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Perdidamente

Trovante.

A um morto nada se recusa? Depende. Depende do vento. A língua portuguesa é exímia em exprimir a dor. Pede sábios e poetas. Segue um poema de Mário de Sá-Carneiro (1916) e um poema de Florbela Espanca (publicado em 1931), ambos musicados e interpretados pelos Trovante.

Trovante. Fim (Quando eu morrer). Terra Firme. 1987.
Trovante. Perdidamente. Terra Fria. 1987.

Dobras de sofrimento

Mourning women in the tomb of Vizier Ramose, Amarna period. Photo VB

01. Mourning women in the tomb of Vizier Ramose, Amarna period. Photo VB.

Existem várias formas de lamentar a morte. Desde a encenação dramática da dor (Figura 1) até ao recolhimento íntimo do sofrimento. Nas figuras 2 a 7, o manto e o véu cobrem quase todo o corpo, incluindo o rosto. Mas se ocultam a dor, também a manifestam. A intensidade do sofrimento imprime-se, precisamente, nas dobras, nas muitas dobras, dos mantos e dos véus. Configuram uma espécie de sismógrafos da agonia. Antes de Bernini, no túmulo de Filipe o Audaz, e depois de Bernini, nas esculturas dos cemitérios europeus, os mantos choram por si.

 

 

Uma dor que não dorme

Para a Berta

David Vela. Fibromialgia.

David Vela. Fibromialgia.

A fibromialgia é uma doença associada a dores persistentes que desgastam a vida das pessoas. A passo de tartaruga, os organismos oficiais têm vindo a reconhecê-la. Espero que a ciência e a medicina, pejadas de sucessos, esbocem também alguns progressos ao nível desta doença tão carente de cuidado e acompanhamento. Não são rosas, Senhor! São espinhos…

Pedagogia de choque

Este pequeno anúncio é um grande desafio. Será que remete para a física do judo? Quando o judoca cai bate com o braço no chão com o objetivo de aumentar a área de impacto e diminuir a sensação de dor. Não parece! Pensando bem é uma nova pedagogia de choque, daquelas que aumentam os resultados e diminuem os custos.

Marca: Saridon. Título: Pound. Agência: BBDO Guerrero. Filipinas, Junho 2012. Leão de Bronze em Cannes.