.2023)

Por uns fios. A importância dos laços sociais

Brilhante, comovedora e cortante curta-metragem (anúncio de sensibilização) acerca do papel das empresas na luta contra o cancro.

Anunciante: Cancer@Work. Título: Strings. Agência: Publicis Conseil. Direção: Niclas Larsson. França, fevereiro 2025

Danças Submersas. Bailado em Regime Noturno

“Being an artist is like a journey to build something and I feel like I’m not building things, I’m just been driven by whatever comes to me (…) When I dance, when I move under water, I really feel that I become one, one with the water (…) I love the smell of the forest, I love the sound of the forest, it’s really beautiful, I feel part of it, part of the system (…) But what hidden in the under world is something that is really personal, it’s opening to your imaginary.” (Dancing Through the Waters with Julie Gautier, 2023)

Segundo alguns estudiosos do imaginário, nomeadamente Carl G. Jung, Gaston Bachelard e Gilbert Durand, podem-se associar e contrapor símbolos elementares. Associar, por exemplo, o sol, a luz, o ar, o elevado, a ascensão, a árvore, o seco, o duro, o direito, o exterior, o convexo, o fálico, o masculino, a espada ou a separação, remetendo-os para o “regime diurno do imaginário” (Gilbert Durand); e contrapô-los à lua, à sombra, à água, ao baixo, ao mergulho, à floresta, ao húmido, ao mole, ao sinuoso, ao interior, ao côncavo, ao uterino, ao feminino, ao cálice ou à (con)fusão, que remetem para o “regime noturno do imaginário”.

Seguem cinco bailados subaquáticos protagonizados pela francesa Julie Gautier, natural da Ilha da Reunião. Cinco, nem mais nem menos. Até podiam ser seis, mas o mais visualizado, AMA (2018), já está colocado no Tendências do Imaginário (Mergulho e ascensão da mulher. Coreografia subaquática). Todos nos convidam, portanto, a mergulhar profundamente no regime noturno do imaginário.

Carlos Hof – “Adore” (Julie Gautier Visualiser). Por Marriott Bonvoy, 2019
Narcisse (feat. Julie Gautier). Por Julie Gautier & Behind The Mask, abril 2022
NARCOSE by Julie Gautier with Guillaume Néry, janeiro 2023
Carte Blanche (Directed by Julie Gautier). Paris Haute Couture week, January 23rd, 2023
BAKELITE by Julie Gautier | #SickOfPlastic campaign. Produced by @imagine2050_ and Magali Payen. Directed by  @juliegautierofficial, 07/11/2023

Face a Face. Entrevista a Michel Maffesoli

Infeliz aquele que não tem mestre.
Os mestres são aqueles que nos mostram o que é possível no domínio do impossível
(Paul Valery).

Michel Maffesoli foi meu professor em 1981, o primeiro ano que deu aulas na Sorbonne e o meu último como aluno.

“Apologie”, l’autobiographie intellectuelle de Michel Maffesoli! Entrevista com André Bercoff. LE FACE A FACE. Sud Radio, 28/01/2025

O emigrante e a nota de Santo António

As “fotografias faladas” inserem-se no projeto “Quem somos os que aqui estamos?” do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço. Este projeto visa explorar o espaço geográfico e a sociedade local, dedicando-se em 2024 à freguesia de Alvaredo. Inclui atividades como o registo audiovisual de “fotografias faladas”, a recolha e digitalização de fotografias de álbuns familiares dos habitantes, uma exposição fotográfica na freguesia e a publicação de um trabalho sobre o projeto. A coordenação está a cargo de Álvaro Domingues e Daniel Maciel, com orientação científica de Albertino Gonçalves. (ChatGPT, consultado em 19-02-2025 às 12:40).

Existem objetos que cristalizam e expressam vidas. É o caso, nesta “fotografia falada”, de uma nota de 20 escudos com a figura de Santo António quardada preciosamente, senão religiosamente, por um emigrante desde o momento da partida para França em 1973 até à atualidade.

Fotografia Falada é um projeto de salvaguarda da memória e do património imaterial. Consiste no registo vídeo de um depoimento e tem como ponto de partida uma fotografia comentada pela pessoa nela retratada. Pede-se que comente a fotografia e fale da época e do contexto familiar e socioeconómico em que foi tirada (LUGAR DO REAL. Fotografia Falada).

Para aceder ao vídeo, carregar na imagem seguinte.

A Fotografia e Santo António. Realização: João Gigante. Entrevista: Daniel Maciel. Direção de produção: Rui Ramos. Produção: AO NORTE. Janeiro 2025