Lama, excrementos e porcos (revisto)

Acontece desejar esquecer-me. De mim, claro! Rumo a um grau zero de reflexividade. Com o esplendor da técnica, há tanta mezinha para alívio da consciência interior. Mas é sonho impossível! Há sempre quem se lembre que existo, faço, penso, sinto e quero. Apetece mandar estes despertadores da subjectividade alheia chafurdar no charco da Dança do Cego, da Bugiada de Sobrado, em Valongo. Ou pegar “porcos bravos” no redondel de lama de Covas, em Vila Nova de Cerveira; de Romarigães, em Paredes de Coura (https://www.youtube.com/watch?v=3DPqOsEFfQY; este vídeo foi, entretanto, removido pelo YouTube provavelmente para proteger a imagem dos humanos); ou de S. Julião, em Valença (https://www.youtube.com/watch?v=geibjf60xOE). Temo, porém, que, adubados e enlameados, revigorem o assédio e a impertinência.
Apanha do porco. Covas. Vila Nova de Cerveira.
Nos momentos sedentos de paz interior, costumo trautear uma canção, pouco conhecida, dos Doors: The mosquito (1972)!
Pirilampo
A história do homem-máquina baralha-me os fusíveis. Nos anúncios indianos da Happydent, os dentes funcionam com lâmpadas (Dentes brilhantes). Neste anúncio, de 2007, da Greenpeace, os cús são candeeiros, à semelhança do pirilampo, também conhecido por caga-lume ou luzecu. É o advento do Homo Luzecus. Gosto do anúncio. Está no topo da escala do grotesco.
No meio de tanto nu, custa compreender a mensagem. Para poupar energia, acenda o rabo? Quando dispensar a luz, instale uma ventoinha eólica para aproveitar os “ventos de baixo”? Não, não é essa a mensagem. A mensagem é clara e contundente: use lâmpadas económicas com eficiência energética, como aquelas que tornam as cidades mais inteligentes. Enfim, uma Greenpeace pró-activa. Depois de tanta luz, deixemos os The Doors acender o fogo, numa interpretação ao vivo de Light My Fire (1968).
Anunciante: Greenpeace. Título: Sunshine. Agência: Escape Partners. Direcção: Sven Harding. UK, 2007.
The Doors. Light My Fire. Live in Europe 1968.
O Deslumbramento dos Sentidos / Riders on the Storm
Pode um anúncio baralhar os sentidos? Desorientar? The Dark Side of Japan, da Yamaha, apresenta uma resposta. A imagem, imprevisível, nem sossega, nem distrai: sequências vertiginosas absorvem e enrolam como só as ondas subterrâneas sabem fazer. Excelente! Do fundo da memória, ecoa uma canção: Riders on the storm… There’s a killer on the road…
Marca: Yamaha. Título: The Dark Side of Japan. Agência: BBDO, Milan. Direção; Luigi Pane. Itália, Junho 2013.
The Doors. Riders on the storm. LA Woman. 1971.

