Tag Archive | Autumn Leaves

Folhas perpétuas

Candido Portinari - Circo, 1958
Candido Portinari – Circo, 1958

Continuo empenhado na recuperação de artigos remotos. Hoje, a seleção impôs-se sem grandes hesitações. Seguem os dois artigos que se destacam claramente: Portinari e o burro montado às avessas, colocado em 8 de julho de 2017, e As Folhas Mortas, em 8 de julho de 2013. O primeiro remete para arte, o segundo, para a música, domínios privilegiados do Tendências do Imaginário.

Não resisto a citar um comentário ao artigo sobre o Portinari. O blogue suscita raramente interação. Quero, contudo, crer que este testemunho dá voz ao silêncio de muitos seguidores. Seria, de outro modo, difícil compreender as cerca de 400 visualizações diárias alcançadas em média pelo Tendências do Imaginário, a maioria proveniente de 4 países: 41% do Brasil, 32% de Portugal, 8% dos Estados Unidos e 8% da China e Hong Kong (dados respeitantes ao mês de junho de 2026).

Encontrei teu blog por acaso, estava pesquisando de quem era o trípidito O juízo final, e o Google images me trouxe até aqui. Estou absorta em teus escritos. Obrigada por compartilhar teus pensamentos. (Nicole Munhoz, 24-07.2017).

Alergia

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Ernest Bieler. Les Feuilles Mortes. 1899.

War é um anúncio que põe à prova o amor à natureza. Contra a moléstia biológica, não há defesa possível. Os pólenes são agressores ubíquos e impercetíveis. Quem adormecer ao sol no jardim, arrisca-se a ter, ao acordar, um dente-de-leão a crescer no umbigo. Uma pessoa inala estas micro fertilidades sem dar conta… Disparate? Sabe bem dizer disparates. Devia ser embaixador do disparate, ministro, presidente ou comentador, mas falhei a vocação. Desgraçadamente, por altura do chamamento, devia estar a passar pelo túnel da Avenida da Liberdade. O anúncio da Benadryl é primaveril. Poliniza os espíritos.

Marca: Benadryl. Título: War. Agência: JWT London. Direcção: Steve Cope. Reino Unido, 2009.

Neste anúncio, as plantas dançam. Lembram (os descaminhos da memória são insondáveis) a canção Les feuilles mortes (versão original francesa: https://tendimag.com/?s=montand). Existem muitas interpretações em inglês (Autumn Leaves): Natalie Cole, Eva Cassidy, Chet Baker, Miles Davis, Paula Cole… Recentemente, Eric Clapton. Opto por Nat King Cole (álbum Nat King Cole Sings For Two In Love, 1955). Para terminar, uma confidência: há momentos e lugares em que as folhas caem com mais sentimento.

Nat King Cole. Autumn Leaves. Nat Kin Cole Sings For Two In Love. 1955.

As Folhas Mortas

Há experiências que vão e voltam, mas não nos largam. As Feuilles Mortes, traduzidas para inglês como Autumn Leaves, regressam, agora, pela mão do trabalho de um aluno sobre “o saxofone e a música contemporânea”. Já tinha “postado” a canção, mas o link foi desactivado. A internet está repleta de vazios digitais com epitáfio: “Este vídeo não está disponível porque a conta YouTube associada a este vídeo foi encerrada”. São folhas mortas de um outro género. Um destes dias vou dedicar-me a catar estes zombies electrónicos. Seguem um pequeno excerto, em português, da letra da canção Les Feuilles Mortes, a versão saxofone de Stan Getz e a interpretação de Yves Montand. Sem esquecer o quadro de Remedios Varo (1908-1063).

Remedio Varo. Les feuilles mortes. 1956
Remedio Varo. Les feuilles mortes. 1956

As folhas mortas recolhem-se com uma pá
Tu vês, não me esqueci…
As folhas mortas recolhem-se com uma pá
As recordações e os remorsos, também
E o vento do norte leva-os consigo
Na noite fria do esquecimento.

Stan Getz · Stan Getz Quintet – Autumn leaves (remastered), 1995. Composição de Joseph Kosma. [Restaurado em 08.07.2026]
Yves Montand – Les Feuilles Mortes. No Olímpia, 1981. Composição de Joseph Kosma. [Restaurado em 8.07.2026]