Com o peixe na boca
É possível que, no enfiamento da política da língua portuguesa, o fado venha a ser cantado em inglês nos pubs de Lisboa. Esta decisão promoverá a internacionalização, senão a globalização, do fado.
A nível mundial, o português é a quinta língua mais falada e a sexta língua mais utilizada nos negócios. É a língua mais falada no hemisfério sul e a terceira língua da Europa mais falada no mundo. Se não for alterada a política da língua portuguesa, mais tarde ou mais cedo, a língua portuguesa será a segunda língua mais falada em Portugal.
A política da língua é complexa. Não é para asininos como nós. É para predestinados que sabem mandar desde o berço. Um exemplo. Os licenciados por cursos ministrados em língua portuguesa estão a sair do País. Podemos chamar a este movimento uma expiração de cérebros. Fossem os cursos ministrados em língua inglesa e talvez tivessem permanecido em Portugal. Por que motivo importa apostar na criação de cursos ministrados em língua inglesa? É plausível que os alunos estrangeiros inscritos nos cursos ministrados em língua inglesa acabem por se fixar em Portugal. Podemos chamar a este movimento uma aspiração de cérebros. Este é um caso exemplar de uma política de génio: aspirar, em vez de expirar, cérebros.
Amor mecânico
Se sente um amor ingénuo, sincero, fiel e ternurento e não o consegue expressar, diga-o com máquinas. Funciona. Un robot y una aspiradora logran estimular más nuestras fibras sensibles do que Romeo y Julieta. Por supuesto. No palco da vida, o amor mecânico está em vias de superar o amor trágico. Em breve, Cyrano de Bergerac vai declarar-se mais ou menos deste jeito: “És uma máquina! Adoro o modo como trabalhas. Os parafusos todos no sítio e um aroma a lubrificante…”
Vêm a propósito muitos vídeos, alguns famosos como o All is full of love, da Bjork. Opto, porém, pelo vídeo Just like, da desconhecida banda Beat Dis.
Marca: Vorwerk Kobold VR200. Título: Love sucks. Agência: Saatchi & Saatchi Dusseldorf. Direção: Jamie Rafn. Alemanha, Setembro 2014.
Beat Dis (2), Just like, Keep Still, Hungria, 2007.


