Keep yourself alive!

Joseph Beuys’ signature. 2006. Joseph Beuys (1921-1986) era quase tão conhecido pelo chapéu como pela assinatura.
No anúncio The Chorus, da Heineken, pessoas distintas cantam, em diversos contextos, a mesma canção: Bohemian Rhapsody, dos Queen (A Night at the Opera; 1975). Partindo dos indivíduos desafinados desemboca-se num gigantesco coro empolgante. Em suma, a potência das massas. Duvida-se que a sintonia do colectivo seja espontânea. Duvida-se, também, da potência das massas. Duvida-se, até, do mito das massas. Quando era aluno de sociologia, por altura da Bohemian Rhapsody, estava na moda falar-se em sociedade de massas. Agora, está na moda falar-se em sociedades globais. Cada época tem os seus chavões. E chapéus para proteger a cabeça. Não impede que este anúncio esteja bem concebido e funcione.
Marca: Heineken. Título: Chorus. Agência: Publicis Milan. Direcção: Antoine Bardout-Jacquet. Itália, Maio 2016.
Admitindo que o Tendências do Imaginário é cada vez mais um albergue espanhol, acrescento uma das primeiras músicas dos Queen, Keep yourself alive, incluída no álbum de estreia da banda: Queen (1973).
Queen. Keep yourself alive. Queen. 1973. Ao vivo, 1975.

Offset poster for US lecture-series Energy Plan for the Western Man (1974) by Joseph Beuys, organised by Ronald Feldman Gallery, New York
Por falar em chapéus, nos anos 1970, tive o privilégio de trocar duas palavras com Joseph Beuys, um dos maiores artistas do século XX. Deram-nos, aos alunos de sociologia, a oportunidade de assistir à montagem das obras pelos próprios artistas no dia anterior à abertura da exposição, no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris. Um dos trabalhos de Beuys incluía, precisamente, o (seu) chapéu.

Cada época tem os seus chavões e os chapéus também se alteram.