Pela diversidade, pela paz
Hesite um instante, por favor! Saia dessa corrente que o absorve! Deixe de se ofuscar pelo sol e preste alguma atenção ao que permanece na sombra. Ao contrário do que pensa, pouco terá a perder. Talvez não tenha consciência, mas andamos enrolados por maus caminhos.

Se não ouviu falar em Ofra Haza (1957-2000), aproveite a oportunidade. Conhecida como a “Madona do Médio Oriente”, descende de uma família de imigrantes iemenitas em Israel. Nasceu em Telavive em 1957 e faleceu, perto, em Ramat Gan, em 2000, com 43 anos, vítima, segundo consta, do vírus da sida. Única, a sua voz mezzo-soprano é prodigiosa.
Ofra Haza

A postura e as canções são reconhecidamente ecuménicas e interculturais. O LP, a meu ver um dos mais emblemáticos da sua carreita, Shirey Teyman (Yemenite Songs/Fifty Gates of Wisdom), de 1984, com letras em hebraico, árabe e aramaico, assume-se como uma homenagem às suas raízes iemenitas. Esta inspiração múltipla, aparentemente insólita, resulta excecionalmente bem conseguida.
Picasso. Le Bouquet de la Paix. 1958
Em 1994, foi a cantora convidada para a cerimónia de atribuição do Prémio Nobel da Paz a Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat.
Convém recordar que nós portugueses, pelo menos no que respeita à tradição musical, de sefarditas e mouriscos, quase todos temos um pouco. Abramos os ouvidos e o coração. Os tempos que correm assim o exigem.
Seguem as canções Kaddish, uma prece em memória dos entes falecidos, e Yerushalaim Shel Zahav (Jerusalem of Gold), ao vivo na sua última atuação em vida.
Entrevista de Maria Beatriz Rocha -Trindade ao LusoJornal (04/01/2024)
Para unir é preciso amar, para amar é preciso conhecer-se, para se conhecer é preciso ir ao encontro do outro. (Cardinal Mercier)
Cumpre-me a honra e o prazer de participar na apresentação do livro mais recente da Maria Beatriz Rocha Trindade, Em Torno da Mobilidade – Provérbios, Expressões Idiomática, Frases Consagradas (editora almaletra, 2023), sexta, dia 12, às 18:30, na Livraria Centésima Página, em Braga, e sábado, dia 13, às 11 horas, no Salão Nobre da Câmara de Melgaço, durante a homenagem que o município lhe vai dedicar.
Sei que não parece, mas costumo preparar-me, bem ou mal, para este tipo de exposição. Neste caso, com particular empenho: a Maria Beatriz Rocha-Trindade é uma das minhas principais, por sinal raras, referências da sociologia portuguesa, como cientista e como pessoa. Neste exercício, deparei com uma entrevista dada ontem, dia 4 de janeiro, ao LusoJornal. Uma hora, nem mais nem menos, de uma “conversa solta” deveras interessante.
Permito-me chamar a atenção para os minutos 46 e seguintes em que Maria Beatriz Rocha-Trindade sustenta que, em Portugal, o único museu da emigração “que realmente existe é o de Melgaço (…) acho que esse é realmente o que existe “, precisando que outros municípios manifestaram a intenção ou estão a desenvolver o projeto, tais como Fafe, Matosinhos, Sabugal, Vilar Formosos ou Fundão, mas, até ao presente, só Melgaço conseguiu dar esse passo. Há mais de 15 anos.
