Roupa fantasma
“Every synthetic garment ever made still exists in any form haunting our planet”. Nem mais, nem menos. Trata-se de uma coisa do outro mundo que está a acabar com o nosso! No anúncio “Wear Wool, Not Waste”, da Woolmark Company, a roupa sintética não sei se me lembra os pássaros do Alfred Hitchcock, se os zombies do George A. Romero. Sem poupar nos pixéis, com tanta roupa a cair, além de Os Pássaros (1963) e A Noite dos Mortos-Vivos (1968), acudir-me-ia também o Nove Semanas e Meia (1986), do Adrian Lyne.
Este anúncio é bem ao gosto da Beatriz, em particular da sua devoção pela reciclagem de roupa. Já o comentário, menos sério, duvido.
Mãos

Numa apresentação dedicada às esculturas tumulares, releva-se o papel das mãos. Afirmam-se cruciais na comunicação, nomeadamente de disposições e emoções humanas. A arte privilegia-as. Recorde-se, por exemplo, Albrecht Dürer ou Auguste Rodin. O anúncio Christmas Nailed, da Tk maxx, confirma esta importância.
Egoísmo elegante

Na adolescência, quando regressava de férias a casa, a minha priminha corria a meu encontro e perguntava: “O que é que me trouxeste?” Respondia-lhe invariavelmente: “Um nada muito bonito”. Devia ter registado a patente. Para o Natal de 2013, a cadeia de lojas britânica Harvey Nichols concebeu uma coleção de prendas insignificantes com marca de luxo: palitos, elásticos, clips, devidamente etiquetados e embalados. O mote era simples e atraente: Sorry I Spent It On Myself, ou seja, não há nada como investir o máximo no próprio e deixar o resto para os outros, incluindo os mais íntimos. Antes de pensar duas vezes, pense primeiro em si! Escusado será acrescentar que a campanha foi premiada e bem-sucedida.
Pobres dos ricos
“A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.”
(Amália Rodrigues, Uma casa portuguesa, letra de Reinaldo Ferreira, 1953)
A alegria da pobreza só tem par na tristeza da riqueza. Como diria o Marquês de Sade, “toda a felicidade do mundo está na imaginação”. Com este andar, o meu povo vai rebentar de felicidade. Uma espécie de Big Bang da imaginação. Sem imaginação, como vão ficar tristes os ricos. Pobres dos ricos, são tão ricos!
Marca: Jechange.fr. Título: Sacrifices. Agência: Altmann+Pacreau. Direcção: Jérôme Langlade. França, Fevereiro, 2015.
Amália Rodrigues. Uma casa portuguesa. 1953.
Lavagem a seco
Neste anúncio da Conservação da Natureza do Brasil, uma bela jovem lava um carro, imagem gasta do rosário das mulheres objecto. Sendo a causa louvável, será justo continuar a falar em mulher objecto? Por que não actriz principal ou actriz secundária? Este anúncio é um simulacro. A mulher está a fazer de pin up. Será que a representação é “mais real do que o real”? Será que estamos perante uma falsa pin up mais pin up do que uma pin up verdadeira? O mundo anda tão confuso!
Anunciante: The Nature Conservancy Brasil. Título: Não chove, não lavo. Agência: Africa. Direção: Alaska. Brasil, Outubro 2014.

