A graça da desgraça

“O acaso é Deus que passeia incógnito” (Albert Einstein).
A graça da desgraça, o encontro feliz de seres infelizes, após uma travessia solitária, constitui um dos temas candidatos ao topo do emocionómetro, o “termómetro das emoções”. Sobretudo quando esta reunião improvável assenta na partilha de um pormenor identitário, por exemplo, dois coxos abandonados pela vida. É o que nos conta o anúncio Four Legs Good, da Trustpower, uma empresa neozelandesa de energia e telecomunicações. O velho e o cão foram feitos um para o outro, mas corriam o risco de nunca se cruzar. Tal como como os consumidores e a Trustpower. Este anúncio joga com os nossos sentimentos e as nossas emoções? Trata-se, naturalmente, de um dos principais talentos e desafios da publicidade! Alguns anúncios fazem-no assim outros assado, uns melhor outros pior, uns mais outros menos.
Anjos no purgatório: os cuidadores

Oportuno, esperado e bem-vindo o anúncio One Crisis Has caused another, promovido pela britânica Frontline 19, com o selo de qualidade da agência Adam & Eve, de Londres. A pandemia do covid-19 exponenciou o protagonismo da figura do cuidador mas não a criou. O desafio do envelhecimento, dos idosos desprotegidos, não é menos grave e premente. É certo que a pandemia do covid-10 comporta uma dificuldade adicional: o desconhecimento e a imprevisibilidade. Agudizou, também, a consciência do problema.
Os cuidados, institucionais ou informais, dedicados à pandemia ou à velhice evidenciam-se sem comparação mais urgentes e exigentes do que os reivindicados por outras categorias, algumas parasitas, que ofuscam a comunicação social e colonizam o espaço público. Dispenso invocar exemplos.
A figura do cuidador existe desde que o homem é homem. Sem cuidadores, a sociedade esmigalha-se, colapsa. Mas resultam, paradoxalmente, votados a uma invisibilidade social e a um desamparo desconcertantes, num misto de letargia e vergonha coletivas. Abençoados os cerca de 1.4 milhões de portugueses (segundo inquérito da Associação Nacional de Cuidadores Informais, de 2020) que, informalmente, se esforçam e sacrificam pela qualidade de vida de familiares, amigos e vizinhos vulneráveis. Um gesto, uma palavra ou uma simples presença podem dar vida à vida. Cresce e perdura, lamentavelmente, o número de pessoas que sobrevivem e morrem desapoiadas, por vezes numa extrema solidão, entregues ao mal do século, a morte social. O cuidado dos enfermos e dos idosos, dos dependentes, oferece-se como uma medida da nossa insuficiência. Será tão mesquinha a nossa solidariedade e tão entorpecida a nossa preocupação? Oremos, senhor!
Reincidência. O híbrido e o ciclista

Sem descurar a pedalada belga, holandesa e chinesa, a França é, em termos míticos, o país do ciclismo. Retenha-se, por exemplo, o filme As Bicicletas de Belleville (ver anexo 2) ou o álbum Tour de France, dos Kraftwerk (anexo 3). O protagonista do anúncio Unstoppable, da Renault, é um veterano ciclista que regressa à estrada. Barroco, o argumento não é original (anexo 1). Um sucedâneo da lenda da fonte da juventude, neste caso, a prenda.. Empolgante, o anúncio é extenso, sinuoso, invertido e retorcido. Ironicamente, vejo e revejo este anúncio sentado numa cadeira de rodas.
Anexo 1: Anúncio Dream Rangers.
Anexo 2: Trailer do filme Les Triplettes de Belleville.
Anexo 3: Tour de France, dos Kraftwerk.
Confinamento desconfinado

Confinamento desconfinado. Uma peneira esburacada. Estas palavras turvam-me o pensamento. Há dias publiquei um gráfico que comparava o número de infetados por 100 000 habitantes nos países da Europa. Portugal estava numa posição delicada. Volvidos poucos dias, a situação piorou: Portugal é o país com mais casos por milhão de habitantes a nível mundial. Avoluma-se o número de infetados, de hospitalizados e de mortos. Que incómodos rivalizam com o internamento nos cuidados intensivos ou a agonia nas instituições de idosos? Que efeitos colaterais rivalizam com a doença? Com as filas de ambulâncias às portas das urgências? Os mortos não sofrem traumas pedagógicos, assimétricos ou identitários. A morte não é reversível. Para os mortos, não há futuro perdido. Não admira que num confinamento desconfinado, o essencial pareça depender de cada um e de todos nós. Decretos coletivos com responsabilidade individual. A avaliação das consequências é uma arte, a arte de decidir.
A importância dos objetos

Separados pelo confinamento, avô e neta aproximam-se graças às novas tecnologias e a um pequeno urso de peluche. Os objetos são bons meios de comunicação e comunhão. Uma jangada de afetos. Um anúncio da NOS, pela agência HAVAS Portugal.
Através dos nossos ossos

Nos anos setenta, os Deep Purple eram uma das minhas orações. A partir do álbum Burn (1974), deixei, porém, de rezar pelos ouvidos. Aconteceu o mesmo com os Pink Floyd, a partir do álbum The Wall (1979), e com os Camel, a partir do álbum Moonmadness (1975). Saiu, em agosto, o 21º álbum dos Deep Purple: “Whoosh!”. A banda é composta pelos seguintes membros. Primitivos: Ian Gillan, vocalista, 75 anos; Roger Glove, baixo, 74 anos; Ian Paice, baterista, 72 anos. Mais recentes: Don Airey, teclista, 72 anos; Steve Morse, guitarra, 66 anos. Uma banda enérgica, talentosa, experiente, com uma idade média de 72. anos. Uma longevidade profissional invejável.
Seguem o vídeo de uma sessão de ensaio para a canção “Throw My Bones”, mais o vídeo oficial desta canção, a primeira do álbum “Whoosh!”. Para comparação, o terceiro vídeo recua a uma sessão de ensaio de 1971, para a música “No No No” (do álbum Fireball).
Filosofias do Grilo Sinistro

O Pinóquio tem o Grilo Falante. Eu tenho o Grilo Sinistro. A cada um o que merece. O Grilo Falante é um companheiro sensato e divertido; o Grilo Sinistro é mórbido e cínico. Só diz disparates. Bate as asas, e filosofa:
– Há momentos tão fatais como a morte. Por exemplo, quando sentimos que estamos a mais.
O Grilo Sinistro é irritante. Perverte a realidade. Mas não a inventa. O sentimento de estar a mais merecia estudo apurado. Pede o Grilo Sinistro para recolocar dois anúncios que ilustram a sua tese: no primeiro, Come Home, da Edeka, um idoso solitário simula a morte para ter alguma vida, com a visita dos filhos; no segundo, Dream Rangers, do TC Bank, um grupo de idosos resgata o passado para ressuscitar o presente. Dois anúncios de estimação.
Mãos de eternidade. Poética do macabro (revisto em 13.08.2022)

O confinamento motivado pela pandemia da covid-19 transtorna drasticamente os modos e os ritmos de vida das pessoas, a braços com uma experiência de vazio e isolamento avassaladora, abrupta e imprevisível. As reações e as respostas emergem improvisadas e estranhas. O amigo Álvaro Domingues, entregou-se compulsivamente, criativo e inspirado, à pintura de pássaros. Um por dia. No que me respeita, consumidor diletante, percorro imagens de esculturas de cemitérios de todo o mundo no ecrã do computador. Qual o interesse? Do Álvaro não imagino, o que me assiste admito que seja pouco ou até nenhum.




A conjugação do envelhecimento com o confinamento pode potenciar este género de desvarios e extravagâncias. Se a idade agrava a condição física, tende, por outro lado, a entreabrir, demência à parte, a porta ao ensimesmamento, à introspeção e ao arejamento do espírito. Com a velhices, tornamo-nos menos reféns do interesse. Não porque quebre a consideração pelo interesse alheio, apenas esmorece o seu papel como critério de relevância e oportunidade. Este “luxo” alivia a pressão coletiva e ampara a dedicação a assuntos que, por princípio, pouco ou nada importam aos demais. Precise-se que esta “distância à conveniência” não pressupõe uma qualquer advocacia ou mobilização consciente pelo desinteresse, designadamente o “interesse no desinteresse” de que fala Pierre Bourdieu (Le champ scientifique. In: Actes de la recherche en sciences sociales. Vol. 2, n°2-3, juin 1976). O interesse no desinteresse é duplamente interessado: implica o interesse mais o seu disfarce. Trata-se somente de uma condição que favorece, na linguagem de David Riesman (A Multidão Solitária, 1º edição 1950, São Paulo, Editora Perspectiva, 1971), a “introdireção” em detrimento da “alterdireção”. Em suma, a quem interessam os pássaros pintados do Álvaro e as minhas visitas internautas aos cemitérios? Antes de mais aos próprios autores, com uma boa dose de desprendimento e indiferença face às lógicas e às éticas da justeza e da responsabilidade. Configuram, porventura, um mero exercício, divertimento ou devaneio. Um capricho lunar.
O cemitério é um labirinto de símbolos minuciosamente codificados numa heterotopia que desconcerta qualquer mentecapto anestesiado. As sepulturas compõem “uma cultura material [que] cria, comunica e preserva sentido. Os artefactos e as sepulturas oferecem-se como evidências tangíveis de relações sociais que sancionam atitudes e comportamentos” (Rainville, Lynn, 1999, Hanover Deathscapes: Mortuary Variability in New Hampshire, 1770-1920, Ethnohistory Vol. 46, No. 3, pp. 541-597. p. 543). Caraterizadas pela diversidade, algumas revestem, inclusivamente, um cunho pessoal. Regra geral, suspeita-se o que visam e o que significam. Alguns símbolos são antigos, milenares. Impressionam, pela frequência, as mãos, sobretudo entrelaçadas, mas também a rezar, apontar (para cima ou para baixo), abençoar, dedilhar argolas ou segurar ramos de plantas. Umas mais artísticas, outras mais pessoalizadas (ver figuras 7 a 10).



As mãos entrelaçadas inscrevem-se num limiar, entre mundos. Este e o outro, nem este, nem o outro. Entre a vida e a morte, o céu e a terra, a memória e o esquecimento. O aperto de mãos não é apertado, é frouxo, facultando a sensação que as mãos tanto podem permanecer unidas como afastar-se. Juntas, as mãos mais do que agarradas parecem em muitos casos encostadas. Não se vislumbra resistência, sinal de esforço, para contrariar o destino. Trata-se de uma figura e de um momento trágicos.
O enlace das mãos, vulgar na generalidade dos cemitérios, não é exclusivo de nenhuma religião, cultura ou região. Não obstante esta transversalidade, esboçam-se algumas afinidades históricas e sociais.
As caveiras, os relógios e as urnas remetiam, outrora, para um sentimento e uma semiótica do medo e da culpa com raízes coletivas. Durante o romantismo e a era vitoriana, as esculturas tumulares acabam por se concentrar no foro individual, no amor e na família. As mãos entrelaçadas inscrevem-se nesta nova tendência apostada no reencontro e na salvação pessoais. Existem vários grupos religiosos e sociais particularmente propensos ao recurso ao motivo das mãos entrelaçadas. Por exemplo, os menonitas, anabatistas dissidentes do protestantismo, perseguidos brutalmente durante séculos, povoam os cemitérios com esculturas de mãos entrelaçadas.
“Os menonitas não tinham, geralmente, direito a inumar os seus defuntos nos cemitérios católicos. Faziam-no nas suas propriedades. Em Haraucourt-sur-Seille, a comunidade deve ter sido suficientemente pujante para fundar o seu próprio cemitério” (Patrimoine: du cimitière mennonite d’Haraucourt-sur-Seille: http://blogerslorrainsengages.unblog.fr/2015/02/02/patrimoine-du-cimetiere-mennonite-dharaucourt-sur-seille/; acedido em 13.08.2022).
A figura 11 proporciona uma noção da “densidade” das mãos entrelaçadas nos cemitérios menonitas: duas sepulturas a menos de dez passos.

Por outro lado, “as mãos entrelaçadas podem, eventualmente, representar a irmandade de uma loja. São motivo frequente nas lápides maçónicas e I.O.O.F. [International Order of Odd Fellows]”(Cemetery Symbolism: https://www.thoughtco.com/cemetery-symbolism-clasped-hands-pointing-fingers-1420808; acedido em 02.05.2020). Um anúncio numa publicação maçónica, a revista maçônica de cultura e informação, reproduz como fundo o motivo de duas mãos entrelaçadas ( ver figuras 1 e 12).

Regressando à questão da discriminação e da segregação dos vivos e dos mortos, no cemitério de Het Oude Kerkhof, em Roermond, na Holanda, dois túmulos, separados por um muro, unem-se graças às mãos entrelaçadas (ver figuras 13 a 15). O muro separa os protestantes dos católicos. O coronel protestante J.W.C. van Gorcum casou, em 1842, com a nobre católica J. C.P.H. van Wefferden. Falecido em 1880, foi sepultado na parte protestante do cemitério. A esposa, falecida em 1888, recusou o túmulo familiar. Pediu para ser sepultada junto ao muro, o mais perto possível do marido. Separados pela geometria humana, o coronel protestante e a esposa católica dão as mãos por cima do muro (ver Unusual Places. Graves of a Catholic woman and her Protestant husband: https://unusualplaces.org/graves-of-a-catholic-woman-and-her-protestant-husband-2/; acedido em 13.08.2022)



Separados em terra, reencontrados no céu. Promove-se a (re)união na eternidade mediante as mãos entrelaçadas.
Os textos que costumam acompanhar as esculturas com mãos entrelaçadas sugerem este voto de não separação: “Toujours unis” (Figura 16), “Farewell Dear Husband” (Figura 17) ou outras expressões tais como “até nos reencontrar”.


O motivo do túmulo do cemitério de Abbeville, em França (Figura 17), surpreende devido a um pormenor suplementar. Configura um caso especial: uma mãos entrelaçada aponta, ao mesmo tempo, com o indicador para baixo. O que, atendendo à simbologia da mão que aponta para baixo (ver Figura 18), pode significar que, ao pedido de união entre os esposos, acresce o apelo a Deus para não se esquecer de vir buscar a alma. Uma escultura polifónica.
Ousando fabular e abstrair do contexto, a mão bem poderia ser de Leopoldina, a primeira imperatriz do Brasil, enganada e supostamente maltratada pelo marido, o imperador D. Pedro I.
“No último encontro do casal, ocorrido no dia 23, Leopoldina avisou para Pedro que “eu estou morrendo (…) quando você voltar do Rio Grande, eu não estarei mais aqui. Os que são separados na vida serão unidos depois da morte”. Eles se abraçaram aos prantos e ela lhe perdoou por todas as ofensas cometidas (…) Hoje se completam 188 anos que a Imperatriz partiu para a imortalidade. Como ela mesmo profetizou, “os que são separados em vida serão unidos na morte”. Seu corpo jaz lado a lado com o de seu marido na Cripta Imperial” (Renato Drummond Tapioca Neto, ““Quando você voltar, eu não estarei mais aqui”: a morte da Imperatriz Leopoldina”, dezembro 11, 2014: https://rainhastragicas.com/2014/12/11/a-morte-da-imperatriz-leopoldina/; acedido em 11/08/2022).
As esculturas com mãos entrelaçadas respeitam determinados padrões.
“Se as mangas das duas mãos são masculina e feminina, o aperto de mão, as mãos entrelaçadas, pode simbolizar o matrimónio sagrado, ou a união eterna de um marido ou esposa. Às vezes, a mão sobreposta ou o braço posicionado um pouco mais alto indica a pessoa que faleceu primeiro e que está agora guiando seu ente querido na travessia para a próxima vida” (Cemetery Symbolism: https://www.thoughtco.com/cemetery-symbolism-clasped-hands-pointing-fingers-1420808; acedido em 02.05.2020).

“As mãos – quase sempre as mãos direitas – são incrivelmente detalhadas, com unhas e punhos de roupa esculpidos em mármore macio. Um dos punhos tendia a apresentar folhos ou plissados, sugerindo a mão de uma mulher; o outro estava decorado com abotoaduras, sugerindo a mão de um homem. Juntos, representam um marido e uma esposa que compartilham um último aperto de mão. Uma mão manifesta-se, em geral, plana e frouxa, com os dedos estendidos [ver Figura 19]. Pode ser interpretado como o falecido a interpelar os vivos a segui-lo ou a deixá-lo partir (The Cemetery Symbol of Eternal Love: https://daily.jstor.org/the-cemetery-symbol-of-eternal-love/; acedido em 02.05.2022).
A figura das mãos entrelaçadas nas sepulturas remonta, pelo menos, ao império romano. Nas escavações arqueológicas de Fréjus, no Departamento de Var, em França, encontram-se cinco estelas tumulares com mãos entrelaçadas (ver exemplos nas Figuras 20 e 21). É, no entanto, possível que o aperto de mão romano tivesse um significado diferente do contemporâneo. Para concluir esta focagem nas mãos das lápides tumulares, cedemos a palavra, erudita, aos arqueólogos de Fréjus, localidade onde foram descobertas as referidas estelas datadas do primeiro século da era cristã.
“A imagem da dextrarum junctio entre os cônjuges, particularmente bem representada nas estelas de Fréjus, é um motivo recorrente na iconografia funerária. A hipótese de vislumbrar uma esperança no reencontro final dos cônjuges na vida após a morte, após sua morte, não parece fundamentada, sendo hoje abandonada (…) Seu verdadeiro significado original foi analisado por P. Boyancé (…) Começa por sublinhar o valor eminente da mão direita, dedicada à deusa Fides, primeira divindade protectora de tratados e juramentos. A imagem das mãos entrelaçadas não significa, portanto, a salvação moderna (…) significa a harmonia e a boa fé que reinaram entre os cônjuges (…) o casal que celebra a concordia a que permaneceu apegado. A sua vida participa de alguma forma da imortalidade que concede o acordo sob o signo de Fides. Também temos evidências disso em várias representações mitológicas sobre sarcófagos, onde a dextrarum junctio significa que o amor é mais forte que a morte” (Académie des Inscriptions et Belles-Lettres, Sculptures de la Gaule romaine : Fréjus – https://www.aibl.fr/seances-et-manifestations/expositions-virtuelles/article/sculptures-de-la-gaule-romaine?lang=fr; acedido 02.05.2020).
Acerca da dextrarum junctio, de Fides e da Concordia, retenha-se, não obstante a especificação dos arqueólogos, o seguinte: o casal que celebra a concordia acede à imortalidade sob o signo da deusa Fides. Em vários casos, a dextrarum junctio admite que o amor supera a morte. Como nas mãos entrelaçadas contemporâneas.
Com palavras se fazem coisas (J. L. Austin. How to do things with words, 1962) e com coisas se dizem palavras, de amor e eternidade.






