Como peixes na cruz

Sexta-feira da Paixão, dia fúnebre e sacrificial.
Sou seguidor do blogue Peixinho de Prata, que se propôs partilhar as músicas que mais marcaram os últimos 50 anos Hoje, foi a vez da canção “Hunger of the Pine”, da banda britânica Alt-J. Condiz.
Alt-j são uma banda britânica, formada em 2007 em Leeds, mas cujo primeiro álbum, An Awesome Wave, foi lançado em 2012. O nome verdadeiro da banda é a letra grega delta (Δ), que em Mac se escreve usando os controlos alt-j. Não faço a menor ideia como é que comecei a ouvir isto, se alguém me recomendou, se veio na sequência de gostar de Interpol e Arcade Fire. Todas as hipóteses são válidas, e alguma será verdadeira (…)
Nunca os vi ao vivo, com grande pena minha que adoro concertos, nem nunca foram banda sonora das minhas noites de dança, mas são certamente parte essencial da banda sonora da minha vida adulta. Algumas canções são absolutamente arrebatadoras, e os vídeos são também de excelência. Trago aqui um dos meus favoritos, cheio de significado, mas havia muitos por onde escolher. (50 Anos, 50 Músicas – #14 Hunger of The Pine, Alt-J).




Cada um dos seguintes vídeos lembra-me alguns episódios da história da arte. Por exemplo, os “São Sebastião”, do Guido Reni, “A Escola de Atenas”, do Rafael, os touros, do Pablo Picasso e os autorretratos, da Frida Kahlo.
Não desistas!

As horas e as obras repetem-se. Coloquei este anúncio da Movistar há 10 anos no facebook. Inspirado, encoraja e anima. Sugere que existe um suplemento que nos demove de desistir. Esse suplemento é o Outro! Este anúncio ajuda a subir a corrente. Recoloco-o e volto a recolocá-lo. A repetição não é forçosamente estéril. Na música como na vida.
Nestes dias de recolhimento, aconselho o Dom Quixote de la Mancha. Juntos, Dom Quixote e Sancho Pança configuram um paradigma da humanidade. Separados, duvido!
O contacto, a conexão, entre pessoas capacita, gera sinergia. Torna possível o improvável. Neste anúncio, brilhante, o mundo aproxima-se da figura de um mosaico ou de um puzzle em que as diferentes peças apenas se sobrepõem sem se confundir, mesmo assim o suficiente para completar a acção. As situações e as pessoas interagem de um modo inacabado e imperfeito, mas eficaz. Namoram-se sem se anular, como um beijo de Gustav Klimt. O anúncio multiplica os sinais desta reserva e incompletude. Somos com os outros, conseguimos com os outros, mas não somos os outros, para o bem todos. O ruído preserva a identidade. A unicidade ameaça-a (https://tendimag.com/2017/03/14/com-o-mundo-nas-maos/).
