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Vierge à l’Enfant, Nostre Dame de Grasse. Séc. XV. Ca. 1460-1480. Museu dos Agostinhos. Toulouse. Em muitas imagens, a Virgem pressente, melancólica, que o Filho lhe vai escapar, que O vai perder. Mas nada pode fazer para o impedir. Se, por vezes, esboça um gesto, logo o refreia. Aceitou desde a Anunciação, com humildade de serva bem-aventurada (Magnificat), o desígnio, o fado, que comportava a espada que, segundo o profeta Simeão, a trespassaria.

Quero cada vez mais a aprender a ver como belo tudo aquilo que é necessário nas coisas: – Assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas: Amor fati [amor ao destino] (Nietzsche, A Gaia Ciência, Companhia das Letras, 2009, p. 187)

A minha fórmula para a grandeza do homem é amor fati: nada pretender ter de diferente, nada para a frente, nada para trás, nada por toda a eternidade. O necessário não é apenas para se suportar, menos ainda para se ocultar (…) mas para o amar (Nietzsche, Ecce Homo, Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2008, p. 42).

Existem momentos em que me acode Nietzche. O 2º movimento, largo, da Sinfonia do Novo Mundo, do Dvorak, recordou-me o seu princípio de afirmação da existência, que consiste em abraçar o destino, dizer sim à vida, mesmo na doença, no sofrimento e na solidão. Fazer da própria fragilidade e dos obstáculos força e vontade, parte desafiante do caminho. Destarte, a dor e o lamento tornam-se serenidade e entrega.

Antonín Dvořák – Sinfonia Nº 9, “Do Novo Mundo” – II – Largo. Wiener Philharmoniker, Herbert von Karajan, 1985