O Cântico das Criaturas

Em tempos conturbados de obscurantismos e cegueiras mil, nada como se compenetrar e contemplar com olhos enxutos a imensa mas vulnerável dádiva da natureza. Pequenos, simples e humildes, como franciscos! Seguem duas músicas de Angelo Branduardi: “Il Cantico delle Creature” e, com Teresa Salgueiro, “Nelle Palludi di Venezia”, ambas publicadas originalmente no álbum L’Infinitamente Piccolo (2000).
Imagem: Noite estrelada do Principezinho (poster)
Ser bom e estar bem
Ao João
Geater work comes from great place to work (Saatchi & Saatchi, Notre Manifesto, 2024)
Numa recente autopromoção, “Notre manifesto”, a Saatchi & Saatchi destaca dois atributos incontornáveis numa boa agência de publicidade: não brincar (troçar) com o humor e convencer-se que “para ser bom no trabalho é preciso estar bem no trabalho” (vídeo 1).
A KFC e a agência Mother (London) parecem adotar e expressar estes dois princípios no anúncio “Believe in chicken”: um apelo coletivo, uma dança galinácea e uma concentração devota em torno de um frango (vídeo 2). Humor a sério e boa disposição não faltam!
Outra música, outras danças

Outra música (ZZ Top, Gimme All Your Lovin, Eliminator, 1983), outros excertos (Who’s Been Sleeping in my Bed?, 1963; The Swinger, 1966; The Oscar, 1966; Flareup, 1969), outras dançarinas (Elizabeth Montgomery, Ann-Margret, Joey Heatherton, Jill St. John; Raquel Welch).
Duelo de dança

Com a primavera, o bailado digital floresce. Almerinda Van Der Giezen enviou-me um vídeo extraído do filme “Carmen” (1983), de Carlos Saura, acompanhando-o com uma mensagem breve: “Algo diferente mas poderoso”. De Carlos Saura, recordo também os filmes Cria cuervos (1975), Mamá cumple cien años (1979) e Fados (2007). Todos com músicas notáveis.
Acrescento ao excerto de Carmen outro de Cria Cuervos, com a canção “Por que te vas”, interpretada por Jeanette, bem como o “Fado da Saudade”, interpretado por Carlos do Carmo, original do filme Fados.
Passinhos de dança
Dança! Se não com todos os músculos, pelo menos com alguns sentidos. Existe a palavra e existe a dança. Ousa um passo e deixa-os (a) falar.
Hoje é sexta, dia de pré-aquecimento. Que tentação trabalhar ao fim de semana! Até parece pecado.
Receber links e partilhá-los configura uma espécie de bailado digital. Seguem quatro shorts de Mark van Drunick.

Pégadas
Um toque de ecologia fica sempre bem!
Caminante, son tus huellas [pégadas]
el camino y nada más
(Antonio Machado)
“Para esta campaña abordamos el concepto de retornabilidad desde una perspectiva única, apelando a las emociones positivas que experimentas al salir de casa y emprender una acción beneficiosa para tu bolsillo. Para transmitir esta sensación, en el comercial aparece una pareja que baila al ritmo de la conocida canción de Moloko Sing It Back. Dado que la melodía cuenta con un coro pegajoso que repite la frase Bring It Back to Me, resulta ideal para motivar a las personas a devolver las botellas de Michelob Ultra. De esta manera, creamos una pieza de contenido atractiva que el público disfrutará”, agregaron Roberto Gabián y Santiago Gonzalez, directores creativos de la agencia.” (https://www.adlatina.com/publicidad/preestreno-michelob-ultra-y-gut-invitan-a-retornar-para-sentirse-bien)
Virar a página e adormecer
Por coincidência, recebo as melhores sugestões quando estou em Moledo. Os ventos insistem em soprar do Norte, desta vez, de uma amiga de Melgaço. Estou deveras grato porque, apesar de tanto borboletear na Internet, dificilmente pousaria (as borboletas degustam as flores com as patas) neste vídeo da canção Turning Page dos Sleeping at Last ímpar a vários títulos: música, coreografia, imagem, filmagem, montagem… Segue o vídeo, acompanhado por um cover dos Lua Lua.
I’ve waited a hundred years
But I’d wait a million more for you
Nothing prepared me for
What the privilege of being yours would do
If I had only felt the warmth within your touch
If I had only seen how you smile when you blush
Or how you curl your lip when you concentrate enough
I would have known what I was living for all along
What I’ve been living for
Your love is my turning page
Where only the sweetest words remain
Every kiss is a cursive line
Every touch is a redefining phrase
I surrender who I’ve been for who you are
For nothing makes me stronger than your fragile heart
If I had only felt how it feels to be yours
Well, I would have known what I’ve been living for all along
What I’ve been living for
Though we’re tethered to the story we must tell
When I saw you, well I knew we’d tell it well
With a whisper, we will tame the vicious seas
Like a feather, bringing kingdoms to their knees
Sonhemos!

Sonhar ainda não é pecado, pois não? Creio que, por enquanto, não colide com as bem-aventuranças do homo Hygienicus. Sonhemos, pois, enquanto podemos!
Um passarão numa gaiolinha

Troco, naturalmente, dicas. Uma amiga perguntou-me, hoje, se conhecia Patrick Watson, o intérprete e a banda, do Canadá, em particular as músicas “Je te laisserai des mots” (2010) e “The great escape” (2006). Tomara conhecimento através da filha [uma geração que aprende com a seguinte]. Claro, até está no Tendências. Mesmo assim, verifiquei. Nada… Mas nos marcadores, sobravam cinco canções para, como é hábito, colocar três. Esqueci-me! Acontece com tanta frequência que nem sequer relevo. Explica, por exemplo, por que, em doze anos e 3 896 artigos, os Coldplay só aparecem uma única vez, por sinal, à boleia do Claude Debussy (https://tendimag.com/2021/04/18/arabescos/). Mas nunca é tarde para reparar. Seguem as outras três canções: “Lighthouse”, “Here Comes The River” e “Big Bird in a Small Cage”. Acresce “Can’t Stop Staring At The Sun,” pela originalidade sonora, pela qualidade da coreografia e por ser um bom exemplo de vídeo musical surrealizado.


