Tag Archive | The Doors

Por outro lado

René Magritte. Variation de la Victoire.1965. Coleção privada

Que me lembre, estou pela primeira vez a escrever uma conversa. O motivo é simples: não pode durar mais de 90 minutos e quero saber onde tenho que cortar. Não sobra tempo para outros prazeres. Nada de explorações, limito-me a bater às portas da memória. Revisito. Por exemplo, os Doors. Remasterizados e algo mais. Proporcionam energia insubmissa.

The Doors – The End. The Doors, 1967. Remastered
The Doors – Riders on the Storm. L.A. Woman, 1971. Remastered
The Doors – Break on Through. The Doors, 1967. Remastered

Luzes

Acontece fazer incursões no passado do Tendências do Imaginário, principalmente para verificar se determinado anúncio, música ou imagem já foi colocado. Hoje, ao deparar com o artigo Luz, não consigo evitar constatar que o blogue já teve mais qualidade. Menos sôfrego, entre outras virtudes, privilegiava a maturação e a criatividade. Devo pensar em langar o vício de publicar um artigo por dia.

Recoloco a artigo Luz (25/11/2012) pelo vídeo que combina, algo inesperadamene, as pinturas do William Turner com a música dos Creedence Clearwater Revival. Acrescento os vídeos com as canções a que o texto alude: “Blinded By The Light”, dos Manfred Mann’s Earth Band; e “Light My Fire”, dos Doors.

Pensar! Pensar em quê? No presente pixélico dos formulários electrónicos? No futuro? Na luz ao fundo do túnel que nem ilumina, nem aquece? No passado? Nas luzes que embalaram “a criação do mundo”? Luzes que cegam, da Manfred Mann’s Earth Band, luzes que incendeiam, dos Doors, luzes que rasgam caminhos, dos Creedence Clearwater Revival. Pelo menos, estas luzes enchiam os olhos, não eram falácias políticas. Não eram luz de vela invertida… Eram faróis de cabo de mar que enchiam os céus de luz como nos quadros de William Turner. Carregar em HD.

Manfred Mann’s Earth Band – Blinded By The Light (original: Bruce Springsteen) . The Roaring Silence, 1976. On the television program The Midnight Special, recorded on March 18, 1977
The Doors – Light My Fire. The Doors, 1967. Live at Hollywood Bowl, 1968

Tops of the pops com rugas 3. Led Zeppelin, Deep Purple e The Doors

Georges Moustaki canta: “nunca estou só, com a minha solidão (je ne suis jamais seul avec ma solitude). Eu digo: nunca estou só, com os meus fantasmas sonoros”.

The Doors. Riders on the storm. L.A. Woman. 1971.
Deep Purple. Sweet Child in Time. Deep Purple in Rock. 1970.
The Doors. Riders on the storm. L.A. Woman. 1971.

O real e o virtual

Insisto na mesma tecla: a promoção das causas e a publicidade de sensibilização dão-se bem com a fantasia. Eis um bom tema para uma dissertação relevante: “o papel da fantasia na promoção de causas”. Neste belíssimo, competente e eficiente anúncio da ONU, Não escolha a extinção, um dinossauro Tiranossauro Rex é o protagonista e a Assembleia Geral das Nações Unidas, a audiência. Em primeiro plano, o dinossauro; em segundo plano, as imagens das alterações climáticas e da fome no mundo. Imaginemos! Porque a imaginação também é caminho para o conhecimento e a consciencialização. Imaginemos que em vez do dinossauro discursava o Secretário-Geral das Nações Unidas. O impacto seria maior, menor ou igual? Seria, com certeza, diferente. Realidades e virtualidades…

Anunciante: United Nations. Título: Don’t Choose Extinction. Agência: Activista/Los Angeles. Direção: Murray Butler. Estados-Unidos, outubro 2021.

Este é o fim
Belo amigo
Este é o fim
Meu único amigo, o fim
De nossos planos elaborados, o fim
De tudo que está de pé, o fim
Sem segurança ou surpresa, o fim
Nunca vou olhar em seus olhos… outra vez
Consegue imaginar como será
Tão sem limites e livre
Desesperadamente precisando da mão de algum estranho
Em uma terra de desespero?
(Excerto de The Doors, The End, 1967. Tradução: Vagalume).

The Doors. The End. The Doors. 1967. Live At Hollywood Bowl 1968.

Por outro lado

Red Hot Chili Peppers. Otherside. 1999.

Ando há cinco meses com uma espécie de rinite. As ideias não saem arejadas. De tromboflebite em tromboflebite, também não têm pernas para andar. Com as ideias entupidas e sentadas, pasta-se e pasma-se na memória. O vídeo musical Otherside, dos Red Hot Chili Peppers, é fantástico. Selecionei-o para projeção na exposição Vertigens do Barroco, que teve lugar em 2007 no Mosteiro de Tibães (ver https://tendimag.com/2015/06/10/vertigens-do-barroco/). O vídeo Otherside ultrapassa 500 milhões de visualizações na Internet! Não resisto a estender os outros lugares ao Break On Through (To The Other Side), dos The Doors.

Red Hot Chili Peppers. The Otherside. Californication, 1999.
The Doors. Break On Through (To The Other Side. The Doors. 1967.

O outro lado

Vazio de pensamento. Caiu herbicida nos neurónios. Preciso de uma inspiração que me despasme. Que me vire do avesso.

The Doors. Break On Through (To The Other Side). The Doors. 1967. Live At The Isle Of Wight Festival 1970.

O dever e o prazer

Colocar música no Tendências do Imaginário não lhe acrescenta valor. Mas gosto! Por prazer, faço disparates. A estupidez não é pecado; às vezes, é uma bênção. Colocar música não é, necessariamente, aliciante. Repetir dezenas de vezes a mesma música para escolher a melhor ligação é penitência. Mas é um tributo às músicas de grata memória. Ao valorizar um gosto, valoriza-se quem gosta. Dois princípios sobressaem na vida: o princípio do dever e o princípio do prazer. Acabei de participar numa reunião por videoconferência. Princípio do dever e da responsabilidade. Muita areia para crânios pequenos. Não me apetece analisar anúncios publicitários, obras de arte ou realidades sociais. Tão pouco me apetece vídeo conviver, colar lembretes no computador ou conceber aulas imateriais. Apetece-me pensar oblíquo e dizer disparates. Apetece-me ouvir música, música com garra. The Doors: End of the night; The end; e Riders on the storm. Prazer em águas turvas. Como sabe bem desconversar!

The Doors. End of the night. The Doors. 1967
The Doors. The End. The Doors. 1967.
The Doors. Riders on the storm. L.A. Woman. 1971.

Agarrar o vento

Tenho duas dúzias de reis magos em casa. Dá para poucas escapadelas. Sou perito: deixo-me descair na cadeira e passo por baixo do tapete. Ninguém dá pela minha falta. A invisibilidade é crucial: o protagonismo é fatal às escapadelas. Sem tempo, resolvo escolher um álbum à sorte. Sai o Donovan’s Greatist Hits (1969). Donovan foi um compositor e cantor de sucesso, sobretudo, nos anos sessenta. Pertence à geração Bob Dylan, Velvet Underground e The Doors. Donovan foi amigo de um meu amigo, em Paris.

Um dos reis magos veio de Angola. Fomos fumar, à espera da estrela. Tive uma sensação de estranheza: o Marlboro dele não tinha cenas eventualmente chocantes. Em África, os profetas da desgraça devem ter outras preocupações. Segunda estranheza: o preço de um Marlboro em Angola é 1:20 euros. Em Portugal, ascende a 5 euros! Inspeccionei: a única diferença reside nas imagens eventualmente chocantes. Devem ser muito caras!

Donovan. Catch the wind (1966). Donovan’s Greatist Hits (1969).
Donovan. Season of the Witch (1966). Donovan’s Greatist Hits (1969).
Donovan. The Hurdy Gurdy Man (1968). Donovan’s Greatist Hits (1969).

A oração e a prostituta

The Doors.

Acontece-me comprar discos sem os ter ouvido. Por opção. Na Fnac de Paris, podia-se ouvir os discos na loja; o mesmo na Sonolar em Braga. Mas é uma emoção descobri-los em casa. E, por vezes, uma desilusão. Por exemplo, o cd dos Air: City Reading -Tre Storie Western (2003). Poemas de Alessandro Baricco acompanhados com música dos Air. Decepção mais antiga foi o álbum An American Prayer (1978), de Jim Morrison e The Doors. Tal como no caso dos Air, poemas de Jim Morrison com música dos The Doors.

Com o tempo, uma pessoa acaba por se afeiçoar a estes patinhos feios. Quando menos esperamos, temos um cisne. Jim Morrison idealizava, antes de morrer em 1971 em Paris, publicar os seus poemas. Os parceiros da banda realizaram, de algum modo, a sua vontade. O vídeo contempla três faixas, dispersas, do álbum An American Prayer: An American Prayer; Lament; e Bird of Prey.

Jim Morrison & The Doors. An American Prayer / Lament / Bird of Prey. An American Prayer. 1978.

Ainda não me conciliei com o álbum City Reading, dos Air. Não desgosto, mas gostar é outra coisa. Talvez, a exemplo de outros, daqui a trinta anos. Os poemas do álbum estão arrumados em três partes: Bird; La Puttana Di Closingtown: Caccia All’uomo. Segue um excerto: “Prologo Per la Puttana Di Closingtown”.

Air e Alessandro Baricco. Prologo Per la Puttana Di Closingtown. City Reading. 2003.

Noite dos medos. O Carnaval macabro

Noite dos Medos. Melgaço. Noite de 31 de Outubro de 2018. Produção: Rádio Vale do Minho.

A segunda edição da Noite dos Medos de Melgaço ultrapassou as expectativas. Centenas de pessoas partilharam medos numa catarse colectiva respaldada na tradição. Nenhum medo escapou, nem sequer “os medos que metem medo a um susto”. Numa noite para aquecer, com chamas e queimadas, o protagonista foi o corpo, mascarado, pintado, representado, dançado e comunicado. Revitaliza-se, tribalmente, a memória e reinventa-se o passado.

Acrescento duas músicas a condizer: The End, dos The Doors, e Highway to Hell, dos AC/DC. Faltavam no Tendências do Imaginário. Dispus os vídeos por ordem de estreia. A menor qualidade do som e da imagem do vídeo dos The Doors é compensada pelo facto de se tratar de uma actuação ao vivo no próprio ano do lançamento da música (1967).

The Doors. The End. The Doors. 1967.

AC/DC, Highway to Hell. Original: Highway to Hell. 1979.