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Artes florescentes

Jean-Philippe Rameau. Les Sauvages (Les Indes Galantes). 1735. Coreografia de Blanca Li. Bailado : Les Arts Florissants.

Acordei rococó. Os artigos de hoje convocam o estilo. Antes de mais, boa disposição: Les Sauvages (Les Indes Galantes, 1735), de Jean-Philippe Rameau, com coreografia de Blanca Li, interpretada por Les Arts Florissants.

No ensino à distância, o diálogo é sui generis. A reação, frequentemente dessincronizada, ou é escrita ou é falada. Mas reduzida. A comunicação não verbal é rara. Imagina-se! Por exemplo, os alunos a dançar.

Jean-Philippe Rameau. Les Sauvages (Les Indes Galantes). 1735. Coreografia de Blanca Li. Bailado : Les Arts Florissants.

Com um burro às costas. Música com humor.

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Francisco Goya. Tu que no puedes. Los caprichos 42. 1799.

Estive sete dias sem Internet. O apoio técnico por parte da operadora, a única entidade que o pode prestar, só chegou hoje. Uma simples troca de modem. Podia ter recorrido a outros acessos à Internet, mas estas conversas são pessoais e têm um nicho, a minha casa. Sou fetichista.

Há quem acredite que a técnica nos conduzirá à eternidade. Quanto a mim, a técnica, parente da obsolescência, é aceleradora da morte. Atropelam-se os funerais de técnicas de ponta, computadores incluídos. Deus não fez, neste mundo, obra perfeita. O que fez desfaz-se. Não faltam porém divindades de barro em busca da perfeição. São os piores inimigos da humanidade.

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Pássaro alimenta uma cria proveniente do ovo de um cuco.

Neste País de mil leis, uma operadora não tem prazo para acudir a uma participação de avaria! E nem sequer é possível denunciar o contrato. Por causa da fidelização. Quando o poder político e o poder económico se sentam no mesmo banco, o melhor é o consumidor não se pôr a jeito. Para a próxima, pense duas vezes antes de avariar, não vá carregar dois burros às costas.

Esta abstinência digital lembrou-me quatro músicas dedicadas a animais. Na primeira, os burros zurram; na segunda, as galinhas esgaravatam; na terceira, os cucos parasitam; e na quarta, os zangões zumbem.

La Fête de l’Ane. Excerto. Música medieval. Clemencic Consort.

Jean-Philippe Rameau. La Poule. 1728. Sir Neville Merrimer.

Louis-Claude Daquin. Le Coucou. 1735. Trevor Pinnok.

Nikolai Rimsky-Korsakov. Flight of the Bumblebee. 1899-1900. David Garrett.

O exibicionismo da galinha dos ovos de ouro

J. J. Caffieri. Rameau. 1760

J. J. Caffieri. Rameau. 1760

Ainda existem galinhas dos ovos de ouro em França, a Gália! Na minha terra, as galinhas dos ovos de ouro extinguiram-se há séculos. Ficaram, em contrapartida, muitos galos. Somos o país dos galos. Os italianos até nos chamam Portogallo. Os galos cantam mas não põem ovos. Também galam as galinhas e papam milho. As galinhas, para além dos ovos, criam os pintainhos e esgaravatam o chão. Têm uma vida rasteira. Um destes dias, a ciência de excelência ainda vai inventar galos “poedeiros” e galinhas voadoras. A composição La Poule (Pièces de Clavecin, 1724), de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), ilustra o interminável esgaravatar picotado das galinhas. Em suma, dois anúncios surrealistas e uma música barroca tardia. Intersectam-se.

Marca: La Française de Jeux. Título: Bus Shelter. Agência: BEPC Paris. Direcção: José António Prat. França, Abril 2014.

Marca: La Française de Jeux. Título: Street. Agência: BEPC Paris. Direcção: José António Prat. França, Abril 2014.

Jean-Philippe Rameau. La Poule. Pièces de Clavecin. 1724. Interpretação: Grigory Sokolov.