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Os Valores da UNESCO no Contexto Local

Na próxima sexta-feira, 4 de julho, participo no painel “Histórias Contadas. Memórias Guardadas” do encontro Os Valores da UNESCO no Contexto Local (Uma década de Clube para a UNESCO), na Casa do Tempo, em Cabeceiras de Basto.

Procurarei ilustrar, mais do que teorizar, com excertos de entrevistas filmadas, a importância dos testemunhos de vida para as ciências sociais e para a sociedade.

Programa do Encontro Os Valores da UNESCO no Contexto Local. Casa do Tempo. Cabeceiras de Basto, 4 julho 2025

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Mercedes Sosa – El tiempo vuelve. Cover de Pablo Milanés (Años. No me pidas, 1978

Extravagâncias surrealistas da idade avançada

Ao Moisés

“É preciso chegar a velho de boa hora para permanecer velho mais tempo” (atribuído a Catão, o Velho, 234 – 149 a.C.; provérbio milenar bastante atual)

André Masson. Don Quixote and the Chariot of Death. 1935. The Cleveland Museum of Art

“65 anos de estar vivo”! Que quereis que vos diga? Está-me a saber bem a velhice! Mais do que as quatro décadas de atividade profissional e a meia dúzia de anos tóxicos que a antecedeu. Enquanto for possível, houver “saúde, dinheiro e amor” suficientes, entregar-me-ei ao que quero e não ao que os outros requerem. A velhice, além dos netos, tem proveitos e potencialidades apreciáveis. Mais árvore que ruína, encaro-a como um tempo, uma oportunidade, de libertação e esperança. Quem diria?! Efeitos do sol de Moledo, provavelmente…

Afeiçoo-me à velhice tal como adotei a morte como interlocutora (ando a adiar desde 2017 a edição do livro A morte na arte, porventura, para não terminar o namoro). Assim, escutar músicas dedicadas ao envelhecimento releva menos do exorcismo ou da lamentação e mais do encanto ou da celebração. Obtuso? Talvez se assevere um sentimento mais partilhado do que se pressupõe.

Octavio Ocampo. Visions of Quixote. 1989

De qualquer modo, esta espécie de “proclamação” traduz um estado de alma prenhe de visões quixotescas acalentadas por um aniversariante mimado… Não sendo a vida constante, outros seguirão. Tão certo como, agora, estas cinco velhas e belas canções castelhanas.

Violeta Parra – Volver a los 17. De 1962. Las últimas composiciones, 1966
Fagner (c/ Mercedes Sosa)  – Años. Traduzir-se. 1981
Piero – Mi Viejo. Mi Viejo, 1969
 Inés Cuello y Quinteto Leopoldo Federico – Volver (de Carlos Gardel). Segundo Festival Internacional de Tango del Teatro Colsubsidio (Bogotá), 2024
María Cristina Plata – Caballo viejo (de Simón Díaz). ANCIENNE POSTE des Planches, Montreux, setembro 2018

Turismo mágico e radical

O anúncio 5 places, do Ministério do Turismo da Argentina, mostra-nos as férias que provavelmente não tivemos. De desejo em desejo, um casal salta de ambiente em ambiente: mar, montanha, estuário, deserto, lagoa. Com paixão, risco, aventura e contacto com a natureza. Este anúncio combina componentes que anúncios congéneres tendem a negligenciar: narrativa, magia, humor, amor e sintonia com o público- alvo (jovens adultos radicais, presume-se). Falha, talvez, a música. Onde está a magnífica música argentina? Pense-se, por exemplo, em Astor Piazzolla ou Mercedes Sosa.

Marca: Argentina Ministry of Tourism. Título: 5 places. Agência: La Comunidad Buenos Aires. Direcção: Luisa Kracht. Argentina, Fevereiro 2017.

Astor Piazzola. Oblivion. 1982.

Mercedes Sosa. Sólo le pido a Dios. Live in Argentinien. 1982.