Noite de S. João e São João do Churrasco


É necessário que ele cresça e que eu diminua. (O testemunho de João Batista acerca de Jesus – João 3:30)
Desgastam-se pilares seculares e projectam-se castelos de areia, versão digital! Pelos vistos, a tradição mora, agora, no futuro, de braço dado com o vazio identitário. Até dói o pensamento. (Albertino Gonçalves, 2016)
Seguem os artigos “Noite de S. João” e “São João do Churrasco” publicados no dia 23 de junho de 2016 e 2019.
Cortejo Histórico em Melgaço. Colheita e o restolho

Penso escrever neste blogue um ou vários artigos, com fotografias, vídeos e textos, sobre o Cortejo Histórico do passado sábado, dia 10 de agosto, em Melgaço. Adianto esta galeria de fotografias, da autoria de Ana Macedo, colega e amiga bracarense, para apelar às pessoas que partilhem online as fotografias e os vídeos que eventualmente possuam. Embora a página do Município (https://www.facebook.com/municipiodemelgaco) já contemple acima de 120 fotografias, nunca serão de mais. Os UHF ou o Zé Amaro podem ser fotografados quase todos dias em muitos lugares. O Cortejo Histórico e os seus participantes, não! Trata-se de uma ocasião única.
Galeria. Cortejo Histórico em Melgaço 2024. Fotografias de Ana Macedo















No rescaldo do Cortejo Histórico, proporciona-se um pouco de música popular portuguesa. A Brigada Victor Jara é presença assídua no Tendências do Imaginário. Apraz-me acrescentar três canções: Rema, Charamba e São Gonçalo, do álbum Tamborileiro (1979).
Sem Meio Termo: Poesia da Vida e da Morte e Canções de Não Sobrevivência

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3:15, 16)
Tenho uma costela de colecionador. Foram selos, minerais e outras preciosidades; agora, imagens, músicas e desenganos. Também medicamentos. Nove difeentes, alguns várias vezes ao dia. Comecei ontem mais um. Para a tensão. Anda alta (tanto que declinei o convite para participar hoje, 25 de Abril, num painel de 2 horas mum canal de televisão).

Nove medicamentos; outras tantas maleitas. Estou a aproximar-me de uma espécie de “transumano”. Como “parar é morrer”, não paro. E quem anda à chuva… Cismo, mesmo assim, que uma décima da tensão se deve à leitura de alguns poemas pouco ou nada apaziguadores.
Muitos sociólogos, à semelhança, por exemplo, dos médicos, namoram as artes e as letras. É o caso do Joaquim Costa que, inspirado, se dedica à poesia. Versos de uma lucidez crua e incisiva que desarmam e desconcertam. Tudo menos escrita morna. Qualidades raras! Percorri de fio a pavio o livro Poesia da Vida e da Morte (Companhia das Ilhas, 2024) e retive, para partilha, uma dúzia e meia de poemas, ciente de que numa segunda leitura, outra seria a escolha. E assim sucessivamente. Segue uma pequena compilação.
Os versos do Joaquim lembraram-me algumas canções, mais de morte do que de vida, de não sobrevivência, todas pouco ou nada relaxantes.

Atendendo ao momento [na rua entoa a Grândola Vila Morena], logo acudiram: Menina dos olhos tristes, de Adriano Correia de Oliveira (1969); Canta camarada (1969) e Cantar alentejano (1971), de José Afonso; e Manolo Mio, da Brigada Victor Jara (1977). De chorar por mais.
Relaxar a eito! A maçã e a abóbora
Tinha saudades de um anúncio como este. Lacónico e inspirado, torna o pouco bastante e o inexpressivo eloquente. Imagem, música, duração e ritmo dão primorosa e discretamente as mãos. Ao arrepio da tendência pós-Covid, não aposta na oralidade, na conversa. Opção que não compromete a mensagem. Tudo fala pelos cotovelos, até a lentidão e o tédio, aparentemente assumidos como privilégios.
Momentos mui raros


Raros o forno, o pão e a gargalhada. Em boa companhia e sabedoria. Depois da tenda com chouriço, do pão com chocolate e da sopa de batata, só faltou queimar as calorias com uma dança ao jeito, por exemplo, do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço ou com uma música da Brigada Victor Jara.
Música “tradicional” portuguesa
Em período de férias, aumentam as festas e diminuem as visualizações portuguesas do Tendências do Imaginário . Não ultrapassam os 17%. A minha praia anda demasiado ruidosa. Anteontem, os metal, ontem, os indie, hoje os tecno. Apetecem-me outras músicas. Dedico este ramalhete de músicas “tradicionais” portuguesas aos visitantes dos demais países. A selecção é arbitrária, incompleta e a meu gosto. Procura dar uma ideia da riqueza e da diversidade da música portuguesa.
Amália Rodrigues. Malhão.
Mariza. Barco Negro. Ao vivo na Sydney Opera House. 2006. Música original brasileira.
Dulce Pontes. Canção do mar. Lágrimas. 1993.
José Afonso. Milho verde. Cantigas de Maio. 1971.
Raízes. Boiada. Música tradicional portuguesa. 1982.
Brigada Victor Jara. Vira de Coimbra. Tamborileiro. 1979.
Brigada Victor Jara. Se fores ao São João. Tamborileiro. 1979.
Brigada Victor Jara. Pézinho da Vila. Eito Fora. 1977.
Brigada Victor Jara. Ao romper da bela aurora. Eito Fora. 1977.
Júlio Pereira. Vira velho. Braguesa. 1983.
Noite de S. João

Noite de S. João, a mais popular e envolvente das festas de Braga. No dia 14, participei numa mesa redonda sobre o S. João de Braga (ver Figura 1). Ontem, apresentei uma comunicação num seminário sobre a Festa de S. João do Sobrado. Confesso que o meu apetite pelos eventos académicos vai esmorecendo. Gaiolas cinzentas com cartão perfurado. O génio de Bernini tanto quis elevar a torre sineira da Igreja de S. Pedro, em Roma, que as paredes começaram a ceder. Desgastam-se pilares seculares e projectam-se castelos de areia, versão digital! Pelos vistos, a tradição mora, agora, no futuro, de braço dado com o vazio identitário. Até dói o pensamento. Somos todos filhos de Prometeu. Roubamos o fogo aos deuses para acender as fogueiras de S. João. Refiro-me, naturalmente, à Academia de Polícia 2: A primeira missão (1985).
Ocorreu-me a canção “Se fores ao São João”, do álbum Tamborileiro (1979), da Brigada Victor Jara. Não desfazendo, uma das minhas canções preferidas da Brigada Victor Jara é “Manolo Mio”, do álbum Eito Fora (1977). Venha a música, siga a festa!
Emigrar
Não evoluo, vindimo os anos. Pasmo, como o rei Filipe II de Portugal, na sátira de Gonzalo Torrente Ballester. Basta comparar dois pequenos textos sobre a emigração, um publicado em 1991 (“Uma vida entre parênteses. Tempos e ritmos dos emigrantes portugueses em Paris”, Cadernos do Noroeste, vol. 4 (6-7), 1991, pp. 147-158) e o outro publicado este verão (“A viagem do silêncio: o salto” in Filmes do Homem 2015. Festival Internacional de Documentários de Melgaço, Ao Norte/Câmara Municipal de Melgaço, 2015, pp. 14-17). Qual rasga a realidade e qual a enrola? Segue a ligação em pdf:
A. Gonçalves. Uma vida entre Parênteses.
A. Gonçalves. A Viagem do Silêncio.
O assunto que realmente motiva este artigo é a canção Manolo Mio, da Brigada Victor Jara, grupo fundado em Coimbra, no ano de 1975. Também versa sobre a emigração. A cantar também se aprende. Lembro-me de comprar o álbum (Eito Fora, 1977) numa cooperativa (creio eu) junto à Fonte dos Leões, no Porto. Vamos ouvir!
Brigada Victor Jara. Manolo Mio. Eito Fora. 1977.

