Grandville: Disfarces e Metamorfoses
Jean-Jacques Grandville (1803-1847) é um ilustrador e caricaturista francês da primeira metade do século XIX. Adquiriu fama com as suas metamorfoses envolvendo homens, animais, vegetais e objectos.
Conhecido como o “avô do surrealismo”, Grandvielle convoca o maneirismo, nomeadamente Giovanni Battista Braccelli e Lorenz Stoer (ver figuras 07 e 12). Algumas gravuras antecipam M.C. Escher (ver figuras 1, 7, 8, 9 e 19). Os Queen recorreram aos desenhos de Grandville para as capas do álbum Innuendo (1991) e respectivos singles (figuras 11 a 14.1).
Exceptuando as figuras 1 e 10, ambas de 1847, todas as imagens deste artigo foram extraídas directamente do livro Un Autre Monde, publicado em 1844. Grandville ilustrou vários livros, tais como as Fábulas, de La Fontaine, o Don Quixote, de Cervantes, as Viagens de Gulliver, de Swift, ou Robinson Crusoe, de Daniel Defoe.
Segue a música Innuendo, dos Queen (1991) e uma galeria com imagens de Grandville e do álbum Innuendo, dos Queen.
Galeria de imagens: J.J. Grandville e Innuendo dos Queen.
E depois do adeus
Não se brinca com o fogo, com Deus, com os sentimentos, com a sombra… E com a morte? Num anúncio recente, uma viúva bebe chá com as cinzas do marido defunto (O cão que sabia demais). Neste anúncio, um cadáver é alvo de cosmética inconveniente. Sempre se brincou com a morte, realidade demasiado séria. Em tempos, não se brincou tanto quanto parece: as imagens medievais que, agora, consideramos engraçadas, como as danças da morte, não tinham, então, graça nenhuma. A relação actual com a morte é ambígua. Oscila entre o limpo e o sujo: a morte asséptica convive com a morte poluída. Por exemplo, a cremação de um morto e a exibição de cadáveres nos maços de cigarros.
Marca: National Jazz Awards. Título: Death becomes you. Agência: DDB Toronto. Direcção: Josefina Nadurata / James Davis / Jen Walker. Canadá, 2005.
Almas danadas
Volta e meia, cruzo-me com autores maneiristas, de Agnolo Bronzino (1503-1572) a Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), passando por Francisco de Holanda (1517-1585) e Wenzel Jamnitzer (1507-1585).Calhou a vez a Marten de Vos (1532-1603), pintor de Antuérpia.
O inferno do Juízo Final (1570), de Marten de Vos, é impressionante: fogo, demónios e condenados formam uma corrente rumo à boca do inferno. Os corpos, com os seus movimentos, contorcem-se como labaredas. Trata-se de um fluxo onde não há parte sem todo. Este dinamismo lembra a queda no abismo, no inferno do Juízo Final (1467) de Hans Memling. (1430-1494).
Reencontramos as figuras fantásticas, demoníacas e grotescas na Tentação de Santo Antão (1591-1594), que lembra, por sua vez, a Tentação de Santo Antão, quer de Hieronymus Bosch (1502), quer de Mathias Grunewald (1512-1516). Todos juntos lembram o surrealismo.
Para terminar, uma nota curiosa: o “dinossauro” pintado, antes da data, na parte inferior direita da Tentação de Santo Antão, de Marten de Vos. E Pronto! Quando a vista se regala, a língua cala.













