Archive | Dezembro 2011

United Colors of Benetton: Unhate

Marca: Benetton. Título: Unhate. Agência: Fabrica Italy/72andSunny. Direção: Sam Baerwald. Itália, Novembro 2012.

Reis Sábios

O que importa é a visibilidade. Criar não basta. Não fazer coisa que dê nas vistas é fazer coisa nenhuma. É perda de tempo, puro desperdício. Até na ciência, a obra vale pela notoriedade e não pela qualidade. A recepção sobrepõe-se à produção. Mais apostados na disseminação do que na inseminação, borboleteamos a cheirar flores sem folhas. O que não aparece não é, e o que parece é. Tamanho discernimento ofusca-nos e ensina-nos que melhor do que pensar é ter conhecimentos. A propósito de relações e conhecimentos, os Reis Magos também se limitaram a aparecer, com a sua estrela e os seus presentes. E têm mais notoriedade do que Santo Antão, Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino. Boas Festas!

René Magritte. The Red Model. 1934

Plurilinguismo

Anúncio insólito brasileiro. Grotesco qb. É motivo para dizer que pela língua peca o homem.

Produto: iBabel Free Chat Translator. Título: Tongue. Agência: Almapbbdo São Paulo. Brasil, Dezembro 2011.

A Arte do Progresso

Anúncios como este concorrem para me convencer que a publicidade é um segmento de actividade onde podem florescer a arte e as artes. Cada imagem de The Art of Progress respira criatividade e beleza. Não é por acaso que é uma obra de Bruno Aveillan para a Audi, uma das marcas mais vanguardistas em termos de publicidade.

Marca: Audi A8. Título: The Art of Progress. Agência: Kempertrautmann gmbh. Direção: Bruno Aveillan. Setembro 2010.

Explosão de cores

Acabou de estrear este anúncio espanhol da Verti Seguros, que nos convida a despertar e a colorir a vida. Belos efeitos.

Anunciante: Verti Seguros. Título: Boom. Agência: Bárbara & Co. Direção: Sega. Espanha, Dezembro 2011

Prada Candy: A Dança do Excesso

Deu-me para esgaravatar na publicidade de perfumes. Um mundo fabuloso. Um cheiro a Primavera cujo negócio se concentra na quadra natalícia. À semelhança do Baiser, de Jean Paul Gaultier, este anúncio ao perfume Prada Candy reincide na confusão dos papéis de género. Ela, a actriz Léa Seydoux, “é uma menina mimada, impulsiva. Esteve a estudar piano, de forma submissa, durante horas, sentindo-se atraída pelo professor. De repente, solta os cabelos, perde o controlo, atira-se a ele e deita-o ao chão (…). É uma história que fala de sedução, é um jogo amoroso. Normalmente, são os homens que têm a voz de comando (“llevan la voz cantante”), nunca as mulheres. Pois, neste caso, ocorre o contrário” (do Making of). A dança, a dança Apache, que inspirou o anúncio era a dança dos rufias parisienses dos anos 30. Uma dança tão brutal quanto bela, que, neste caso, se presta a que os papéis do homem e da mulher se baralhem e invertam.

Produto: Prada Candy. Direção: Jean-Paul Goude. França, 2011.

Sombras da Razão

Solução criativa cirúrgica, com imagem e  música a condizer. Pois é, começamos a reciclar os desperdícios, mas continuamos a desperdiçar os recursos.

Anunciante: Greenpeace New Zealand. Título: Oil on Canvas / Ghost Birds. Agência: Publicis Mojo Auckland. Direção: James Solomon. Nova Zelândia, Dezembro 2011.

O beijo já não é o que era

O beijo deu azo a obras-primas, tais como o quadro de Gustav Klimt ou a escultura de Auguste Rodin. Existem, também, fotografias como o Baiser de l’ Hotel-de-Ville, de Robert Doisneau (1950), ou o beijo do V–J day in Times Square, de Alfred Eisenstadt (1945), com um marinheiro norte-americano a beijar uma enfermeira no termo da Segunda Guerra Mundial.

Baiser de l'Hotel de Ville. Robert Doisneau. 1950

V–J day in Times Square. Alfred Eisenstadt. 1945

O beijo continua a estar no centro do anúncio de Jean Paul Gaultier. A intertextualidade é evidente. O beijo de Gaultier dialoga com todas estas artes de beijar, mormente com a fotografia de Eisenstadt. Cola-se à forma para mais profundamente a subverter. Porque é de uma inversão que se trata. No Beijo de Gaultier, é a mulher quem conduz. É ela quem domina, quem fica por cima. Entre o beijo de Eisenstadt e o beijo de Gaultier há uma troca simétrica de posições de género. Ao dia masculino da parada festiva sucede a noite feminina estremecida pelas luzes de néon e pelo ribombar do trovão. O Beijo de Gaultier opera uma transgressão. Mas convém ter cuidado com as transgressões. Com a febre que varre o mundo, ainda nos proíbem o beijo, este nosso pequeno luxo. Por causa da higiene, da saúde, do orçamento… Nada que já não aconteça nos universos assépticos da ficção científica!

Anunciante: Jean Paul Gautier – Parfum. Título: Femme et marin. Direção: Jean Baptiste Mondino. França, 1997.

A cerveja vai à ópera

A relação dos homens com a cultura deixa, por vezes, a desejar. Quem se lembra de beber cerveja com ópera? Ainda por cima, na companhia de mulheres? Só podia dar confusão.

Produto: Bud Light Beer. Título: Opera Wave. Agência: DDB Chicago. Direção: Erich Joiner. EUA, 2007.

O desencontro entre os homens vem, pelos vistos, de longe. A ópera teima em ser um quebra-prazeres.

Penélope na Idade da Técnica

As universidades apostam cada vez mais no marketing e na publicidade como modo de promoção. Este Soldier, da Singapore University of Technology and Design, lembra a dedicada Penélope. Volvidos alguns milénios, as mulheres continuam a cuidar dos homens; tecem roupas para os proteger: “See how thousands of men owe their lives to one woman”. 

Anunciante: Singapore University of Technology and Design. Agência: Goodfellas Singapore. Singapura, Dezembro 2011.