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O bigode no Dia Internacional do Homem

No dia 19 de Novembro, comemorou-se o Dia Internacional do Homem. Tal como nos últimos vinte anos, não dei pela ocorrência. Nem sabia que existia! Continuaria ignorante não fosse a publicidade, sempre atenta às efemérides.

“Noviembre es el mes del hombre celebrando su día culmen el día 19, Día Mundial del Hombre. Y es el mes donde el bigote toma protagonismo para apoyar a todos esos hombres enfermos de cáncer de próstata con el movimiento #Movember (…)
Gillette vuelve con esta campaña para reivindicar una masculinidad inclusiva, centrándose ahora en un momento clave. La Pubertad, etapa en la que empieza a construirse el hombre que cada uno será en el futuro (…)
La campaña gira entorno a un divertido spot protagonizado por niños que utilizan una canción, a modo de himno (…) Va haciendo que poco a poco éstos se sientan orgullosos de su primer “bigotillo” (https://lapublicidad.net/bigotillo-adolescente-campana-gillette/).

Visto e revisto o anúncio, não vislumbro a ligação ao cancro da próstata. Lembro, em contrapartida, o filme O Clube dos Poetas Mortos (1990). E retenho o mote: “Hay qué ser muy hombre para empezar a ser tú”.

A Gillette pugna por renovar a imagem do homem. Oposta à “masculinidade tóxica”, a “masculinidade inclusiva” é uma expressão chave da campanha. Não a conhecia. Ando distraído. Há palavras como “inclusão” que se tornam intelectualmente angélicas. Resisto. Quero estar onde desejo estar: dentro ou fora. Incluir é, muitas vezes, obrigar a entrar e não deixar sair. Milhões de pessoas morreram de inclusão. Não é boa medicina apagar a memória das palavras, por muito que nos levem ao céu.

Marca: Gillette. Título: A Moustache. Agência: Proximity. Espanha, Novembro 2019.

A multiplicação dos dias

21 de Março: Dia Internacional das Florestas e da Árvore

21 de Março: Dia Internacional das Florestas e da Árvore. Fonte: http://www.regiaodeagueda.com.

Ontem foi o Dia Internacional da Felicidade. Hoje é o Dia Mundial da Síndrome de Down. Vem-me à memória o artigo A Felicidade é um Flor Caprichosa, publicado no dia 21 de Março de 2014.

“O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída (…) o poder de bem julgar, e de distinguir o verdadeiro do falso que é aquilo a que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens” (Descartes, Discurso do Método). 

A felicidade não é como o bom senso cartesiano. É, antes, como o amor pascaliano: “não tem idade, está sempre a nascer” (Blaise Pascal, Discours sur les passions de l’amour). A felicidade é caprichosa. Tem, sem dúvida, condicionantes, mas não tem lugar, nem mestre. Não tem caminho, nem ponto fixo. Não se decreta, nem se prescreve. Como é voz comum, não se compra. Surpreende. Cresce e murcha como uma flor sem jardim. A felicidade não é um estado, é um movimento. É a alma a fazer surf na espuma dos dias.

Anunciante: World Down Syndrome Day. Título: Dear Future Mom. Agência: Saatchi & Saatchi. Direcção: Luca Lucini. Itália, Março 2014.

O dia 21 de Março é o dia do ano com mais dias. Para além da Primavera e da síndrome de Down, é o Dia Internacional das Florestas e da Árvore, Dia lnternacional para a Eliminação da Discriminação Racial e Dia Mundial da Poesia, Não existe no calendário tamanho dia. Por acréscimo, de 21 a 28 de Março, é a Semana de Solidariedade com os Povos em Luta contra o Racismo e a Discriminação Racial. Os dias e as semanas internacionais da ONU são díspares. Alguns surpreendem. Por exemplo, o 12 de Abril é o Dia Internacional do Voo Espacial Tripulado e o 20 de Maio é o  Dia Mundial das Abelhas (fonte: https://nacoesunidas.org/calendario/dias-e-semanas/).

Retalha-se, de algum modo, o sentimento e o pensamento das pessoas embalando-os em unidades de tempo. Em termos de modernidade, esta listagem segmentada configura uma agenda. Na nossa era, a acção quer-se agendada no local e no momento certos. Convém prever, com a devida preparação e encenação, que o 21 de Maio é o Dia Mundial para a Diversidade Cultural e para o Diálogo e o Desenvolvimento ou que, logo a seguir, a 25 de Maio, começa a Semana de Solidariedade com os Povos sem Governo Próprio.

Subsiste um detalhe que intriga: a prática de comemorar num dia vários dias. Edward T. Hall (The Silent Language, 1959; The Hidden Dimension, 1966; e The Dance of Life, 1983) assinala a tendência para o desaparecimento da polícronia e o desenvolvimento da monocronia. O polícrono mistura os tempos e as actividades sem vislumbre de agenda. Faz várias coisas ao mesmo tempo na altura que se proporcione. O monocrono guia-se, pelo contrário, pela agenda, linearmente fraccionada, uma tarefa de cada vez. Propor um dia com vários dias não é moderno. Mas não é grave. A multiplicidade também é susceptível de segmentação: As escolas comemoram um dia, os hospitais, outro, os movimentos cívicos, outro, a comunicação, outro, e ainda sobrará para as famílias.

O dia das coisas boas

Janis Joplin

Janis Joplin

Ouvi dizer que hoje é o Dia Internacional das Coisas Boas. The International Day of Good Things – IDGT! Lembrei-me de partilhar tangerinas ou grelos. Andam muito bons. Ou uma cerveja, é sempre uma coisa boa. Mas parece que não dá para partilhar tangerinas, grelos e cerveja na Internet. Partilho, por isso, um vídeo musical: Janis Joplin canta Ball and Chain em Monterey no ano de 1967.

Janis Joplin. Ball and Chain. Monterey. 1967.