O Beijo
Já se sentia a falta de um anúncio argentino.
O beijo consiste numa junção de orifícios com troca de saliva. Um risco de transmissão de doenças. Uma libertação de energia por fricção que não contribui para o PIB, nem paga impostos. Inscreve-se a contracorrente de tudo quanto é regra civilizacional de bem ser, de bem estar e de bem fazer. Prazeroso, mas arriscado e inútil. Nem sequer garante a ignição da reprodução da espécie. O beijo que se cuide, a depuração espreita. Depois dos apitos de fumo, das ingestões espirituosas, dos músculos moles e da vigília do ecrã, a vez do beijo está a chegar. A dupla ventosa humana vai ser, política, científica e tecnicamente, ajustada, graças a uma chuva de medidas: o beijo só é permitido a um mínimo de 20 cm de distância entre entidades beijadoras; o beijo é proibido nos locais frequentados… E cartazes com o lema: “Fumar aumenta a saliva”. E nos guardanapos: “Se é beijador compulsivo, o seu médico pode ajudar”.
Ainda bem que, a fazer fé neste anúncio, o beijo resiste a tudo!
Marca: Topline. Título: Kiss. Agência: Del Campo Nazca Saatchi & Saatchi. Direção: GUARNA. Argentina, 2009.

