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A igualdade de género nos anúncios de automóveis

Fiat 500. 2019.

Um grupo de alunos do curso da licenciatura em Sociologia apresentou um trabalho dedicado à Desigualdade de Género na Publicidade Automóvel* (DGPA). Os protagonismos e os papéis de género mudaram nos anúncios de automóveis das últimas décadas? É um privilégio aprender com os alunos. Vou replicar estudo alargando-o a um conjunto de anúncios recentes da Fiat.

No anúncio “Dolce Vita” (5/7/2019), do Fiat 500, cabe ao homem conduzir. Mas, curiosamente, o homem quase não aparece. Os protagonistas, devidamente estetizados, são o carro e a mulher. O condutor, masculino, resume-se a um acessório residual.

Marca: Fiat 500. Título: Dolce Vita. Agência: Leo Burnett. Itália, Julho 2019.

No anúncio “Driven by dreams since 1899” (5/3/2019), do Fiat 500, a mulher é condutora, protagonista e utilizadora. Acompanha-a uma segunda mulher. Os homens aparecem por vias travessas: um como “sedutor não-verbal” e os outros dois como “emplastros”.

Marca: Fiat 500. Título: New 500 Family 120th. Driven by dreams since 1899. Agência: Leo Burnett. Itália, Março 2019.

A intertextualidade reina na publicidade. Proponho um exercício. No anúncio Driven by dreams, temos os seguintes apontamentos:

  • Relevância da música;
  • A protagonista não para de “dançar”;
  • Dois carros parados lado a lado num semáforo;
  • Comunicação não-verbal entre os dois condutores, homem e mulher; um quase assédio.
  • Aparição, do nada, de dois homens no banco de trás (Let Shaggy e Sting).

Observe-se, agora, o anúncio italiano Staying Alive (2008), da Kenwood:

Marca: Kenwood. Título: Staying Alive. Itália, 2008.

Relevância da música;
A protagonista não para de “dançar”;
Dois carros parados lado a lado num semáforo;
Comunicação não-verbal entre os dois condutores, homem e mulher; um quase assédio.
Aparição, do nada, de um morto (vivo) no banco de trás (Let Shaggy e Sting).

Há coincidências! Certo é que o anúncio Driven by dreams, do Fiat 500, incorre em discriminação de género: valoriza a mulher em detrimento do homem. Mas não faltam formas de assegurar a igualdade de género na publicidade.

Uma forma, corrente, de respeitar a igualdade de género consiste em não incluir nem homens nem mulheres. O anúncio do Fiat Toro 2020 é um bom exemplo. Recorda o provérbio segundo o qual, para escândalo do Padre António Vieira, “os peixes grandes comem os pequenos”. Ressalvando a filosofia, nenhuma sombra de presença humana, masculina ou feminina.

Marca: Fiat Toro 2020. Título: Ainda mais bruto. Ainda mais lindo. Agência: Leo Burnett. Produção: Vetor Zero. Brasil, Agosto 2019.

Um modo de igualar homens e mulheres nos anúncios de automóveis consiste em compensar os símbolos e os desempenhos de género: agora conduz o homem, logo conduz a mulher, com protagonismos idênticos. É o caso do anúncio Quality Time, do Mercedes-Benz SL-Class.

Marca: Mercedes Benz SL-Class. Título: Quality Time. Alemanha, Junho 2017.

Estas tentativas arriscam-se a conter falhas e vícios susceptíveis de a imparcialidade de género. Assim o entende o grupo de alunos:

“Neste vídeo publicitário, do automóvel de classe SL da marca Mercedes-Benz de 2017, tem duração de 1 minuto e 44 segundos e pode dividir-se em dois momentos, aquele que acontece de dia, até o sol se por, e aquele que é gravado de noite. No primeiro momento, o protagonista e única pessoa presente em cena é um homem e o automóvel seleccionado é de cor azul. O homem entra no automóvel e inicia uma longa viagem, por extensas estradas que passam por zonas naturais, onde não há casas, ou seja, zonas não urbanas, e que presenteiam a quem vê o vídeo paisagens encantadoras. Esta cena termina com o amanhecer, o homem está dentro do automóvel que se encontra parado, num lugar onde é possível observar o pôr-do-sol.
O segundo momento é protagonizado por uma mulher, que também é única a viajar no automóvel que desta vez é da cor branca. Este momento ocorre à noite e, ao contrário da viagem protagonizada pelo homem, esta viagem acontece numa zona citadina. São captadas algumas cenas com o carro em movimento, até que este chega a uma zona alta e estaciona para apreciar a paisagem nocturna da cidade.
Todo o momento protagonizado pelo homem consome 1 minuto e 11 segundos dos totais 1 minuto e 44 segundos do vídeo. O momento protagonizado pela mulher dura somente 33 segundos. Esta é talvez a principal diferença entre as cenas em que as personagens principais são, respectivamente, um homem e uma mulher. Outra diferença que poder ser realçada é a troca de cores do veículo. Quando é o homem a conduzir, o automóvel é azul. Quando é a mulher a conduzir, este é branco. Para além disto, as cenas onde está inserido o homem foram gravadas de dia, num local natural, sem grande intervenção do homem, tirando a própria estrada onde este viaja, e as cenas onde a mulher é a condutora foram gravadas numa cidade, durante a noite” (DGPA, págs. 26-27).

Mas é concebível um anúncio aproximar-se milimetricamente da igualdade de género, mediante a aposta na simetria rigorosa dos papéis e dos desempenhos masculinos e femininos. É o caso do anúncio Instinct de Séduction, do Renault Clio.

Marca: Renault Clio. Título: Instinct de Séduction. Agência: Publicis Conseil. Direcção: Mark Jenkinson. França, Setembro 2016.

Recorro, novamente, à generosidade do comentário dos alunos:

“Nesta publicidade, o slogan é perfeitamente capaz de traduzir todo o conteúdo que nela está implícito (“Instinct de séduction”- Instinto de sedução). São utilizados dois automóveis iguais, mas de cores diferentes, apelando à participação do género feminino e masculino. A mulher conduz o automóvel vermelho e o homem conduz o automóvel branco. Durante a campanha, é possível verificar que o objectivo da mesma é criar um charme e uma conexão entre os dois géneros, é importante criar um elo de ligação através dos olhares que trocam. No momento em que os automóveis se cruzam, o nível de aceleração dos automóveis acompanham-se não existindo relações de superioridade. Assim, homem e mulher estão ao mesmo nível, possuindo ambos a capacidade de fazer jus a um automóvel moderno, actual e único. A imagem feminina em momento algum se mostra receosa ou com pouca confiança. A assertividade e a certeza do que está a fazer não abrem margem para duvidar das suas habilidades” (DGPA, pág. 19).

Em suma, um pequeno sobressalto mental: quais destes seis anúncios nos incentivam a equacionar as relações de género na vida quotidiana?

*Cristiana Maria Faria Leitão; Daniela Filipa Borges Oliveira; Duarte Machado Gonçalves Abreu; Luísa Maria Cunha Ribeiro; Maria Carolina Silva Carvalho, Desigualdade de Género na Publicidade Automóvel, Relatório da Unidade Curricular de Projecto e Prática em Sociologia. Tutor: Joel Felizes. Licenciatura em Sociologia. Universidade do Minho. Janeiro 2019.

Desigualdade nas imagens de género

Tantos pénis pintados e esculpidos e tão poucas vaginas!… Uma discriminação que remonta a tempos imemoriais. Na pré-história a representação do pénis concorre com as esculturas de Vénus (Fig 1 a 3). Até os monólitos pecam por excesso. No antigo Egipto, os jardineiros da religião viram-se gregos para podar os falos das estátuas de deuses e faraós (Fig 4 e 5). Por seu turno, no império romano, os tintinábulos pendurados à entrada das casas eram compostos por falos inconfundíveis, eventualmente, voadores (Fig 6, 7 e 8).

Que fazer? Multiplicar as imagens de vaginas? Eliminar as relativas ao pénis? Cortar e tapar o sexo das esculturas e das pinturas com uma folha de figueira? “Vestir” a nudez do Juízo Final original de Michelangelo na Capela Sistina (ver Vestir os Nus: https://tendimag.com/2012/11/13/vestir-os-nus/)? Ou, ao jeito medieval, enveredar pela castração (Fig 9 a 11)?

Marca: ONF (Office National du Film du Canada). Título : Dessine-moi un Pénis. Agência : Rethink (Canada). Canadá, Março 2019.

No anúncio Dessine-moi un pénis, a ONF, um organismo público canadiano de produção e distribuição de filmes, estima que semelhante discrepância de género provém da nossa ignorância acerca do clítoris. Nem sequer o sabemos desenhar.

12. A flying penis copulating with a flying vagina. Gouache Credit: Wellcome Library, London. Wellcome Images.

Na realidade, segundo as estatísticas, existem na população mais vaginas do que pénis. O problema reside, porventura, no imaginário. Mas deixemos as retóricas. O guache A flying penis copulating with a flying vagina (Fig 12), da Welcome Collection, sugere uma solução paritária: um pénis para uma vagina ou uma vagina para um pénis, sem prejuízo de outras localizações e sexualidades.

Espelhos deformadores

Flat distorting mirrors

Atardo-me por terras de Islândia. Emiliana Torrini é islandesa. Tornou-se conhecida pela sua participação no Senhor dos Anéis (Gollum’s Song; As Duas Torres, 2002) e pela canção Jungle Drum (Me And Armini, 2008). Gosto do álbum Love In The Time Of Science (1999), especialmente da canção Baby Blue. Uma canção bem cantada encanta a dobrar.
O pai de Emiliana Torrini é italiano. Tenho um apreço enorme pela Itália. O que é um desconsolo. Tenho várias portas abertas para o mundo e a Itália quase nunca aparece. Aliás, a Espanha, a Grécia, Portugal e, em menor grau, a França parece que deram sumiço. Cinco países com um lastro histórico e cultural ímpar, que num par de décadas caíram do sétimo andar até às catacumbas. Não acredito que a produção cultural tenha entrado em colapso, mesmo com a “crise do petróleo” e as “novas tecnologias”. Na verdade, o mundo é uma feira popular com espelhos deformadores. E a Internet é uma enorme galeria de espelhos. Uma parte vale pelo todo e as outras partes carecem de uma lupa. O nosso mundo pode ser global, líquido, pós-moderno, pós-materialista, pós-humano, pós-urbano, pós-industrial, pós-colonial, pós-pipoca, não deixa de ser, como no romance de Camilo José Cela (A Colmeia, 1951), uma colmeia com vários enxames num cortiço político-financeiro. Talvez as abelhas humanas sejam menos propensas ao equilíbrio do aquilo que Bernard de Mandeville vaticinava (Fábula das Abelhas, 1705). Mas, sublinhe-se, todos contribuimos para as hegemonias culturais. Não fossem hegemonias…

Emiliana Torrini. Baby Blue. Love In The Time Of Science. 1999.

De pequenino se torce o destino

Marca: Barbie. Título: The Dream Gap Project. Agência: BBDO San Francisco. Direcção: Karen Cunningham. Estados Unidos, Outubro 2018. [Recuperado e gravado em 14.10.2026]

O anúncio The Dream Gap Project, da Barbie, está a ser um sucesso. Merecido. Meninas de tenra idade são as únicas protagonistas. Estou convencido que não existe melhor embaixador para a publicidade do que as crianças. Numa sequência de imagens notável, desempenham o seu papel de um modo brilhante. O objectivo, a igualdade de género desde a infância, é alcançado de uma forma magistral e cristalina.

As mensagens prestam-se a várias interpretações. Será que neste anúncio se enxerta um segundo discurso, uma espécie de “currículo oculto”? Uma vez que o anúncio interpela, principalmente, os pais, permitam que me expresse em conformidade: as nossas filhas precisam de sonhar que podem ser “presidentes, cientistas, astronautas, grandes pensadoras, engenheiras, presidentes de empresas”? Precisam de “ver mulheres brilhantes a ser brilhantes, e ver como chegaram onde estão”? É este o mundo que desejamos para nós e para as nossas filhas? As nossas filhas devem ser galgos a correr atrás das elites? É essa a nossa ideia de felicidade e de realização pessoal?

Choca a discriminação de que são vítimas as meninas: “três vezes menos provável receberem um brinquedo ligado às ciências”; pior, “duas vezes mais provável os pais pesquisarem “o meu filho é sobredotado?” do que “a minha filha é sobredotada”. Há, porém, males que vêm por bem. Na maioria dos casos, quando os pais estimam que o filho é sobredotado, o “privilégio” torna-se num suplício para os filhos e para os professores. É verdade que pode propiciar-se uma predição criadora: o filho, considerado sobredotado, acaba, na prática, por corresponder às expectativas. Mas, na maioria dos casos, a etiqueta de sobredotado converte-se num doloroso equívoco.

 

Noves fora, cinco

schweepes-abre

A página de Culturepub, dedicada à publicidade, costuma publicar, todos os dias, uma amostra com nove anúncios, os mais recentes e os mais relevantes. Ontem, dia 17 de Maio, dos nove anúncios seleccionados, cinco incidem sobre as relações de género. Retenho dois.

O anúncio britânico Our Time: Supporting Future Leaders, do Mayors Office London, recorre à metáfora gasta, mas sempre eficiente, das escadas.

O anúncio brasileiro The Dress for Respect, da Schweppes, engendra um dispositivo tecnológico que regista os toques masculinos a que as mulheres são sujeitas nas discotecas.

Anunciante: Mayors Office London. Título: Our Time: Supporting Future Leaders. Reino Unido, Maio 2018.

Marca: Scweppes. Título: The Dress for Respect. Agência: Ogilvy & Matter (Brasil). Direcção: Giancarlo Barone. Brasil, Maio 2018.

Pedestais

Na Bélgica, pátria do Astérix, do Tintim, do Achille Talon e do Gastão da Bronca, resolveram colocar pessoas em pedestais para criar “monumentos humanos”. A Lusitânia também é a pátria do Zé Povinho, do menino Tonecas, do Chico Fininho e da Maria Papoila. De país para país, variam o sentido de humor e a relação com as alturas. Na Bélgica, colocam pessoas em pedestais. Parece que Bruxelas, a corte da Comunidade Europeia, tem falta de pessoas em pedestais. Na Lusitânia, semi-periférica, faltam pedestais para tantos candidatos. O problema não é tanto colocar pessoas em pedestais mas apear quem teima em se perpetuar. Os nossos pedestais, tão elevados, são invejáveis: o marquês de Pombal, em Lisboa, o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, no Porto, a estátua de Santos da Cunha, em Braga. Três pedestais, três rotundas. Afigura-se-me que o pedestal está para Portugal, com o bacalhau está para o português. O anúncio Human Monument é da Thalys, uma empresa de transporte ferroviário a alta velocidade.

Para aceder ao anúncio, carregar na seguinte imagem.

Thalys

Marca: Thalys. Título: Human monuments. Agência: Rosepark. Direcção: Julian Nodolwsky. Bélgica, Abril 2018.

Tragédia quotidiana

 

Virgem Maria e o Menino Jesus. Escultura tumular. Cemitério de Auteuil.

Virgem Maria e Menino Jesus. Escultura tumular.

De que mundo se fala, quando se fala do mundo? As notícias cobrem-no e recobrem-no com um manto todo esburacado. Há imagens que chocam. A presença do que, para nós, não existe é obscena. Preferimos a ausência do que existe. Com o filho inválido às costas, uma mãe percorre, a pé, dezenas de quilómetros para aceder aos cuidados de saúde. Será notícia? Trata-se de uma vítima improvável de um evento extraordinário por motivos plausíveis  num espaço simbólico? Não, trata-se apenas de sofrimento desamparado, dia após dia, todos os dias. Nada acontece! A notícia releva do drama, a realidade da tragédia.

Marca: Promart Teleton. Título: Largo Camino. Agência: Fahrenheit DDB. Direcção: Eduardo Gutiérrez.

As regras do jogo

Hans Arp. Birds in an Aquarium. c. 1920

Hans Arp. Birds in an Aquarium. c. 1920.

O anúncio Un jeu de société (Observatoire des Inégalités, França) é didáctico. Mostra como a competição social se assemelha a um jogo de Monopólio com regras viciadas. Mas no jogo dos destinos sociais conta menos a parcialidade das regras e mais a desigualdade das condições. As regras até podem ser iguais para todos, o problema reside nos recursos e, por conseguinte, na probabilidade dos desempenhos. Como diria Pierre Bourdieu, falar em igualdade de oportunidades com desigualdade de condições é um logro. Uns estão como peixes na água, outros como aves num aquário.

Anunciante: Observatoire des Inégalités. Título: A Social Board Game. Agência : Hérèzie. Direcção: Remy Barreyat. França, Abril 2017.

Fortuna

euromillionsProliferam por todo o mundo os anúncios a jogos de lotaria. A figura do euromilionário, ridicularizada pela incongruência de atributos, não é, porém, antipática. Arrecada uma fortuna num só gesto e num único momento. Mas há quem, em contrapartida, enriqueça todos os dias.

Marca: Euromillions. Título: Parking. Agência: AMV BBDO London. Direcção: James Rouse. UK, Setembro 2016.

A fé na sorte é uma ilusão bem partilhada. Acredita-se que a aleatoriedade é o processo mais democrático de selecção. Não é essa a opinião de Louis Pasteur: “Nos domínios da observação, o acaso só favorece os espíritos bem preparados” (Discurso proferido em Douai, no dia 7 de Dezembro de 1854 in Oeuvres, Tome VII, Paris, Masson & Cie, Editeurs, 1939, p. 130). Os caprichos da sorte dependem do percurso, da condição e da exposição de cada um. Como sugere Oscar Lewis, a sorte é o recurso daqueles que não têm recursos (The Children of Sanchez, New York, Random House, 1961). Exagerando e poetizando, a esperança, e a desculpa, dos desesperados.

Marca: Euromillions. Título: Rich. Agência: Moetierbrigade. Direcção: Jonathan Herman. Bélgica, 2013.

Um euromilionário pode ser qualquer um de nós (one of us). Até a mim me pode calhar! É a fé, não do apóstolo, mas do apostador. Como o deus de Joan Osborne, pode estar no meio de nós:

What if God was one of us?
Just a slob like one of us?
Just a stranger on the bus
Trying to make His way home?

Joan Osborne. One of Us. Relish. 1995.

Todos podemos ser apostadores. Mas arrebanhar os euros dos outros todos os dias, isso é privilégio de outros mealheiros. Us and Them, como cantam os Pink Floyd:

And the general sat
And the lines on the map
Moved from side to side
Black (black, black, black)
And blue (blue, blue)
And who knows which is which and who is who.
Up (up, up, up, up)
And down (down, down, down, down)
And in the end it’s only round ‘n round (round, round, round).

Pink Floyd, Us and Them. The Dark Side of The Moon. 1973.

30 anos: apontamentos datados

Cartoon by Stephff published in Il Sole-24 Ore.

Cartoon by Stephff published in Il Sole-24 Ore.

1983. Última grande crise económica antes da adesão à União Europeia. Recorreu-se à austeridade não diferenciada: não se tirou a estes para dar àqueles.
1986. Adesão à União Europeia. Nunca os fundos foram tão altos, nem os investimentos tamanhos.
2002. Adesão ao euro. Principal preocupação pública: como proceder à troca dos escudos por euros? O futuro? Entrar no “pelotão da frente” europeu, um barco, maior que o Titanic, já inclinado para um dos lados.
2007. Anúncio da crise do subprime, associada ao sector financeiro. Nalguns países a reacção chegou de avião, noutros de comboio. O desnorte espelhou-se na disparidade das políticas adoptadas.
2011. Assinatura do Memorando (de entendimento sobre as condicionalidades de política económica), consubstanciado na intervenção de resgate da Troika, apostada numa austeridade severa e diferenciada. Uma parte da população, a mais pobre, é castigada; a outra, dá sugestões! Um velho chavão político torna-se, enfim, realidade ostensiva: os pobres pagam a crise dos ricos. Nem as pragmáticas régias ousaram ir tão longe.

Anunciante: Ministerio de Economía.Título: Euro. Campña “Los García” / “La pregunta fatídica”. Agência: TBWA. Espanha, 2001.