Tag Archive | poder

Com um burro às costas. Música com humor.

francisco-goya-tu-que-no-puedes-los-caprichos-42-1799

Francisco Goya. Tu que no puedes. Los caprichos 42. 1799.

Estive sete dias sem Internet. O apoio técnico por parte da operadora, a única entidade que o pode prestar, só chegou hoje. Uma simples troca de modem. Podia ter recorrido a outros acessos à Internet, mas estas conversas são pessoais e têm um nicho, a minha casa. Sou fetichista.

Há quem acredite que a técnica nos conduzirá à eternidade. Quanto a mim, a técnica, parente da obsolescência, é aceleradora da morte. Atropelam-se os funerais de técnicas de ponta, computadores incluídos. Deus não fez, neste mundo, obra perfeita. O que fez desfaz-se. Não faltam porém divindades de barro em busca da perfeição. São os piores inimigos da humanidade.

passaro-alimenta-uma-cria-cuco

Pássaro alimenta uma cria proveniente do ovo de um cuco.

Neste País de mil leis, uma operadora não tem prazo para acudir a uma participação de avaria! E nem sequer é possível denunciar o contrato. Por causa da fidelização. Quando o poder político e o poder económico se sentam no mesmo banco, o melhor é o consumidor não se pôr a jeito. Para a próxima, pense duas vezes antes de avariar, não vá carregar dois burros às costas.

Esta abstinência digital lembrou-me quatro músicas dedicadas a animais. Na primeira, os burros zurram; na segunda, as galinhas esgaravatam; na terceira, os cucos parasitam; e na quarta, os zangões zumbem.

La Fête de l’Ane. Excerto. Música medieval. Clemencic Consort.

Jean-Philippe Rameau. La Poule. 1728. Sir Neville Merrimer.

Louis-Claude Daquin. Le Coucou. 1735. Trevor Pinnok.

Nikolai Rimsky-Korsakov. Flight of the Bumblebee. 1899-1900. David Garrett.

Fumaça ou a difícil arte de ser humano

league-against-cancer-smoke-eslovaquia-2010

League Against Cancer. Smoke. Eslováquia. 2010.

Não me lembro de campanha com a amplitude da luta anti-tabaco. Uma campanha orquestral, intrusiva e beata. Nunca tanta voz e tanto aparelho se juntaram em torno de uma causa. Por todos os ambientes e canais, desde os media até aos cidadãos. Esta polifonia pende para a cacofonia. Não existe privacidade ou intimidade que a demovam. Abrange tudo e todos, não há abrigo que lhe escape. É totalitária. Um expoente da fé no delírio da razão. Trata-se de propaganda, uma apropriação pela ciência e pela técnica das demais esferas da vida, designadamente moral e pessoal. Com tanta certeza e tantos recursos, a propaganda anti-tabaco patina ao nível dos resultados. Passa a caravana e a paisagem continua. Retocando Shakespeare. “muito barulho para nada”.

Não sou a favor do tabaco. Fumar é uma estupidez: uma iniciativa que só prejudica o autor. Visto assim, sou estúpido. Sou contra o tabaco, mas não sou contra os fumadores. Esmago um cigarro, não agrido um fumador. Aliás, a maioria dos fumadores entrou no inferno ainda o vício não era pecado. Foi o céu que, entretanto, mudou.

Tenho observado muitos anúncios anti-tabaco. Uns tendem a incluir, outros a excluir, o fumador. Estes três anúncios foram promovidos pela britânica NHS (National Health Service). O primeiro promete ajuda, o segundo anuncia a morte e o terceiro castiga até à morte. Recordando Hannah Arendt, é complicado entender o que motiva o ser humano, cordeiro ou carrasco.

Volta e meia regresso a esta birra desconversada. Que os infalíveis me perdoem! Nem com os olhos fechados, consigo ler outro roteiro. O roteiro das misérias históricas e do “admirável mundo novo”.

Anunciante: NHS. Título: Getting off cigarettes. Agência: Mcbd London. Direcção: Michael Geoghegan. Reino Unido, 2007.

“This is a viral created as (…)  final Masters project for the MA 3D Digital Animation program at the University of Hertfordshire. It is also being used by the NHS to promote their campaign on Anti Smoking”. Reino Unido, 2010.

Anunciante: NHS. Título: Fight Back. Agência: Doctor Foster United Kingdom. Direcção: Rankin and Chris Cottam. Reino Unido, 2010.

A caridade espetáculo

Quem trata bem os pobres empresta ao Senhor, e ele o recompensará” (Bíblia, Provérbios 19.17).

Este anúncio do World Development Movement lembra, perversamente, o reverso da cupidez: a caridade. Entramos na era da caridade espectáculo? A caridade espectáculo é milenar. Há muito, muito tempo já havia bailes e cortejos de caridade. Entramos quando muito na ubiquidade e na ostentação em larga escala da caridade. A caridade mitiga o necessitado e engrandece o benemérito. Lustra a reputação e consolida o poder. É  um valor acrescentado, neste e no outro mundo. Ressalve-se, contudo, que este retorno requer visibilidade. A comunicação social parece interessada.

Em vez de caridade, por que não solidariedade? Naturalmente, mas a palavra solidariedade implica envolvimento, responsabilização, compromisso e conexão, dimensões que a palavra caridade nem sempre contempla. A caridade, por sua vez, comporta outras vertentes como, por exemplo, a religião. Mas nem sempre é fácil distingui-las.

Carregar na imagem para aceder ao anúncio.

quino-gente-en-su-sitio

Quino. Gente en su sitio 1979 / Anunciante. World Development Movement. título: Banquier et Dette du Tiers Monde. Reino Unido, 1995.

 

 

 

Sem legendas

repos-tranchees

Primeira Guerra Mundial. Trincheiras. Repouso.

O anúncio War, da Berlitz, destina-se ao público canadiano. Visa converter os franco-canadianos às vantagens do inglês. Desconheço a situação das nacionalidades no Canadá, mas ainda há algumas décadas, o Québec reclamava a independência. Em 1967, em Montréal, num discurso célebre, Charles Degaulle  proclama “Vive le Québec libre”. O anúncio War subentende uma relação de poder. Dedicado aos franco-canadianos, percorre o mundo. As insignificâncias do poder costumam tornar-se virais. A língua é o âmago da cultura e da identidade. Ferdinand de Saussure já sublinhava que uma língua é uma visão do mundo. A língua constrói-nos e com a língua construímos o mundo. A língua é o que temos de mais precioso. O essencial da indústria cinematográfica é norte-americano. Importa aprender inglês para ver os filmes sem ler as legendas. O predomínio de Hollywood não é recente. Vem, pelo menos, desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, nos anos sessenta, os filmes norte-americanos não assoberbavam as salas de cinema nem os canais de televisão europeus. Entretanto, o que sucedeu? O mesmo que noutros sectores como, por exemplo, a música ou a ciência: o predomínio anglo-saxónico. Mas também é de admitir a perda de capacidade de resposta por parte dos países europeus. Assisti à crise, ou declínio, do cinema francês nos anos setenta. Um dos principais motivos radicava na alteração da distribuição, decisiva no sector. De qualquer modo, continua a cavar-se o fosso entre os países que fazem o que lhes interessa e os países que fazem o que podem. Se quiser ver filmes de Hollywood sem legendas, fale inglês. Se pretender ler Fernando Pessoa sem dicionário, fale português. A desvalorização das línguas do continente europeu é uma desvalorização da sua cultura e da sua identidade, uma perda de poder. Caminhamos para um mundo monolingue, uma aberração na história cultural da humanidade. Em suma, um anúncio bem concebido, criativo e eficaz, que toma o garantido como certo.

Marca: Berlitz. Título: Sous-titres War. Agência: Rethink. Direcção: Jean-Marc Piché – Quatre Zéro Un. Canadá, Dezembro 2016.

Geometria do poder

linha-quino-hombres-de-bolsillo-1977

Linhas. Quino. Hombres de bolsillo. 1977.

Há séculos que se conhece a diferença entre uma linha recta e uma linha curva. A primeira é clássica e a segunda, barroca. Comparada com a linha recta, a linha curva acentua a sensação de volume, movimento, desequilíbrio, jogo luz e sombra e aproximação dos opostos. Para Quino as linhas também se distinguem na sua relação com o poder. A recta é mais obediente, mais disciplinada e, em suma, mais alinhada e mais correcta.

Inchar e subir

OldSpice_Standoff16

A Old Spice desfaz-se em anúncios, mas sabe renovar. No Standoff, um homem incha e eleva-se no ar. Tenho visto seres humanos a inchar e a subir. Há dezenas de expressões populares para aludir a esta exorbitância que requer espaço e poder.
Impar como um sapo (aumenta o volume);
Como um peru armado (aumenta o volume);
Armar-se aos cágados (têm carapaça);
Armar-se aos cucos (põem o ovo em ninho alheio);
Armar-se em carapau de corrida (inflacionar o valor do peixe);
Não lhe cabe uma palha/um feijão no rabo (de tão inchado).

Marca: Old Spice. Título: Standoff. Agência: Wieden + Kennedy (Portland). USA, Junho 2016.

Querido Pai Natal!

Carregar na imagem para aceder ao anúncio.

AuxmoneyMarca: Auxmoney. Título: Poet. Agência: Aimaq von Lobenstein. Direcção: Park Ellerman. Alemanha, Dezembro 2015.

Querido Pai Natal!

Como consegues dar tantas prendas? No meu país, o dinheiro não chega para os bancos.

O anúncio é bonito, não é? Mas faz-me confusão. Um barco tão belo afundava-se neste país alagado!

E aquela corrente de pessoas de mãos abertas? Prontas a disponibilizar dinheiro. No meu país, os bancos estão dispostos a pedir. Mas, a fazer fé nos discursos das entidades competentes, os desmandos dos bancos não são problema, são apenas tabu. As autoridades desvalorizam o assunto. Deve ser isto a magistratura do silêncio seletivo. BNP? BPP? BES? Banif? Um ar que se varreu. Milhares de milhões de euros? Uma irrelevância. Como ensinou Deu-la-Deu Martins, o melhor é dar aos outros o pão que não temos.

Os diagnósticos são consensuais: os bancos não são problema. A autoridade máxima explicou. A autoridade máxima segunda, também. Tal como as autoridades máximas terceiras. Mais os peritos e os comentadores nacionais e internacionais. Acrescem os banqueiros. Ficam na memória os rostos do silêncio a desfilar de sobrolho franzido fora e dentro da televisão. Não há dúvida, pelo menos assim reza a cartilha, que a responsabilidade pela crise radica na função pública e nas famílias que vivem acima das suas possibilidades. Quanto ao resto, vai pagando que a procissão ainda vai no adro!

No caso do Banif, o “custo das operações” ultrapassará os 2 000 milhões de euros. Os cortes nos salários da função pública ascenderam, em 2014, a 1 700 milhões de euros. Não chega a tampa para a panela. Pelos vistos, 2 000 milhões de euros é uma quantia irrisória. Uma gorjeta de Estado. Segundo os timoneiros da nação, o que prejudica o país, o que dificulta o equilíbrio orçamental, são os médicos e os professores “a mais” na saúde e no ensino, sem esquecer outros excessos e desmazelos do género.

Existe uma nova autoridade máxima segunda. Talvez fosse corajoso e pedagógico comunicar quanto custou ao Estado, nos últimos quatro ou seis anos, o apoio aos bancos, o ninho dos “empresários heroicos”, sem esquecer o anexo com o montante dos empréstimos. Por estranho que pareça, são os funcionários e as famílias que vivem acima das suas possibilidades quem está a pagar esta soltura do Estado e do capital financeiro. Os contribuintes têm direito à informação, tanto mais que se compram ruínas, ou seja quase nada, a preços desproporcionados.

Querido Pai Natal! Consegue, por favor, algumas palavras válidas e lúcidas. E se te der jeito, no regresso, leva contigo os sábios que imputaram a crise às gorduras da função pública e às famílias imprudentes. Leva-os! Se calhar, dão boas renas. Voltando ao anúncio, convém ter alguma cautela: neste rectângulo, tamanha legião de gente com dinheiro pode lembrar aos carneiros uma nova tosquia.

Querido Pai Natal! Para o próximo ano, vou pedir que me ajudes a convencer as autoridades máximas a fazer o balanço dos custos e dos benefícios do acordo ortográfico. No que me diz respeito, escrevo mais devagar e dou mais erros.

Querido Pai Natal, gosto muito de ti! Gosto cada vez mais do que não existe…

Albertino Gonçalves

Humor e respeito

“Pode-se rir dos erros sem lesar a decência” (Blaise Pascal, Les Provinciales, 1656-1657)

Para os franceses, Napoleão Bonaparte é, ao mesmo tempo, motivo de orgulho e motivo de riso. Escarnecem quem mais admiram. Esta postura é uma raridade. Em Portugal, sobram os governantes risíveis e escasseiam os prodigiosos: D. Afonso Henriques, D. João II, Marquês de Pombal… Nenhuma grande figura histórica lusitana combina veneração e gracejo. Os portugueses constam “entre os povos mais tristes da Europa”. Falta-lhes, porventura, a reverência burlesca, o cómico nas alturas, rir nas barbas do herói.

“Portugal é um dos países europeus onde os cidadãos menos confiam nos outros, revelam os resultados do Inquérito Social Europeu, um projecto que desde 2001 estuda e compara os valores e atitudes sociais na Europa. Os portugueses são ainda dos europeus mais tristes e descontentes com a política” (Público, 27/11/2008, baseando-se num estudo internacional, coordenado, em Portugal, por Jorge Vala).

Para aceder ao anúncio Napoleon, da Coca-cola Light, carregar na imagem.

Coca-Cola_Light_Napoleon

Marca: Coca-cola Light. Título: Napoleon. Agência: Santo Buenos Aires. Direcção: Marcelo Burgos. 2014.

 

Touros com rodas

Audi Q3

Já faltava um bom anúncio a um automóvel. Graças à sequência de imagens, ao texto, à música, à divisa e a uma boa composição global, o anúncio All conditions are perfect conditions é excelente. O Audi Q3 é sensual e robusto. Trata-se de um todo-o-terreno, preparado para “qualquer condição”. O Audi Q3 parece obra dos deuses. Sem menosprezar o Lamborghini, lembra um touro mítico cretense.

Pasifae. Vilanova i la Geltru. Espanha.

Pasifae. Vilanova i la Geltru. Barcelona. Espanha.

Zeus apaixonou-se por Europa. Avistando-a na praia, aproximou-se, transformado num touro branco com chifres e cascos de prata. Confiante, Europa montou no touro que a levou mar adentro até Creta.
Minos, filho de Zeus e Europa, casou com Pasifae. Na qualidade de rei de Creta, faz um pacto com Poseídon, prometendo-lhe sacrificar o melhor touro. Minos não cumpre a promessa. Sacrifica um touro vulgar. Sentindo-se enganado, Poseídon pede o auxílio de Vénus, que, durante a noite, implantou no coração de Pasifae, um desejo irresistível por um touro. Incapaz de se conter, Pasifae pede a Dédalo para lhe construir uma armadura em forma de vaca de modo a poder aproximar-se do touro (a versão bovina do cavalo de Tróia). O desejo foi satisfeito.
Da relação de Pasifae, mulher de Minos, com o touro, nasceu o Minotauro, um ser humano com cabeça de touro. Resultado de uma concepção anómala, o Minotauro envergonhava Minos e aterrorizava os cretenses. Minos encomenda a Dédalo a construção de um labirinto, de onde fosse impossível sair, para encarcerar o Minotauro.
Minos conquista Atenas, de cujo povo leva semanalmente sete rapazes e sete raparigas virgens para alimento do Minotauro. Teseu, filho do Rei de Atenas, junta-se a um destes grupos com o intuito de matar o Minotauro. Em Creta, Teseu conhece Ariadne que, apaixonada, lhe dá o novelo de lã para o ajudar a sair do labirinto. Teseu matou o Minotauro. Consta que a parte humana ficou na terra e a parte animal foi para o céu formando a constelação Touro.

O rapto de Europa. Mosaico. Byblos. Séc. III A.D. Beirute.

O rapto de Europa. Mosaico. Byblos. Séc. III A.D. Beirute.

O texto do anúncio inspira-nos um misto taurino de sexo e poder: esculpir, adrenalina, excitação… Esta é a alquimia de muitos anúncios a automóveis. Impressiona, contudo, que este chamamento seja o oposto dos anúncios de prevenção rodoviária. Adrenalina e excitação não é o que se espera de um condutor previdente. Como avaliam as altas autoridades os anúncios publicitários? Há uns tempos, espantei-me com a proibição de uma anúncio da Rexona por causa de três raparigas que dançavam no banco de trás de uma carrinha sem cinto de segurança (https://tendimag.com/2011/11/29/zelai-por-nos/). Se calhar, as Altas Autoridades atendem mais ao conteúdo do que à forma. Elas lá sabem! Foram nomeadas para impedir erros alheios de alto efeito. Alta Autoridade é um nome que cria urticária ideológica. Mais alto do que uma alta autoridade, só uma alta alta autoridade ou uma altíssima autoridade. As altas autoridades pegaram de estaca neste nosso húmus democrático. Soam a retro, soam talvez aos anos trinta.

Marca: Audi Q3. Título: All conditions are perfect conditions. Agência: Ogilvy & Mather, Cape Town. Direcção: Rob Malpage. África do Sul, Agosto 2015.

Texto do anúncio e tradução.

  This is not a road, it’s an invitation

This is not driving, this is carving.

These aren’t bad conditions, as there is no such thing.

This is not a flash flood. It’s a source of adrenalin.

Ok, this is treacherous. But so what?

This is not tension, this is excitment.

This is not a mountain, this is the next level.

All conditions are perfect conditions.

The new Audi Q3

Isto não é uma estrada, é um convite

Isto não é condução, isto é “esculpir”

Estas não são más condições, pois não existe tal coisa.

Isto não é uma enxurrada, é uma fonte de adrenalina.

Ok, isto é desleal. E então?

Isto não é tensão, isto é excitação.

Isto não é uma montanha, isto é o próximo nível.

Todas as condições são condições perfeitas

O novo Audi Q3-

Anúncios de risco

dacia-kids-driving-1O mundo não é geométrico. Tem pregas. Em 2011, estranhei o zelo na proibição de dois anúncios britânicos: um com uma adolescente sentada na via férrea, o outro com três raparigas a dançar, sem cinto de segurança, no banco de trás de um automóvel! Ambos os anúncios expunham crianças a situações de risco: “hazardous or dangerous situations”( Zelai por nós).

A Dacia acaba de publicar um anúncio com crianças de dez anos a conduzir um automóvel. Exemplo arriscado? O mundo tem pregas. Surpreende. A ideia é simples: até as crianças conseguem conduzir um Dacia. Mas a ideia do anúncio da Rexona, proibido, também era simples: em certas circunstâncias, como, por exemplo, na dança, um desodorizante vem a preceito.

E qual é a ideia deste artigo? Não é, decerto, defender a proibição de qualquer anúncio. A ideia é outra: importa estar atento à dualidade de critérios. É o pão da arbitrariedade, e a arbitrariedade é o vinho do poder.

Marca: Dacia. Título: French Kids Driving Car. Agência: Marcel (Paris). França, Abril 2015.