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Robots zombies

Total. Zombie

O imaginário publicitário, propenso ao encontro dos contrários, não descansa: acaba de engendrar os robots zombies. Ferrugem versus metal, passado versus futuro; ferrugem do passado e metal do futuro. E esta mecânica da lata e da inteligência artificial funciona. Com Total Quartz, o lubrificante certo.

Marca: Total. Título: RobotQuartz. Agência: BETC. Direcção: Thierry Poiraud. França, Fevereiro 2018.

A corrida dos mortos vivos

Brooks

“Sou um morto / Ainda vivo.” (Jacques Brel. La Chanson de Van Horst. J’Arrive. 1968).

A fronteira entre a vida e a morte é tão certa quanto incerta. Há quem visite o mundo dos mortos (Dante), há quem ressuscite (Lázaro) e há quem, como os zombies e as almas penadas, viva com um pé em cada lado. Nem todos temem o triunfo da morte: decapitado e ressuscitado, Epistémão não se importava de voltar para o inferno (François Rabelais, Pantagruel). Comunicamos com a morte nos cemitérios, com recurso à feitiçaria e nas mesas girantes. As almas errantes desassossegam em busca de sossego. A morte é sinistra para quem a teme. A morte é silêncio e alvoroço, ceifeira e espantalho, fatalidade e caos. No imaginário grotesco, a morte é, simultaneamente, medonha e risonha. Esta ambivalência percorre os videojogos, os vídeos musicais, o cinema e a publicidade.

No anúncio The Rundead, da Brooks, a morte descai para o lado espantalho. A ameaça inicial é o prelúdio de um delírio burlesco. À medida que correm com as sapatilhas Brooks, os zombies sofrem uma metamorfose: os corpos revitalizam-se e a relação com os vivos melhora. Este é o primeiro anúncio da marca. Bons auspícios! Os egípcios colocavam uma diversidade de objectos nos túmulos para os acompanhar na última travessia. Quando eu morrer, quero um par de sapatilhas no caixão, de preferência Brooks.

Marca: Brooks. Título: The Undead. Agência: Leo Burnett. Direcção: Björn Rühmann. USA, Fevereiro 2016.

A Amizade dos Mortos Vivos

Giffgaff. Don't be scaredSe é sensível, este anúncio pode causar incómodo. É medonho e molesto. Os mortos vivos constituem um dos tópicos mais recorrentes na história da humanidade. Hoje, estão na moda, nomeadamente ao nível da comunicação multimédia. Neste anúncio, os mortos vivos são tratados de uma forma tão original quanto inesperada. Graças a uma dupla inversão, entramos numa comunidade de vivos e mortos.

Marca: GiffGaff. Título: Don’t be scared. Agência: Fallon, London. Direção: Matthias Hoene. Reino Unido, Junho 2013.

Morte aos mortos!

Fox Channels. Posters feitos à balaQue o tétrico e o chocante cativam a atenção e ajudam a vender produtos, já se sabe. Que o fenómeno pode ser trabalhado com todo o requinte é algo que este anúncio brasileiro ilustra, desde o mais ténue contorno até ao mais ínfimo detalhe. A sequência inicial é, nesta perspectiva, um primor. Um anúncio para a Fox, o canal dos policiais, das assombrações, das morgues e dos mortos vivos.

Marca: Fox International Channels. Título: Shooting Posters. Agência: Loducca, São Paulo, Direção: Brasil, Março 2013.

Voto Zombie

No rescaldo do Halloween, noite de horror festivo, este anúncio filipino vem a propósito. Insere-se na campanha do senador Aquilino “Koko” Pimentel III contra o voto zombie e a favor de um recenseamento eleitoral limpo. Pelos vistos, os zombies votam; pior seria se fossem eleitos.

Anunciante: Office of Senator Koko Pimentel. Título: Zombie. Agência:  Campaigns & Grey | Campaigns Social Response (CSR). Direção: Joel Ruiz. Filipinas, Novembro 2012.

O Gato Fisgado

Confrontados, neste anúncio neozelandês, com o percurso acidentado de um gato tomado de amores por um Toyota Corolla, acode-nos uma dissonância sentimental, misto de entusiasmo e de pena. Valem ao bicho as sete vidas bipolares de um felino zombie pinga-amor eventualmente pelado. Em suma, o humor e a compaixão de braço dado na promoção de um automóvel.

Marca: Toyota Corolla. Título: Cat. Agência: Saatchi & Saatchi New Zealand. Direção: Hamish Rothwell. Nova Zelândia, Outubro 2012.

Morte ativa

Não há limites para a publicidade, a não ser o insucesso! Pelo menos, assim parece. Uma avó torna-se no zombie obsessivo das desculpas do neto para faltar ao trabalho. Em 82 segundos, assistimos a quase tantas mortes quanto as de um gato. Infelizmente, rir com a morte não é o mesmo que ter uma morte risonha. Let grandma rest in peace!

Anunciante: Zonajobs. Título: Grandma. Agência: DraftFBC Buenos Aires. Direção:  Federico CuevaMartin Hodara. Argentina, Abril 2012.

Aberrações

A nova campanha da Skittles desdobra-se por cinco episódios. Todos começam com uma introdução que alerta para o seu conteúdo insólito e assustador. Convida-nos, também, a interagir colocando um dedo num ponto do ecrã.
Será que o repulsivo atrai? Será que as aberrações são encantadoras? Será que um beijo digital no nosso dedo de batráquio, ou o toque de uma mão de um zombie mutilado ou o esguicho verde ao jeito do Exorcista nos dá vontade de devorar miniaturas doces, coloridas e estaladiças? A publicidade da Skittles há muito que aposta no estilo  “galeria de monstros”. É um sinal de perseverança e eficácia.
Os monstros constituem figuras vazias, abertas e absorventes. Neles nos projetamos, como numa espécie de rorschach da literatura, da arte e da comunicação digital. São figuras ambivalentes em que os contrários se namoram e os extremos se tocam. De qualquer modo, os monstros atraem-nos. E têm uma longevidade espantosa: constam entre os inquilinos mais perenes da nossa memória. Somos uns papa-monstros ruminantes.

Marca: Skittles. Título: Princess. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Marca: Skittles. Título: Zombie Tennis. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Marca: Skittles. Título: Dr. Cyclops. Agência: BBDO Toronto. Canadá, Março 2012.

Foi você que pediu uma coisa estranha?

O estranho anda à solta. Num anúncio, um coelho oferece-nos, impávido e sereno, meio lugar na sanita. Noutro, uma menina, zombie, assombra-nos com uma mensagem de operadora de telemóveis: “Missing Our Deals Will Haunt You” . O pior é que este pandemónio, que nos perturba sem razão, não vai parar com o Halloween. Não havia necessidade de um coelho intrusivo. Já temos o emplastro, a pantera cor-de-rosa e o Mr. Bean. Tão pouco faz falta uma aberração infantil. Já temos a Alice, o Oskar do Tambor e a possessa do Exorcista. Tanto caos, tanto abismo, tanta estranheza desconcertam-nos. E não há amuleto, alho ou água que nos valha!

Anunciante: Animest Creepy Animation Night . Título: Creepy bunny. Agência: Ogilvy Group. Direcção: Hypno. Roménia, Outubro 2011.

Anunciante: Phones 4u. Título: Little girl. Agência: Adam & Eve, London. Direcção: Garth Jennings. U.K., Outubro 2011.

Os zombies fazem yoga

O anúncio Zombie (Yoga Outreach) envereda pelo estranhamento (Unheimliche, na acepção de Freud). Mas a ameaça das pessoas transformadas em zombies tornou-se cada vez mais um estranhamento familiar. Mais de 500 filmes e um sem número de vídeojogos, vídeos musicais e anúncios publicitários habituaram-nos a este género de comoção. A perturbação reside na transformação, inesperada, dos zombies em seres humanos, por artes mágicas do yoga. Trata-se de uma construção de segundo grau, de um estranhamento que se sobrepõe a outro estranhamento, corrompendo a sua componente familiar e invertendo a acção (agora, de zombies para pessoas) mediante recurso a um meio completamente insólito: o yoga.

Anunciante: Yoga Outreach. Título: Zombie. Agência: John St (Canada). Direcção: Ben Steiger Levine. Canada, 2011.