Os nós da globalização
Global, local, glocal? Comprimido, estável, expandido? Líquido, mole, firme? Próximo, distante? Rápido, lento? Grande, pequeno? O mundo depende das nossas pegadas, das nossas relações, das nossas escalas e dos nossos mapas mentais. “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.” (Protágoras). “O que conta está no interior”, a fazer fé no anúncio da Delsey Paris. Simon, após dar a volta ao mundo, encontra o que persegue, a mala, no ponto de partida. Durante a travessia, cresce-lhe a barba, entrega-se à aventura, restaura a identidade e abraça o amor paterno. Vê-se ao espelho do pai. A passagem de testemunho entre gerações é, frequentemente, pautada pela reincidência: fecha-se um ciclo, abre-se outro. E o mundo continua a girar em torno de si mesmo. Ao jeito do Quino.
Marca: Delsey Paris. Título: What Matters is Inside. Agência: Buzzman. Direcção: Against all odds. França, Abril 2018.
Mundo Quino
A paternidade é um desporto radical
Prometi ignorar a palavra “inverdade”. Não lhe encontro piada. Até que vi o anúncio Fear, do Continente. Um conjunto de inverdades em procissão cerebral. Maneirismos à parte, o anúncio merece um zelo especial.É um sucesso: ganhou o prémio CCP 2017 e, em dois dias, ultrapassou um milhão de visualizações no Youtube. Propõe uma lista de imagens e afirmações relativas ao medo: menospreza o medo na montanha russa, na acrobacia aérea, na aproximação dos tubarões, no funambulismo, face aos monstros, no mar tempestuoso, no abismo… “Medo, medo de verdade [imagem de um pai com o bebé ao colo]… Nothing will ever scare you more; nothing will ever make you happier”. A expressão de medo do pai é concludente: nunca tanto medo proporcionou tamanho consolo. Um consolo nunca visto, nem sequer pelos navegadores portugueses na Ilha dos Amores!
O anúncio suscita várias interpretações. Todas com o rabo de fora. Acode-me, contudo, uma interpretação retorcida, sem rabo por onde se lhe peque: a paternidade é um desporto radical!
Marca: Continente. Título : Fear. Agência : Fuel Lisboa. Direcção: Alexandre Montenegro. Portugal, Maio 2017.
Chove na Natalidade
E a natalidade, senhores? E a natalidade? Não conta? Então… Acham que este Daddy vai contribuir para a sementeira humana? Logo agora que o governo português incentiva a natalidade… Quarenta anos depois de o problema se colocar! Aguardámos que amadurecesse. Agora, está maduro. Portugal teve, em 2013, a taxa bruta de natalidade mais baixa da União Europeia (7,9 ‰). A França adoptou medidas sistemáticas há mais de 30 anos: se o valor da taxa de natalidade não se inverteu, estabilizou, desde os anos noventa, em torno dos 13 ‰. Em 2013, a França (12,3 ‰) tinha, a seguir à Irlanda (15,0 ‰) e à Islândia (13,4 ‰), o terceiro valor mais elevado da União Europeia. Que me recorde, as resoluções francesas eram claras e directas: por exemplo, um prémio ao nascimento e um subsídio mensal durante um período alargado de tempo. A proposta portuguesa aposta num leque variado de medidas: alargamento da licença parental, redução do horário de trabalho, vantagens no IRS, no IMI e no Imposto sobre veículos, ajustamentos na educação e na saúde, compromissos com as autarquias… Oxalá este bombardeamento de partículas funcione! Pelos meus netos. Gostava que um dia nascessem e em Portugal.
Marca: Citroen. Título: Daddy. Agência: Les Gaulois. Direcção: Steve Rogers. França, Junho 2014.




