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As sapatilhas do ano novo

Je suis comme je suis / Je plais à qui je plais /Qu’est-ce que ça peut vous faire (Jacques Prévert. Je suis comme je suis. Paroles. 1946).

O que gosto de ter que fazer? Nada. Prefiro o resto, com vapores do inferno. My ugly side (Blue October). Mas nem o diabo me salva das obrigações. O Tendências do Imaginário resiste como espaço de liberdade. Em nove anos, nenhum dos 2 956 artigos foi escrito por dever. Irreverência e irrelevância numa evasão libertária. Bad (Michael Jackson)!

A publicidade sobre a passagem de ano foi escassa e discreta. Neste capítulo, a qualidade mora na China. Um anúncio frenético da Adidas incide sobre um show numa discoteca. Bebe-se, dança-se, coreografa-se, seduz-se e joga-se. Como nós. Somos todos, como agora se diz, pessoas. Não partilhamos, porém, os mesmos símbolos. Somos pessoas com culturas diferentes e denominadores comuns tais como as sapatilhas Adidas.

Marca: Adidas. Título: Adidas 2020 CNY. Agência: Haomai Advertisement Co., Ltd. Direcção: Muh Chen. China, Dezembro 2019.

A corrida dos mortos vivos

Brooks

“Sou um morto / Ainda vivo.” (Jacques Brel. La Chanson de Van Horst. J’Arrive. 1968).

A fronteira entre a vida e a morte é tão certa quanto incerta. Há quem visite o mundo dos mortos (Dante), há quem ressuscite (Lázaro) e há quem, como os zombies e as almas penadas, viva com um pé em cada lado. Nem todos temem o triunfo da morte: decapitado e ressuscitado, Epistémão não se importava de voltar para o inferno (François Rabelais, Pantagruel). Comunicamos com a morte nos cemitérios, com recurso à feitiçaria e nas mesas girantes. As almas errantes desassossegam em busca de sossego. A morte é sinistra para quem a teme. A morte é silêncio e alvoroço, ceifeira e espantalho, fatalidade e caos. No imaginário grotesco, a morte é, simultaneamente, medonha e risonha. Esta ambivalência percorre os videojogos, os vídeos musicais, o cinema e a publicidade.

No anúncio The Rundead, da Brooks, a morte descai para o lado espantalho. A ameaça inicial é o prelúdio de um delírio burlesco. À medida que correm com as sapatilhas Brooks, os zombies sofrem uma metamorfose: os corpos revitalizam-se e a relação com os vivos melhora. Este é o primeiro anúncio da marca. Bons auspícios! Os egípcios colocavam uma diversidade de objectos nos túmulos para os acompanhar na última travessia. Quando eu morrer, quero um par de sapatilhas no caixão, de preferência Brooks.

Marca: Brooks. Título: The Undead. Agência: Leo Burnett. Direcção: Björn Rühmann. USA, Fevereiro 2016.

Metamorfose de sapatilhas

NIke 2Um amigo enviou-me este anúncio da Nike. Uma metamorfose. As metamorfoses estiveram na moda na publicidade há uns tempos atrás. Sapatilha por sapatilha, lembro-me, por exemplo, do Puzzle, da Feilfri (2007). Lembro-me dos anúncios e, às vezes, até do nome! Esqueço as pessoas, as reuniões, os alunos, os livros, os autores, mas não os anúncios! Alienação? Retenção seletiva? Senilidade? Estupidez?

Marca: Nike. Título:  Nike Photosynthesis Pack. Junho 2015.

Marca: Feilfri. Título: Puzzle. Produção: Umeric. Direcção: Ash Bolland. Austrália, 2007.

Homens do lixo

Mizuno. Invisible RunnersAlguém havia de se lembrar deles. Em boa hora. Com dignidade. Imagem com valor acrescentado. A diversidade humana passa pela publicidade, num mundo comunicacional cada vez mais dedicado a marretas e clones.

Marca: Mizuno. Título: Invisible Runners. Agência: F/Nazca Saatchi & Saatchi. Direcção: Fabricio Brambatti. Brasil, Janeiro 2015.