Poesia audiovisual
De poesia em poesia: da “política” de Léo Ferré para a “comercial” da Sony, declamada por Leonard Cohen.
Expoentes de glicodoçura

O beijo do spaghetti providencial do filme “A Dama e o Vagabundo”, da Disney, ou os “beijos eternos” dos encontros no cais do anúncio ao chocolate Milka (Frigor), do Xavier Mairesse, representam instantes emblemáticos, um punctum, de glicodoçura. Por seu turno, canções como “Avalon”, “More Than This” e “Jealous Guy” , da banda glamour rock Roxy Music, aproximam-se do cúmulo.
Imagem: A Dama e o Vagabundo em Noite Estrelada
A Bela Adormecida. À procura de novas versões

“Grã-Bretanha: Uma advogada quer proibir a Bela Adormecida porque “o beijo não é consentido”. Feministas e pedagogas suíças apoiam-na” (https://lesobservateurs.ch/2017/11/29/grande-bretagne-une-avocate-veut-interdire-la-belle-au-bois-dormant-car-le-baiser-nest-pas-consenti-des-feministes-et-pedagogues-suisses-la-soutiennent/).
Por que não substituir o macho pela máquina?
Outros beijos

Outros beijos, outros géneros. Beijos com história, beijos com arte, numa chuva de beijos emblemáticos. Outros beijos, outros géneros, beijos humanos. Belas imagens, boa música.
Beijos
O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável (Fernando Namora).

O título do anúncio da Nettflix é L’Amour. C’est Tout. O amor é tudo, para todos, sem apropriação, nem discriminação positiva ou negativa. Não é? A canção La Vie en Rose é uma escolha acertada.
O último beijo
O contacto da morte com as vítimas oscila entre, por um lado, o assédio e a violência (Figuras 1 e 4) e, por outro, a sedução e a volúpia (Figuras 2, 3, 5 e 6). A morte ceifa, trespassa com flechas e lanças, persegue e agarra os ainda vivos. Mas também acontece beijá-los com atrevimento e sensualidade (Figura 3). Para não variar, a copresença de Tanatos e Eros. A morte namora a vida que se despede.

03. Niklaus Manuel Deutsch. A donzela e a morte. 1517.

04. Hans Baldung Grien. 1518-20 Death and the Maiden.

05. Hans Baldung Grien. 1518-20 Death and the Maiden.

06. Edvard Munch. Death and the Maiden (1883-4)
Festa batráquia
Para o Halloween, enquanto as bruxas e os zombies não chegam, recomendo a curta-metragem Garden Party. Fabulosa! Com sapos, animais associados ao mal, à morte e à bruxaria. O vídeo é longo (7 minutos) e lento. Mas tem uma estética e uma narrativa prodigiosas. O desfecho, cirurgicamente anunciado, é surpreendente. Trata-se de uma curta-metragem mega premiada: cerca de 30 prémios. Imagino quanto os autores se divertiram durante a produção.
Garden Party. Direcção: Florian Babikian; Vincent Bayoux; Victor Caire; Théophile Dufresne; Gabriel Grapperon; Lucas Navarro. MOPA, 2016.
Os sapos não são apenas criaturas do mal, são também beijoqueiros. No anúncio Water Frog, da Vitamin, um sapo anda à procura da princesa, mas não lhe serve uma qualquer, deve beber Vitaminwater Zero Glow. Para aceder ao anúncio, carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.culturepub.fr/videos/vitaminwater-frog/.
Marca: Vitaminwater. Título: Frog. Agência: CP+B. Direcção: Bryan Buckley. USA, 2011.
O rapto de Europa
O Dia Internacional do Beijo já passou, mas ainda há remanescências. Naquele tempo, Zeus, transformado num touro, raptou a princesa fenícia Europa, levando-a para Creta. Tiveram três filhos, um dos quais Minos, rei de Creta associado ao Minotauro e ao labirinto de Dédalo. Mas Minos era, como diriam os franceses, minable (deplorável). O beijo deste anúncio não é minable, é, em francês, interminable. Até que o euro os separe.
Marca: Topline. Título: Kiss. Agência: Del Campo Nazca Saatchi & Saatchi. Direcção: Guarna. Argentina, 2009.
Kitsch
Quando se fica sem palavras é sinal que nunca tal tínhamos concebido. Pensamento virgem. Depois dos abraços da Idade Média, segue um beijo contemporâneo com sabor brasileiro.
Às vezes, por esta ou por aquela palha, apetece ser um pouco Kitsch. Lembrei-me de uma canção portuguesa dos anos cinquenta ou sessenta, de Artur Ribeiro. A letra começa assim: “Um beijo não custa nada, não custa nada / Dê-me um, que eu não digo nada, eu não digo nada / É só encostar sua boca à minha / Por fim, limpa-se o bâton, nada se adivinha”. Curiosamente, não encontrei esta canção na Internet. É mais fácil encontrar uma rosa em Marte do que muitas obras de cultura portuguesa na Internet! Para me resgatar do Kitsch e da crítica, acrescento um excerto do filme Casablanca com A Kiss is Just a Kiss (As Time goes by).
Marca: Gross Mocinho. Título: The Flavor of Old Times. Agência: Guts and Films, Porto Alegre. Brasil, Abril 2015.
“As Time Goes By” – Casablanca – The Original Sam (Dooley Wilson) song.
A incomensurável leveza do beijo
Um amigo enviou-me este anúncio da Lacoste. A agência BETC tem destas coisas: um beijo à Matrix, capaz de rivalizar com o Shrek e a Fiona. Um beijo que vence o abismo, mais rápido e mais potente do que um teleférico ou um helicóptero. Ao mínimo toque, levitamos.
Marca: Lacoste. Título: The Big Leap. Agência: BETC, France. Direcção: Seb Edwards. França, Fevereiro 2014.




