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A nostalgia dá um passeio de bicicleta

Desde 2012, escrevi, no dia 25 de junho, vários artigos que estimo dignos de releitura. Relevo, especialmente, “A Nostalgia do Invisível”, de 2018, que se disingue, sobretudo, graças à inclusão do trabalho prático “A nostalgia do invisível – Memória e imaginário”, da autoria de Vanessa Caroline de Almeida e Alcântara, aluna do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Imagem: Corinna Luyken. O Livro dos Erros. Ed. original, 2017. Detalhe

Não sei se a aluna é uma extensão do professor ou o professor, da aluna. Salomonicamente, diria que ambos são, como resulta agora dizer-se, agência, logo extensões recíprocas.

O conceito de “extensão do homem” costuma ser atribuído a Marshall McLuhan, mas, na linguagem de Louis Althusser, não ele foi quem o “descobriu”, “inventou-o”; propôs a respetiva construção teórica. A realidade já era observada, pelo menos, desde Aristóteles: a roda em relação aos pés; a roupa, à pele… Em 1858, Maurice Leblanc, já escrevia, no livro Voici des Ailes (66 anos antes do understanding Media: The Extensions of Man, publicado em 1964), o seguinte a propósito da bicicleta:

Um aperfeiçoamento do próprio corpo, o seu acabamento. É um par de pernas mais rápidas que lhe é oferecido. O homem e a máquina são um só. Não são dois seres diferentes como o homem e o cavalo, dois instintos em oposição. Não, é um só ser, um autómato feito de uma só peça. Não há um homem e uma máquina. Há só um homem mais rápido (citado por Manuel Ferreira da Costa no livro A Póvoa de Varzim na Belle Époque: panorama da vida cultural e do turismo balnear, no prelo, pág. 231, que tenho a honra de prefaciar).

O 25 de junho parece ser um dia particularmente inspirador. Embora “A nostalgia do Invisível” seja o artigo que mais me sensibilizou, não resisto a acrescentar, como lembretes, mais três: “Miragem com falo à vista”, de 2012; “Epidemia de dança”, de 2013; e “Sombras”, de 2014.

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Sonhos de fadas

Capucinho Vermelho

 

 

Com sintomas de gripe e uma inflamação no pensamento, não apetece comunicar. Apenas mimalhar sonhos, visitados por princesas de trapos e anúncios a condizer.

 

Marca: Channel. Título: Le loup. Agência: BBDO. Direcção: Luc Besson. França, 1998.

Estética e Culinária

Carte Noire. Rouge – Millefeuille choco-framboise au café serréA culinária é, desde há séculos, dada à estética. Na apresentação à mesa, por exemplo. Mas o zelo estético estendeu-se, entretanto, à cozinha e à confecção. Comprovamo-lo nos concursos da televisão. A Carte Noire tem vários anúncios com imagens relativas à confecção de vários produtos. Seleccionamos Rouge – Millefeuille choco-framboise au café serré.

Marca: Carte Noire. Título: Rouge – Millefeuille choco-framboise au café serré. Agência: BBDO. Direcção:  M. Roulier et P. Lhomme. França, Dezembro 2012.

 

Músculos Musicais

Gillette. Training TracksMichel Gondry é um dos grandes realizadores da atualidade. Ganhou um óscar em 2005, com o filme Eternal Sunshine of the Spotless. Dirigiu dezenas de vídeos musicais: para Bjork, The Rolling Stones, Beck, The Chemical Brothers, The White Stripes… É uma figura incontornável da publicidade (ver  http://tendimag.com/2011/09/15/um-voo-sem-asas/).

A Gillette apostou forte neste anúncio: Training Tracks. Contratou Michel Gondry e não regateou meios. Reuniu estrelas do futebol americano e recorreu a Phil Mossman, dos LCD Soundsystem.

Marca: Gillett. Título: Training Tracks. Agência: BBDO New York. Direção: Michel Gondry. USA, Setembro 2013.

O esquema utilizado no anúncio é antigo. No século XVI, Giuseppe Arcimboldo já contrabandeava realidades: com frutos, flores, legumes e objectos díspares, configurava retratos de imperadores, princesas, bibliotecários, cozinheiros, advogados… (http://tendimag.com/2012/01/22/comer-com-os-olhos-os-alimentos-em-arcimboldo/; e http://tendimag.com/2011/09/15/jogos-de-legos-com-humanos/). Neste anúncio, os fragmentos de realidade não são imagens mas sons. Provenientes do treino dos desportistas no ginásio adquirem ritmo e musicalidade. É possível que a ideia de recomposição de sons não seja completamente original. Mas, como diria Pascal, “ninguém me acuse de não ter dito coisas originais. A dispo­sição das matérias é nova, e isso é que importa”. Pois, com o toque de Michel Gondry, que foi baterista de uma banda, e de Phil Mossman, guitarrista e percussionista, a “disposição das matérias” resulta excelente.

Guinness: Nuvem com álcool

A espuma da Guinness é diferente das demais cervejas. É extra (“made of more”). Uma nuvem que apaga generosamente o fogo e a sede que nos consomem.

Marca: Guinness. Título: Cloud. Agência: AMV BBDO, London. Direção: Peter Thwaites. Reino Unido, Outubro 2012.

Facelift

Para um sentimental, não há nada como um belo casamento, da imagem com o som, mais uma pequena narrativa a segurar   nas alianças. Eis o anúncio Facelift do Smart em versão longa.

Marca: Smart. Título: Facelift. Agência: BBDO proximity, Berlin. Direção: Robert Jitzmark. Alemanha, Maio 2012.

Pedagogia de choque

Este pequeno anúncio é um grande desafio. Será que remete para a física do judo? Quando o judoca cai bate com o braço no chão com o objetivo de aumentar a área de impacto e diminuir a sensação de dor. Não parece! Pensando bem é uma nova pedagogia de choque, daquelas que aumentam os resultados e diminuem os custos.

Marca: Saridon. Título: Pound. Agência: BBDO Guerrero. Filipinas, Junho 2012. Leão de Bronze em Cannes.

Miragem com falo à vista

Neste mundo de navegação da imagem, não há nada como um falo deslocado. Esta campanha de La Redoute, que visa dar a volta a uma gaffe monumental, ganhou um Leão em Cannes.

Marca: La Redoute. Título: The Naked Man. Agência: CLM BBDO Boulogne-Billancourt.  França, Junho 2012.

Graça

Para sensibilizar o público não é necessária grande ousadia, basta alguma ousadia de espírito. Comprova-o o anúncio Nun (2008), para a marca Venus Embrace, editado por Sherri Margulies, ao serviço da agência BBDO, NY, USA, onde começou a trabalhar como recepcionista.

Reencontro

Estes anúncios da Twinings falam-nos do regresso a si. Mas este regresso não é uma peregrinação, antes uma errância; não segue um caminho, faz uma travessia. Sem lugar marcado. Até porque, pese o desenlace proposto, não existem almas gêmeas nem um verdadeiro eu algures à nossa espera. Condizente com esta ideia de travessia sem farol à vista resulta a escolha do ambiente: a névoa, num anúncio, o mar, no outro.

Marca: Twinings. Título: Hill. Agência: Smuggler Amy BBDO London. Direção: Psyop. UK, Março 2012.