Natureza, Luz e Beleza


Há mais estrelas no céu do que aquelas que conseguimos enxergar. Com uma câmara apropriada, bastante paciência e alguma técnica, o João e o Fernando conseguiram obter esta fotografia do céu da praia Moledo do Minho, na noite 21 de julho de 2026.
Existem também mais estrelinhas na terra do que aquelas que conseguimos abraçar. Com abertura e algum sentido de orientação, encontrei a música da adorável cantora, mult-instrumentista e compositora de origem irlandesa Ajeet.
Imagem: A defumar estrelas
Ajeet é uma artista de world music que entrelaça inspirações que vão do folclore tradicional irlandês a paisagens sonoras místicas e meditativas. A banda reúne músicos da Espanha, da Irlanda e dos Estados Unidos para oferecer uma experiência musical que transcende fronteiras e conduz os ouvintes a uma jornada através da canção. Harmonias sublimes e letras poéticas unem-se à harpa, à percussão africana e latina, ao violão e a instrumentos irlandeses, criando um intercâmbio musical profundamente enraizado na melodia e na textura sonora (…) Com obras que alcançaram o primeiro lugar na parada de World Music do iTunes e o Top 10 da parada New Age da Billboard, a música de Ajeet continua a ser abraçada por comunidades ao redor do mundo. (https://www.youtube.com/@Ajeetmusic/about; consulta em 23.07.2026)

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Bónus do dia:
Chuva, ruído e beleza

A chuva e as obras na casa ao lado não dão descanso. Marteladas, furos, charcos e pingos… Nem sequer a boa música os faz esquecer. Já encomendei uns headphones com cancelamento de ruído. Vale, entretanto, a beleza. Por sinal, com lentes novas!
Gosto bstante da cabtora irlandesa Imelda May. De tudo: rosto, penteado, corpo, apresentação, estilo, música, voz e interpretação.
Extravagância
Está a chegar a hora de deitar. O álbum O’Stravaganza – Vivaldi in Ireland é um bom preâmbulo. Publicado pelo músico francês Hughes de Courson, em 2001, é todo ele uma pérola. Segue a canção “Berceuse de Grinne pour Diamait”.
Música refrescante
Em Melgaço, estava um calor insuportável. No regresso a Braga, ainda foi pior: vinte minutos a torrar para percorrer 1 km. Em casa, apeteceu arejar. As janelas não bastavam. Recostei-me, imaginei-me na Irlanda enquanto ouvia as bandas sonoras de três filmes dos anos oitenta, todas compostas por Mark Knopfler. Segue uma amostra.
Incomparável. Sinéad O’Connor
Tenho o hábito, por vezes disfórico, de acompanhar a carreira dos artistas que, a um dado momento, me surpreenderam e marcaram. Sinéad O’Connor compunha músicas e tinha uma voz de sonho; contudo, desde a infância, a sua vida, instável e atribulada, frisou frequentemente o pesadelo. Foi encontrada morta em 26 de julho de 2023 na sua residência em Londres, com 56 anos de idade, devido a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica).
Seguem cinco canções da Sinéad: Drink Before the War (1987); Feel So Different (1990); The Last Day of Our Acquaintance (1990); Something Beautiful (2007); e, por último, Nothing Compares 2 You (1990).
Na tua cabeça

Quand on est couronné,
On a toujours le nez bien fait ( Charles Perrault, Les souhaits ridicules. Contes de ma Mère l’Oye (1697).
A Samsung (Galaxy) aprecia pescoços altos. Gosta, também, de penas e de pelos fofos. No anúncio O Voo do Avestruz, de 2017, um avestruz consegue voar graças à realidade aumentada (ver https://tendimag.com/2017/04/04/o-voo-do-avestruz/ ). No anúncio recente Alpaca, as alpacas, tosquiadas, estilizadas e coloridas pela mão da moda, conquistam as passerelles e andam nas cabeças do mundo.
El encuentro casual de una mujer con las hermosas (y ciertamente tontas) criaturas durante un viaje a Sudamérica le inspira una decisión precipitada. De esta manera se empieza a producir una extraña combinación de moda, arte y cría de animales, dando como resultado un fenómeno global.
Para permitir su visión creativa, esta artista emprendedora utiliza todas las funciones convenientes de su teléfono y su stylus: tomar fotos, grabar videos, dibujar maquetas y crear un plan de negocios (Adlatina, https://www.adlatina.com/publicidad/para-ver:-bbh-nueva-york-y-samsung-pasaron-de-los-avestruces-a-las-alpacas-sudamericanas).
Voar é a nossa ambição; uma coroa na cabeça, a nossa perdição. Dois anúncios da Samsung, dois delírios, duas palmas de ouro do Tendências do Imaginário. Um bom pretexto para recordar a música Zombie, dos Cranberries. Because it’s in your head.
A aranha e a mosca

MM-ART
Fala-se pouco das sociedades secretas, mas existem. Com proveniências e poderes diversos, as sociedades secretas conjugam efeito e proveito. Garantes da desigualdade, os seus membros dispõem de recursos que os outros concidadãos nem sonham. São redes de dependência pessoal seletivamente performativas, mais invisíveis do que as teias de aranha: “um certo modo de processamento da desigualdade” (Balandier, Georges, “Les relations de dépendance personnelle”, Cahiers d’Études Africaines, Année 1969, 35, pp. 345-349). Dan Brown dedicou-lhes vários livros. Por seu turno, a McDonnells dedica-lhes um anúncio: Chippus Currius. Entretanto, enredamo-nos como moscas tontas.
Marca: McDonnells. Título: Chippus Currius. Agência: Boys + Girls. Direcção: Chris Cottam. Irlanda, Setembro 2018.
O Tendências do Imaginário não tem nenhuma canção dos Les Compagnons de la Chanson. Uma falha.Ainda se vai a tempo. La Mouche não é um dos seus maiores sucessos, mas tem a virtude de falar, com bom humor, da nossa relação com as moscas.
Les Compagnons de la Chanson. La Mouche. Live à l’Olympia. 1983.
Elogio da lentidão

Caracóis brincam às escondidas.
Sou apóstolo da lentidão. Nada como pescar memórias num lago pasmado. Mas há quem sulque as águas a remar sem barco rumo ao futuro. Com tanta velocidade que as memórias ficam para trás.
Indiferença, preguiça e entorpecimento, eis a trilogia da lentidão. Tem discípulos na música. Por exemplo, os Deep Purple (Lazy, 1972) ou Georges Moustaki (Le Droit à La Paresse, 1974). Escolho, porém, o irlandês Bob Geldof, promotor dos Band Aid, do Live Aid e do Live 8. Assumiu o papel de Pink, na canção Confortably Numb, no filme The Wall, dos Pink Floyd. Seguem três vídeos musicais: dois a solo (The Great Song of Indifference e I don’t like Mondays) e um terceiro com David Gilmour (Confortably Numb, ao vivo em 2002).
Bob Geldof.The Great Song of Indifference. The Vegetarians of Love. 1990.
Bob Geldof, com os Bootown Rats. I don’t like Mondays. The Fine Art of Surfing. 1979
David Gilmour feat Bob Geldof. Confortably Numb.The Meltdown Concert. 2002.

