Biomecanóides e robots

Motorola

O meu rapaz mais novo está, há longos meses, a construir a perna de um robot. Fiquei a conhecer a complexidade dos nossos parceiros de um futuro que começou há décadas. O telemóvel é uma extensão biomecanóide? O anúncio Expedition, da Morotorola Droid, não tem dúvidas. Biomecanóides e robots não são uma ficção, cruzamo-nos com eles todos os dias. Seguem um excelente anúncio de Noam Murro e um clássico dos Kraftwerk.

Marca: Motorola. Título: Expedition. Agência: Mcgarrybowen (New York). Direcção:  Noam Murro. Estados Unidos, 2010.

Kraftwerk. The Robots. The Man Machine. 1978.

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Sociólogo.

5 responses to “Biomecanóides e robots”

  1. Vera Gomes says :

    Parece-me que o telemóvel é, efetivamente, uma extensão biomecanóide. Em quase todos os aspetos: complementa-nos de uma forma que poucos objetos/maquinas o fazem, pois é nossa ferramenta de pesquisa, agenda, calculadora, e todas as maravilhas mais que o smartphone sabe fazer; não se chateia connosco, é benevolente, prático, inteligente, racional, e mais uma catrefada de virtudes. Quer se goste ou não, está para ficar. Mas também não me parece que alguém se queira ver livre dele. Agora…não, não nos está entranhado na carne , mas olhando para a dependência que dele sentimos, é uma questão de pormenor, e provavelmente já faltou mais para estar. A questão, julgo eu, é que estamos a ter que adaptar muito rapidamente a definição de “ser-se humano”. Sempre foi humano usar próteses. Exemplo estúpido: Ninguém duvidou que um pirata fosse humano só porque usava uma perna de pau. Hoje, ninguém duvida que os milhões de pessoas que usam próteses são humanas. Pode-se então dizer que as extensões biomecanóides entram no leque de características humanas ( ok, não vamos falar das próteses animais) – é característica dos homens, e por arrasto, do “ser-se humano” , usar próteses. Então se daqui a uns anos toda euzinha cair aos bocados e só sobrar o cérebro, mas o avanço tecnológico permitir substitur todo o corpo menos o meu cérebro intacto ( sem discutir e exequibilidade da coisa, que não estamos em 2050). Tendo um cérebro original e humano, e mais nada, o que é que eu sou? Sou humana, máquina, híbrido, pessoa com prótese, máquina com cérebro . .. o que seria eu ? Dei por mim, há muitos anos, a ver o “I Robot” e a torcer para que o Robot vencesse a máquina má e os humanos maus. Depois parei e refleti no insólito da minha reação. Depois vi o “Homem bicentenário ” e a coisa agravou-se; eh pá, por mim podiam ter considerado o homem humano logo ao primeiro sentimento demonstrado. Não, fizeram-no sofrer o tratamento de máquina por 200 anos. Se calhar sou eu que sou lamechas, mas se as máquinas tivessem sentimentos, seriam melhores que alguns (muitos) humanos. Onde ficou a definição de “ser-se humano” no meio disto tudo é que eu já não sei muito bem…

  2. Vera Gomes says :

    Se calhar, ser-se humano, para já, é aquilo que o homem quiser. No futuro nunca se sabe, pode ser uma máquina a definir o homem. Já o é em muitos aspetos, tendo em conta os acrescentos mecânicos ou biomecânicos que a maioria de nós usa e nem se apercebe. Sempre gostei de ficção científica, por determinar a realidade futura tantas vezes, de formas diferentes, mas muitas vezes certeira e/ou preditiva. O escritor /argumentista idealiza e o cientista concretiza, quando não é o próprio cientista a idealizar e concretizar. É empolgante. Quase me dá a ideia de que podemos escrever o futuro. E podemos. E já escrevemos muitas vezes, e o futuro aconteceu exatamente como o artista o imaginou. Não é sempre assim, claro. Basta pensar em “Space 1999” 😂 Mas acerta muitas vezes e para mim basta. Agora, que alguns dos futuros de Carl Sagan se podiam realizar, podiam. Só alguns. O “Contacto”, por exemplo. Não me importava nada de entrar na maquineta ET fabricada por humanos e conhecer ET’s, ET’s disfarçados de quem tanta falta me faz, o que fosse. Já o 2001 e o 2010 assustam-me um bocado. Talvez porque li o contacto e os outros 2 só vi em filme. Acho que a sua questão foi sobre telemóveis e biomecânica e já quase me perdi no caminho, o calor e as insónias dão nisto.

  3. Vera Gomes says :

    Desde que não seja um admirável futuro novo… será que é para lá que caminhamos a passos largos? Já temos alfas, betas, gamas, deltas, soma, formatação à lá carte (não, não vou dizer revisão do estado da arte 😂😂😂 Mais aulas houvesse, mais vezes me perguntaria como estava o meu estado de revisão da arte, ou qualquer coisa que lá fosse dar. Não. Não martelo realidades. Mesmo quando elas são chatas, chatas e me obrigam a alterar tudo o que eu achava que a realidade cientificamente espremida me ia dizer. Mas pronto. Não diz. A maioria das vezes. É a vida). Perdi-me nostalgicamente nos parentises. Temos o Mercado, figura mais divina que qualquer divindade , sociedades estratificadas (não geneticamente, mas não parece fazer grande diferença…), e mais uma série de semelhanças demasiado evidentes que me levam a pensar que alguém escreveu e outro alguém ou alguéns concretizou. Mas admito que também possa ser do adiantado da hora 😊 Espero que esteja tudo bem consigo Professor. Cumprimentos

    • tendências do imaginário says :

      Não desencantes, que é pelo encanto que vamos. Um beijinho.

      • Vera Gomes says :

        Nem pensar. No que depender de mim, nunca desencantarei. Às vezes não consigo é deixar de ver. Culpa muito sua, também, e não só. Mas agradeço sempre as lentes que o Professor e alguns dos seus colegas me deram.

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