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Desejo

Giorgio Armani.

Desejo e leveza. Cor e movimento. A atriz Cate Blanchett, vencedora de um óscar. Um cover de klaus Nomi. Um anúncio que é um regalo.

Marca: Giorgio Armani. Título: Sì. Direcção: Fleur Fortuné. Janeiro 2019.
Klaus Nomi. You don´t own me. Klaus Nomi. 1981.

Crónica do subterrâneo

Klaus Nomi.

O mundo tem altos e baixos, cumes e subterrâneos. Deixei-me sentar na cave. Pouca luz, pouco ruído, pouca humanidade, alguma ressonância do ego. Há quem afirme que o mal se combate com o mal, homeopaticamente. Se alguém estiver a afundar-se nada melhor do que lhe colocar uma pedra em cima. As músicas de Klaus Nomi são boa companhia para uma passagem pelo subterrâneo. Gosto do Klaus Nomi, um artista com um excedente de originalidade: cultura, voz e presença notáveis. Foi uma das primeiras vítimas da sida, em 1983. Sinto-lhe a falta. Sinto, também, que estou a sair da cave. Acima dos pés, o humor passou os joelhos rumo à barriga.

Klaus Nomi. The twist. 1981. Klaus Nomi. 1981.
Klaus Nomi. Keys of life. 1981. Klaus Nomi. 1981.
Klaus Nomi. Wayward sisters. Simple man. 1982.

Apologia

Somewhere Over the Rainbow #PrideMatters Pride in London 2018.

A autopromoção está no vento. Multiplicam-se as alavancas de pessoas e categorias sociais, nos mais diversos domínios: marketing, publicidade, comunicação, religião, política, arte, ciência, moda, desporto, género… Ao contrário dos vasos comunicantes, na sociedade, a exaltação de si tende a deprimir o outro. Acontece, por exemplo, nos anúncios publicitários. O mundo gira aos saltos e em bicos de pés. O anúncio Somewhere Over the Rainbow, da Pride of London, está bem feito. Exprime uma força tranquila. A presença do outro, maioritariamente disfórica, é reduzida ao mínimo. Desprende-se, porém, a impressão de que os LGBT se compreendem, sobretudo, entre si. Duvido que seja verdade. Duvido, também, que seja uma estratégia de sensibilização interessante. Será o isolamento um reforço da comunicação?

Junto o vídeo, de rara qualidade, com Klaus Nomi a interpretar, em 1981, a Cold Song de Henry Purcell (King Arthur, 1691).

Anunciante: Pride of London. Título: Somewhere over the rainbow. Agência: BMB. Direcção: Billy Boyd Cape. Reino Unido, Julho 2018.
Klaus Nomi interpreta, em 1981, a Cold Song, de Henry Purcell.

Sinais do tempo 2. De estigma a emblema

Aplle

Marca: Apple. Título: First dance. Agência: TBWA Sydney. Austrália, Fevereiro 2018.

Rufus Wainwright. Oh What a World. Want One. 2003.

Klaus Nomi. You Don’t Own Me. Klaus Nomi. 1981.

Chaves da vida

AIDS. Donnez l'Amour. 2017.

“Durante o ano 2015 foram diagnosticados em Portugal 990 novos casos de infeção por VIH (…) Foram notificados ao Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge 192 óbitos ocorridos em 2015, em pessoas com infeção por VIH” (Infeção VIH/SIDA: a situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2015, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP, Nov. 2016)

Há sinais de que, na Europa, a preocupação com a prevenção da sida está a recrudescer. Ressurge, por exemplo, a publicidade de sensibilização. O anúncio francês Donnez l’Amour, da AIDES, é um exemplo. Sóbrio e elegante.

Não me ocorre doença que tenha suscitado tantos anúncios publicitários como a sida. Alguns são excelentes. Por exemplo, o Tectonique Mortelle, da Sidaction, de 2002.

Klaus Nomi morreu em 1983 vítima da sida. Cantor de culto, continua a ser homenageado. Acrescento um vídeo com a canção Keys of Life, acompanhada por imagens da performance “Klaus Nomi – Angel of Suburbia”, por Sven Henriksen, em Oslo, Noruega, em 2011. O artigo Desrazão inclui duas canções de Klaus Nomi: Total Eclipse e The Cold Song.

Anunciante: AIDES. Título: Donnez l’Amour. Agência: TBWAParis. França, Novembro 2017.

Anunciante: Sidaction. Título: Tectonique Mortelle. Agência: Euro RSCG Corporate. França, 2002.

Klaus Nomi. Keys of Life. Klaus Nomi. 1981. Imagens da performance “Klaus Nomi – Angel of Suburbia”, por Sven Henriksen, em Oslo, Noruega, 2011.

Sou como sou, agrado a quem agrado

Klaus Nomi Anjo

O anúncio #yourrules, da House of Fraser, é uma dança de resistência coreografada por Parris Goebel. É, no entanto, a música, You Don’t Own Me, interpretada por Grace, que mais agita os neurónios. A canção original, de Leslie Gore (1964), foi retomada por vários cantores entre os quais Klaus Nomi (1981).

Para visualizar, carregar na imagem ou no seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=4wwWEzwJ6Ps:
House of fraserMarca: House of Fraser. Título: #yourrules. Agência: 18 Feet & Rising. Reino Unido, Novembro 2015.

Para visionar, carregar na imagem ou no seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=d-Yrg9xNSS0

KLAUS NOMI & JOEY ARIASKlaus Nomi. You Don’t Own Me. 1981

Desrazão

klaus Nomi. Uma das primeiras vítimas da sida

klaus Nomi. Uma das primeiras vítimas da sida

Le sida parle! Como Deus aos argentinos (Bendita bola). A sida, a epidemia mais mediática de sempre, é universal e imprevisível. Toca a todos, sem avisar. Como o beijo da morte. Depois de tanto alarido, o silêncio. Mas a magia tem limites. Não é porque a ignoramos que a sida desaparece. Je suis là! Nous sommes là, se calhar, menos prevenidos do que há alguns anos atrás. Um anúncio oportuno, que inspira a seguinte pergunta: quais são os critérios e os enredos da publicidade de sensibilização? O que justifica o apagão em torno dos riscos da sida? O que justifica, em contrapartida, que num único maço de cigarros se repitam dois anúncios de morte: de um lado, “Fumar mata” e, do outro, “Os fumadores morrem prematuramente”? Uns andam sobreavisados, os outros andam como andam. “ Morra Marta, morra farta”! Desrazoável. Estas linhas trazem-me à memória o cantor Klaus Nomi (1944-1983), uma das primeiras vítimas da sida. Seguem duas interpretações ao vivo. A primeira, Total Eclipse, foi retomada por vários grupos e cantores; a segunda, The Cold Song, a partir de King Arthur, de Purcell, é uma obra-prima, comovedora, tanto mais que nesta interpretação, em Dezembro de 1982, em Munique, Klaus Nomi já se sabia infectado pelo vírus da sida. Faleceu poucos meses depois, em Agosto de 1983. Sinto a falta de pessoas como o Klaus Nomi. Aparadores de relva há muitos.

Anunciante: AIDES. Título: Je suis là. Agência: WNP. França, Junho 2015.

Klaus Nomi. Total Eclipse. 1981.

Klaus Nomi. The Cold Song. Munique. 1982.

Voz extrema

Klaus Nomi. PosthumousHá vozes que impressionam. Tendem para o limite. Lisa Gerrard, australiana, contralto, membro dos Dead Can Dance. Klaus Nomi, contra-tenor alemão, vítima da sida em 1983, exímio a combinar o trágico e o grotesco. Ambos tendem para o limite, mas em sentido contrário. Fantásticos!

Lisa Gerrard / Dead Can Dance. Sanvean. Toward the Within. 1994.

Klaus Nomi. Der Nussbaum. Ses 20 plus belles chansons.1994.