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Somos emoção

Gran Teatre del Liceu de Barcelona

“O mar não pode enamorar-se. As pedras não podem chorar. O fogo não sabe o que é a paixão. As árvores nunca entenderão o que é a solidão. Os animais não têm remorsos. As flores ignoram o que é a beleza”.

Mas tu sentes emoções. “Só tu consegues viver a ópera”. Vai à ópera.

Um anúncio simples que apanha o nosso imaginário a contramão. Por exemplo, “o fogo não sabe o que é a paixão” ou “as flores ignoram o que é a beleza”. Mas nós sabemos. Inteligente.

Anunciante: Gran Teatre del Liceu de Barcelona. Título: Emociones. Agência: AMV BBDO. Espanha, 2001.

Água do deserto

Sony Bravia. Desert Water. 2019

Os anúncios da Sony são extraordinários. Efeitos visuais fabulosos e uma estética fantástica. No anúncio Desert Water, o som é vedeta. Sai, incluindo a voz de Grace VanderWaal, do próprio ecrã. Uma gota de água avoluma-se, através de um dominó de monitores, até se despenhar numa cascata. O som, portentoso, é imersivo. Tão real como o real!

Da série de anúncios a televisores da Sony, o meu preferido é o Balls, de 2005 (ver https://tendimag.com/2013/11/05/erupcao-de-cores/). Recordo, não obstante, o Strangely Beautiful / Ice bubbles, de 2014.

We soon see the beginning of life, as a single drop of water emerges into the scene through a BRAVIA AG9 TV. The drop turns into a river as the music grows to match its intensity and strength. As the spot leads us through an ever-emotive experience, we witness the river becoming a beautiful waterfall, a climatic finish that lets the viewer be immersed in sound and vision (Innocean).

Marca: Sony. Título: Desert water. Agência: Innocean. Reino Unido, Maio 2019.
Marca: Sony. Título: Strangely Beautiful / Ice Bubbles. Agência: Adam&Eve BBD (London). Direcção: Leila & damien de Blinkk. Reino Unido, 2014.

Demasiado velho para sonhar

Pântano da Peneda. Sem água. Fotografia de Makca. Wililoc

Há notícias funestas que ameaçam as identidades das pessoas e dos lugares. Em má hora alguém se lembrou de minerar o território do Fojo junto ao Parque Nacional da Peneda-Gerês. A causa é a extracção do lítio e outras substâncias. A consequência é a perfuração do Fojo, com explosões e químicos à mistura. É difícil imaginar pior cenário. São lugares que resistiram a desafios de milhões de anos. Sossega-me acreditar que em Portugal se gosta do País. Gostam as pessoas, os animais e até os políticos. Tenho fé que a caravana, como outras, acabará por passar. O Fojo faz parte do “reino maravilhoso” que Miguel Torga pressente quando sobe rumo a Castro Laboreiro. É enorme o que está em risco: o ser, o estar, o sentir e o prazer das fragas, das águas, dos vales, das plantas, dos animais e, naturalmente, dos homens. Homens estúpidos que optam pelo que os prejudica. Que protegem a natureza com palavras e protocolos. O pior é que a minha geração está “demasiado velha para sonhar”.

Marca: Wildlife Conservation Film Festival. Título: Dream. Agência: DDB (New York). Direcção. Estados Unidos, 2016.

Nada daquilo que mostra o anúncio Dream, da WCFF, devia acontecer. E, no entanto, está a chegar ao fim… Junto a canção When I Grow Too Old To Dream, interpretada por Nicki Parrot, com Rossano Sportiello.

Nicki Parrot, com Rossano Sportiello. When I Grow Too Old To Dream @ Arborsjazz. 2011.

Porta do Céu

01. Porta do Céu. China.

Fica longe a Porta do Céu. Do outro lado do planeta. Na China, na montanha Tianmen. Uma cavidade natural por onde, a fazer fé nas fotografias, passam avionetas: 131,5 metros de altura; 57 de largura e 60 de comprimento. O escadório para a Porta do Céu comporta 999 degraus (o escadório do Bom Jesus, em Braga, tem 581). Mais de meia hora de ascensão. Um bom pretexto para recordar a música Stairway To Heaven, dos Led Zeppelin.

Galeria de imagens: A Porta do Céu. China.

Led Zeppelin. Stairway To Heaven. Led Zeppelin IV. 1971.

Beleza audiovisual

Jackson Hole

Ver e ouvir com prazer. Pena não haver nem gosto, nem tacto nem cheiro digitais. O anúncio Stay Wind, da Jackson Hole Travel & Tourism Board, é uma delícia para os olhos. E para os ouvidos. A música é dos Fleet Foxes. Acrescento outra música do mesmo grupo: White Winter Hymnal (2008). E pronto! Acabo de falar em Ponte de Lima e esperam-me em Briteiros (Guimarães).

Marca: Jackson Hole Travel & Tourism Board. Título: Stay Wild. Agência: Colle McVoy. Estados Unidos, Março 2018.

Fleet Foxes. White Winter Hymnal. Fleet Foxes. 2008.

Natureza de bolso

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Perante estes momentos, que dizer? Que são bonitos e imponentes. Pressente-se a mão de Deus. Sentimo-nos infinitamente pequenos. E o rabo do Diabo, O Fausto tecnológico, consegue vislumbrá-lo? Somos suficientemente grandes para enfiar uma paisagem numa patela electrónica. Uma natureza de bolso! Andamos no mundo como quem come azeitonas: mastigamos a aparência e deitamos fora o caroço.

Marca: Apple iPhone. Título: Earth – Shot  on a iPhone. USA, Junho 2017.

Os Indígenas do Paraíso Perdido

Mongólia

Uma bela natureza num belo filme. Todos ansiamos pelo paraíso perdido. Para os lados da Mongólia, existem dois indígenas munidos de instagram para salvaguarda ecológica. Lembram os “embaixadores” das colónias na Grande Exposição do Mundo Português, de 1940, o álbum Tintin no Gongo, o livro A Nação nas malhas da sua identidade, de Luís Cunha, e o filme Os Deuses Devem Estar Loucos. Águas passadas movem moinhos; a nossa atracção pelo genuíno, pelo outro idealizado, também. A figura do indígena guardião da natureza, que com ela quase se confunde, é recorrente na publicidade.

Marca: Crosscall. Título: Nature’s eyes. Agência: Leo Burnett. Direcção: Fabien Ecochard. França, Março 2017.

A Grande Exposição do Mundo Português (1940). Realizador: António Lopes Ribeiro.

Se

Sol

Se é, porventura, a palavra mais preciosa do pensamento humano.

“Quem quiser conhecer por completo a vaidade do homem não tem senão que considerar as causas e os efeitos do amor. A causa é um não sei quê (Corneille) e os efeitos são espantosos. Esse não sei quê, tão pouca coisa que não se pode reconhecê-lo, revolve toda a terra, os príncipes, os exércitos, o mundo inteiro. Se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais curto, toda a face da terra teria mudado (Blaise Pascal, Pensamentos).

E se, em vez do nariz de Cleópatra, fosse o sol a apagar-se? Este anúncio, estreado hoje, propõe um cenário.

Anunciante: Festival El Sol. Título: 8:20. Agência: Publicis España. Direcção: Jérôme Walter. Espanha, Março 2017.

A galope sobre esquis

canon-come-and-see

Há anúncios que sabem esperar. Este é sublime, com imagens magníficas que alternam fragmentos inquietos e paisagens imponentes. Um épico com um cavalo e um paladino sobre esquis. Com a qualidade Canon.

Marca: Canon. Título: Skijoring – Come and see. Agência: JWT London. Direcção: Marcus Soderland. UK, Novembro 2015.

O novo Robinson Crusoe

Robinson Crusoe by Granger. 1744.

Robinson Crusoe by Granger. 1744.

Regressa, Robinson!

Tanto programa de sobrevivência na televisão. Tantos heróis solitários cercados por câmaras de filmar.

Regressa! Cheira árvores, atrai animais, caça peixe, abriga sanguessugas, treme ao relento… Mas com papel higiénico, se faz favor, a nossa irredutibilidade civilizacional.

Um momento de humor e sabedoria feminina com um desfecho inesperado, por sinal escatológico.

Marca: Le Trefle. Título: Wild trip. Agência: Leo Burnett. Direcção: Vincent Lobelle. Internacional, Agosto 2016.