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Pêlo sim, pêlo não

BicNão há tréguas na guerra dos pêlos. Agora, o pomo da discórdia é a barba. Lembra os cabelos compridos dos anos sessenta. Naquele tempo, ouviam-se rumores alusivos à feminilidade e à androginia dos cabeludos: Mick Jagger, David Bowie, New York Dolls… Ressurgiu, entretanto, a moda dos cabelos compridos. Uma opção de pouca duração. E se quem deixou crescer o cabelo é o mesmo que deixa crescer agora a barba? Um cocktail simbólico de género? Além de emblema, a barba pode ser um estigma, um sinal de marginalidade e de descuido de si. É nesta tecla que aposta o anúncio “The Hipstervention”, uma paródia de anúncio de sensibilização, promovido pela Bic, empresa a quem a moda masculina não corre de feição. Importa desbarbear-se: Shave the beard. Save the world.

Marca: Bic. Título: The Hipstervention. Agência: McCann Erickson Melbourne. Direcção: Aaron Wilson / Airbag. Austrália, Agosto 2015.

A barba e o pecado

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O anúncio Ready for the next level, da Braun Rasierer, encara a existência como um videojogo. As etapas da vida são níveis de um videojogo do tipo Super Mario ou Sonic. E qual é o objetivo? Uma máquina de barbear. Divino, não é? Como diria Martinho Lutero:

“O pecado original está em nós do mesmo modo que a barba. Corta-se hoje, a nossa cara fica fresca, no dia seguinte volta a crescer; enquanto formos vivos, ela não para de recrudescer” (Les Propos de Table de Martin Luther, Paris, Garnier Frères, 1844).

Marca: Braun. Título: Next Level. Agência: AMV BBDO, London. Direcção: Keith Schofield. UK, Junho 2015.

Contracorrente. A barba.

Jovem leitor com barbaO corpo ocupa um lugar chave no “processo civilizacional”, estudado por Norbert Elias. Século após século, o corpo alonga-se, alisa-se e fecha-se. Nesta tendência, valoriza-se a altura e limam-se as saliências. Os pelos acabaram reduzidos a pequenas reservas bárbaras em vias de extinção. As teorias são assim: vulneráveis. Não há nada que o homem possa fazer que, mais cedo ou mais tarde, não faça. O homem entendeu dar uma nova oportunidade à barba, símbolo ostensivo agregador e demarcador. Não me lembro de juventude tão barbuda. Este ressurgimento não é favorável às empresas dedicadas ao ato de barbear, cujos anúncios se dividem em dois tipos: promoção da qualidade extraordinária das lâminas e das máquinas de barbear; ou defesa da suavidade de uma pele bem barbeada. A Wilkinson costuma enveredar por esta última solução.

O primeiro anúncio, acabado de sair, ocorre num dos espaços mais agradáveis de Paris: o jardim do Luxemburgo. Num local onde não sobram assentos, a cadeira “peluda” é rejeitada por todos. O anúncio é longo e bastante relaxante. O segundo anúncio, de 2014, ilustra a pogonofobia (medo das barbas) dos bebés face a pais barbudos. O anúncio é mais curto e algo incomodativo.

Parabéns a todos os jovens com barba que fazem hoje anos!

Marca: Wilkinson. Título: The lonely chair. Agência: J. Walter Thompson Paris. França, Março 2015.

https://vimeo.com/103992385

Marca: Wilkinson. Título: First Impression. Agência: Labamba. Direcção: Robert Nylund. Alemanha, 2014.

Humor tranquilo

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É a vez dos barbudos. Bem alinhados, bem expostos, bem estereotipados, como numa caderneta de cromos. Aguardam a vez para o corte do bigode e da pera. A barba é uma barreira à leitura dos lábios. A Pro Audito Bern agradece a limpeza. Será este anúncio uma amostra do humor suíço? Um humor tranquilo.

Marca: Pro Audito Bern. Título: Donations. Agência: Ruf Lanz. Direcção: Serge Hoeltschi, Suíça, Junho 2014.

Expressão

Um momento de boa disposição, em especial para os amantes de histórias bem contadas! Quase sem palavras… O paradoxo da individualização em grupo. Desde o recorte inicial do espelho até à montagem da anamorfose final, este anúncio lembra, sequência a sequência, a microssociologia de Georg Simmel.

Marca: Philips. Título: Exprésate todos los días. Agência: Phantasia, Lima. Perú, Agosto 2012.