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Rendimentos marginais. The Slow Show

A virtude da errância, de errar perdidamente, reside em poder acertar no imprevisto, acrescentar, por ventura, um pouco de prazer ao prazer. Os Slow Show lembram-me, com ou sem razão, Roger Waters.

The Slow Show. Low (with Hallé Youth Choir). Lust and Learn. 2019
The Slow Show. Dresden. White Water. 2015. Live at Hallé St. Peter’s, Manchester, 2014
The Slow Show. Break Today. Dream Darling. 2016. Live at Haldern Pop Festival, 2015
The Slow Show. Rare Bird. STILL LIFE. 2022
The Slow Show. Blinking. STILL LIFE. 2022

Histórias de Amor

“Por que realizar uma obra, quando é tão belo somente sonhá-la?” (Pier Paolo Pasolini, Decameron, 1970). [Seja! Mas, em matéria de corpos, entre o calor sólido e o fascínio gasoso…]

Continuam a soprar ventos latinos. Desta vez, duas versões em francês de “histórias de um amor”, que não superam os originais hispânicos. Uma do grupo francês French Latino, pela orquestração, a outra da romena Cristina Dascalescu (canta fados portugueses), pelo vídeo.

French Latino. Historia de un amor. Guarda la Esperanza. 2009
Cristina Dascalescu. Histoire d’un amour. Com Maria Filali & Özgür Karahan. 2019

Inteligência Artificial, Machine Learning e composição musical

Pedro Costa, doutorado em Sociologia, investigador do CECS – Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, acaba de publicar o artigo A Inteligência Artificial e Seus Herdeiros no blogue Margens (https://tendimag.com/?p=55533). Um ensaio sobre a Inteligência Artificial, o Machine Learning e o futuro da criatividade, designadamente no que respeita à música. Pertinente, oportuno, bem escrito, fundamentado e criteriosamente ilustrado, trata-se de um texto raro, subtil e ousado. Aproveito para acrescentar quatro vídeos excelentes relativos a outras tantas músicas emblemáticas da relação entre o homem, a máquina e as emoções: The Robots (1978), dos Kraftwerk; Wellcome To The Machine (1975), dos Pink Floyd; All Is Full Of Love (1997), da Bjork; e How Does It Make You Feel (2001), dos Air.

Kraftwerk. The Robots. Die Mensch-Maschine. 1978. Ao vivo na Casa da Música (Porto), 20.04.2015
Pink Floyd. Wellcome To The Machine. Wish You Were Here. 1975 / Animação por Maxime Tiberghien, Sylvain Favre & Maxime Hacquard, 2019
Bjork. All Is Full Of Love. 1997. Vídeo musical realizado por Chris Cunningham, 1999
Air. How Does It Make You Feel. 10 000 Hz Legend. 2001

A Caverna dos Fantasmas de Estimação. The Cinematic Orchestra

Numa poltrona ampla, perto de uma lareira abençoada, pode-se viajar, no inverno, até ao infinito (Hippolyte Laroche)

Há anos que não me expunha assim, tão fora de casa e tão fora de mim. Deixei o mundo penetrar até aos ossos e a expressão soltar-se. Como desfecho, sinto-me massajado, amassado e moído. Surpreendo-me, por drástica que tenha sido a vacina, a desejar o torpor cálido da caverna. Com a visita desta frente nórdica, frio apenas tolero o da música, compassada, suave, minimalista… Etérea!

Por exemplo, a trompete do norueguês Nils Petter Molvær. Ao procurar nos discos, tropecei nos The Cinematic Orchestra. Afins, também servem. Talvez não sejam do agrado de todos, mas não me inibo em partilhar coisas que colidem com o gosto alheio, apenas não partilho aquelas de que não gosto. Acontece colocar música a pensar numa única pessoa, que, porventura, não vejo há uma eternidade e decerto não voltarei a ver. O suficiente. Fantasmas de estimação!

The Cinematic Orchestra – ‘To Build A Home’. Ma Fleur, 2007. Filme Step Up Revolution. 2012.
The Cinematic Orchestra – Arrival of The Birds & Transformation. Crimson Wings – Mystery of the Flamingos. 2008. Interpretado com a London Metropolitan Orchestra
The Cinematic Orchestra – Wait For Now (feat. Tawiah). Wait For Now. To Believe (Remixes), 2020
The Cinematic Orchestra – To Believe (feat. Moses Sumney). To Believe. 2019

Neil Young. Old Man

Mais música, outro “dinossauro”: Neil Young. Resulta estimulante vê-lo a interpretar “Ohio”, com 73 anos, no concerto Farm Aid de 2018. Não menos impressionante a performance a solo, sem qualquer acompanhamento, oito anos antes, no Farm Aid de 2010. Para concluir, um recuo a 1971: “Old man”, ao vivo na BBC, com 26 anos.

Neil Young. Ohio. 1984. Solo Trans. Ao vivo no Farm Aid 2018
Neil Young. Ohio. Solo Trans. 1984. Ao vivo no Farm Aid 2010
Neil Young. Old man. Harvest. 1972. Ao vivo na BBC, em 1971

Zbigniew Preisner

Para ouvir na Casa do Alpendre

Zbigniew Preisner é um compositor célebre pelas suas músicas para filmes, nascido na Polónia, em 1955. Estudou história e filosofia em Cracóvia. Autodidata, nunca seguiu aulas formais de música. Aprendeu escutando e transcrevendo partes de discos de vinil. “Seu estilo de composição representa uma forma distintamente simples de neo-romantismo tonal”. Conquistou o César de Melhor Música Original e o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – Melhor Trilha Sonora Original.

Zbigniew Preisner. Homecoming ( Pour l’amour d’une femme). Preisner’s Music. 1995
Zbigniew Preisner. Decision (Tu ne tueras point). Preisner’s Music. 1995
Zbigniew Preisner. Marionnettes (La double vie de Véronique). Preisner’s Music. 1995
Zbigniew Preisner. Jardin d’été (Secret Garden). Preisner’s Music. 1995
Zbigniew Preisner. Perte ( Eminent domain). Preisner’s Music. 1995

Nunca é tarde

“I’m always making a comeback but nobody ever tells me where I’ve been / Estou sempre a regressar mas nunca ninguém me diz onde estive (Billie Holiday. Lady Sings the Blues, 1956).

Tanta música no Tendências do Imaginário e nenhuma canção da Billie Holiday! Admito que o blogue acusa algum descuido em relação aos anos quarenta e cinquenta. E já começa a ser tarde para começar.

Billie Holiday. Strange Fruit. 1939. Live 1959
Billie Holiday. I’m Fool to Want You, Lady in Satin. 1958
Billie Holiday. For All You Know. Lady in Satin. 1958
Billie Holiday. You’ve Changed. Lady in Satin. 1958

A Ponte dos Suspiros

Ponte dos Suspiros. Veneza

Impressiona a quantidade e a diversidade de discos que adquiri em Paris. Em livros, discos e viagens gastava quase todo o meu salário do Banco Pinto & Sotto Mayor. Somando o convívio emigrante, a universidade e os amores, a pouco mais se resume o currículo entre os 16 e os 23 anos, 1976 e 1982. Resistente à plena integração, nunca resolvi plenamente o regresso a Portugal. Oscilo como o asno de Buridan, atravessado numa “ponte de suspiros”.

Em Veneza. 1978

Jovem, viajava quase sempre só, pouca bagagem, travelers cheques da American Express na carteira e destino mal definido. A ausência de companhia tem uma vantagem: abrimo-nos mais aos outros e os outros abrem-se mais a nós. Em finais de agosto de 1978, terminado o trabalho no banco, parti rumo à Jugoslávia. Veneza era ponto de paragem. Chegado, não consegui hotel. Tudo lotado. Não costumava reservar hotéis. Não sabia os dias de chegada nem de partida. Consoante se proporcionava. Por exemplo, demorara mais tempo do que previsto na Suíça. Retomo caminho rumo a Trieste. Veneza ficaria para o regresso. No comboio, conheci duas jovens. Convidaram-me a pernoitar em Portogruaro, a umas dezenas de km de Veneza. Decorria um festival jazz. Deixei-me hospedar durante quase duas semanas. Conheci Veneza como poucos. Uma das jovens, professora de biologia, foi uma excelente guia. Prossegui para a Jugoslávia, com duas semanas de atraso. Regressei a Paris no fim de outubro, tinham começado as aulas há quase um mês. Assim era naquele tempo.

Hoje, deparei com o LP Bridge of Sighs, estreado em 1974. Guitarra potente, desenvolta e expressiva, com remanescências de Jimi Hendrix, interpretada por um antigo membro dos Procol Harum: Robin Trower. Viro o disco e toca outra música, talvez apenas apreciada por alguns amigos, os nostálgicos dos anos setenta.

Ao ver o Robin Trower, com 76 anos, a tocar com tanta agilidade, apetece retomar a aprendizagem adolescente da guitarra. Tenho a Fender Stratocaster do meu filho, basta comprar uma acústica. Só preciso de um mestre. Infelizmente, o primeiro, o John, está demasiado longe, no Canadá (ver https://www.youtube.com/watch?v=xH6EaTuavJk e https://www.youtube.com/watch?v=W0qsuGpJHqI).

Robin Trower. Bridge of Sighs. Bridge of Sighs. 1974. Ao vivo: Tops of the Pops BBC, 1974.
Robin Trower. Daydream. Twice Removed from Yesterday. 1973. Ao vivo, 2013.
Robin Trower. Birdsong (Official Video). No More Worlds to Conquer. 2022

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço (início da homenagem)

Vários amigos não puderam assistir à homenagem no 29 de Novembro. Gostariam de ter uma ideia. Colocaremos, sucessivamente, alguns momentos. Por agora, seguem dois vídeos com o Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço. O primeiro com as danças do início e o segundo, impressionante pela resistência e leveza, da segunda parte, a final. Melgaço é um território envelhecido que veio perdendo população. Não obstante é um território vivo onde as diferentes gerações se empenham em dar o braço. Melgaço tem muitos embaixadores. O Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço destaca-se como um deles.

Homenagem ao Prof. Albertino Gonçalves. Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço (1ª parte) e receção pela direção do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, 29.11.2022

Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo.

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço. Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. 29 de novembro de 2022. Fonte: Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço.

Cinco Zero 7

Após uma semana complicada muito fica por fazer. Mas apetece-me ouvir música: muita, sedosa, original e rara. A exposição Vertigens do Barroco, no mosteiro de Tibães, em 2007, incluía dois ecrãs: um grande, com anúncios, na “sala das emoções confortáveis”, e outro, maior, com vídeos musicais, um dos quais pertencia aos Zero 7 (Futures, 2006). Se não conhece este grupo britânico, invejo-lhe o prazer da descoberta..

Zero 7 (com Martha Tilston). Pop Art Blue. Yeah Ghost. 2009
Zero 7 (com Jem Cooke). Swimmers. Swimmers. 2019
Zero 7 (com Sophie Barker). In The Waiting Lines. Simple Things Special Edition. 2001
Zero 7 (com Sia). Somersault. When It Falls. 2004
Zero 7 (com Jose Gonzalez). Futures. The Garden. 2006