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O Sentido de Comunidade num Mundo às Avessas

Grotesque flutist. French_illuminated_manuscript. illustration 1408 MS Douce.144 f 28v.

Grotesque flutist. French illuminated manuscript. illustration 1408 MS Douce. 144 f 28v. Séc. XV?

Há uns dez anos, escrevi um artigo sobre a praxe. Ainda o assunto não fervia. Não é um texto pensado por um pensador pensativo. Intentava apenas compreender. Mas compreender para quê quando, hoje, se sabe tudo e quase só importa avaliar?  Apesar de me ter sido encomendado, o texto ostenta a marca do diletantismo. Naquele tempo, os praxantes já trajavam de negro, mas a praxe ainda não. Junto um pdf sem as imagens e com gralhas. A referência é: “O sentido de comunidade num mundo às avessas: o realismo grotesco nas tradições académicas de Braga”, FORUM, nº30, Jul./Dez., 2001, pp. 75-89. Este artigo nunca esteve disponível online. Esta é a vez primeira.

O sentido de comunidade num mundo às avessas

 

Solidão Excitada

Zygmunt BaumanOuvir Zygmunt Bauman, nem que seja por três minutos, é um bálsamo e um desafio:

Quando eu era jovem, eu não tinha o conceito de redes, eu tinha o conceito de laços humanos, comunidades… esse tipo de coisa, mas não de redes (ver entrevista 3 minutos com Bauman: As amizades de Facebook, 22 Outubro 2013).

Trinta anos depois, quando eu era jovem, a sociologia dispunha, além dos conceitos de laços humanos e de comunidades, também do conceito de redes sociais. A par da edição do livro de Jeremy Boissevain (1974), Friends of Friends; Networks, Manipulators and Coalitions, Georges Balandier dedicou, em 1979, uma disciplina ao estudo das “redes de dependência pessoal”. Passo a resumir duas ou três ideias:

  1. Uma rede não é hierárquica. Numa hierarquia, se A manda em B e B manda em C, então A manda em C. Numa rede, A não manda necessariamente em C, pode nem o conhecer. Se A precisa dos serviços de C, e não tem uma ligação directa com ele, não os pode pedir directamente a C, mas a B e este, por seu turno, a C. Em suma, C tem uma relação de dependência com B, não com A. Neste tipo de rede social, as relações são diádicas e não são transitivas.
  2. Na rede, as relações pautam-se pelo princípio de reciprocidade. A e B têm direitos e obrigações, um face ao outro. Este princípio de reciprocidade é fundamental para que ambos tenham interesse na relação. Reciprocidade não significa simetria. Normalmente, a relação é assimétrica. Uns podem dar ou receber mais que outros.
  3. As redes são compostas por relações de dependência pessoal: trata-se de díades que envolvem pessoas, de relações diádicas pessoalizadas, como refere Bauman, “conexões reais, frente a frente, corpo a corpo, olho a olho”.
  4. O desempenho da rede é caracterizado pela previsibilidade. As redes são eficazes na prossecução dos objetivos. Corrigem a a mais pequena falha. Atente-se, por exemplo, na orgânica, na dinâmica e na eficácia da máfia e das redes do contrabando ou da emigração clandestina.

Não falo da mesma rede social que Bauman. Na minha perspetiva, Facebook, Twitter e Linkedln não configuram redes sociais, pelo menos, não correspondem ao meu conceito. Não comprometem pessoas na base da reciprocidade (não configuram direitos e obrigações mútuos), os resultados das ações não são previsíveis (iniciativas marcadas pela incerteza) e, como enfatiza Bauman, não assentam em “laços sociais”. As “redes sociais” de rede social têm muito pouco. São “redes electrónicas” que funcionam, como refere Bauman, por conexão/desconexão. Atendendo ao tipo de contacto, à configuração, ao envolvimento e à comunicação, as redes sociais, como o Facebook, o Twitter ou o Linkedln, aproximam-se mais da noção de multidão do que da noção sociológica de rede social. Uma multidão digital carregada de endereços electrónicos, com identificações, sentimentos e mobilizações que lembram, por vezes, La Psychologie des Foules, de Gustave Le Bon (1895): diluição da responsabilidade, emoção e contágio. Uma multidão eletrizada por um sem número de circuitos e de ignições. Uma multidão composta por contactos sem laços, com tendência para uma solidão excitada, ou, para retomar o título do livro de David Riesman (1950), para uma multidão solitária.

Que noção de redes sociais escolher? Pierre Bourdieu insistia que não é vocação do sociólogo andar atrás das palavras correntes como o peixe atrás do isco. À força de lavar conceitos na espuma dos dias nem sequer com conceitos híbridos, líquidos ou polissémicos ficamos, mas com conceitos que são, ironicamente, o contrário do original.

 

Corpos comunicantes. A educação pelos sentidos no Mosteiro de Tibães – I

Em parceria com o Paulo Oliveira, estou a escrever um texto dedicado à educação pelos sentidos no Mosteiro de Tibães. Maior que uma crónica e sem aparato de artigo, vai ter uma primeira publicação por partes no ComUM online. Como dizem os pintores, trata-se de uma primeira mão. Em bruto, sem referências completas, nem análises finas da semiótica dos espaços, nem imagens. Para já, é um nada académico. Precisa de outra compostura e, pelos vistos, de algum marketing. Como cada um dá o que tem, esta é a minha prendinha de Natal, aquela que ninguém pediu nem necessita (carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.comumonline.com/?p=978)

Albertino Gonçalves e Paulo Oliveira. Corpos Comunicantes I. ComUM Online.

Albertino Gonçalves e Paulo Oliveira. Corpos Comunicantes I. ComUM Online.

A Semântica do Poder

Para aceder à crónica, carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.comumonline.com/opiniao/item/2047-a-fraqueza-das-palavras.

A Fraqueza das Palavras

Michel Maffesoli

Michel Maffesoli e Muniz Sodré. Seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo. Tibães, 2005,

Michel Maffesoli e Muniz Sodré. Seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo. Tibães, 2005,

Michel Maffesoli faz hoje anos. Foi meu professor na Sorbonne em 1981 e contribuiu para a minha apetência pelo estudo do imaginário. Confesso que é uma das raras pessoas a quem invejo a qualidade da escrita e do discurso.

Seguem três ligações, algumas em jeito de prenda digital:

– Uma entrevista recente de Michel Maffesoli (11/11/2013): Narcisses. Sommes-nous la géneration la plus obsedée par ses défauts physiques de l’histoire de l’humanité?http://www.atlantico.fr/decryptage/narcisses-sommes-generation-plus-obsedee-defauts-physiques-histoire-humanite-michel-maffesoli-895382.html

– Um vídeo, O Desconcerto do Mundo, concebido para um seminário, O trágico e o Grotesco do Mundo Contemporânio (Tibães, 2005),  com a participação de Michel Maffesoli: https://tendimag.com/?s=desconcerto+do+mundo;

As Duas Faces, Imagens de Cristo, um vídeo talhado para quem reconhece o valor e o alcance das imagens religiosas, tema que abordei parcialmente na comunicação “Le Mélange Insensé; De l’enluminure au digital”, nas jornadas Socialité Postmoderne (Sorbonne, Junho 2011), organizadas pelo Centre d’Etude sur l’Actuel et le Quotidien, dirigido por Michel Maffesoli: https://tendimag.com/?s=duas+faces.

Michel Maffesoli, José da Silva Lima e José Bragança de Miranda. Seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo. Tibães, 2005.

Michel Maffesoli, José da Silva Lima e José Bragança de Miranda. Seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo. Tibães, 2005.

Emagrecimento à portuguesa

Mais uma crónica no comUM online. Para aceder, carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.comumonline.com/opiniao/item/1997-rebaixamento.

Rebaixamento

Imagens do impossível

Honda Illusions

“Estes anúncios apresentam‐nos, ao jeito de Escher, mundos impossíveis. Impossíveis, mas convincentes: “Tudo ali nos parece muito estranho e, no entanto, é bastante convincente” (Ernst, 2007: 51). Trocam‐nos os olhos e até nos causam um impacto físico. “Falam‐nos ao corpo” (Kerckhove, 1997: 38). Mexem connosco e, sobretudo, conduzem‐nos a experienciar o impossível. Eis a principal razão para o tamanho do quadro ter que ser maior do que o tamanho do mundo. Para se pintar, além das paisagens e das histórias previstas por Alberti, o sonho e o impossível”,
Albertino Gonçalves, “Como nunca ninguém viu”, Martins, Moisés de Lemos et alii (2011), Imagem e Pensamento, Coimbra, Grácio Ed., pp. 139-165.

“Como nunca ninguém viu” (ver pdf) aborda o papel da ilusão nos anúncios publicitários. O novo anúncio da Honda, Illusions (vídeo 1), teve o condão de ressuscitar este texto entre páginas amortalhado (por sinal, um dos meus preferidos). O anúncio da Honda não é de todo original. O Illusions do Audi A6 (vídeo 3) abriu caminho há quase dez anos. Já os conteúdos, inspirados na arte de rua, têm assinatura própria: oito ilusões ópticas de belo efeito.
Pdf: Albertino Gonçalves. Como nunca ninguém viu. Imagem e Pensamento

Marca: Honda. Título: Illusions. Agência: Mcgarrybowen, London. Direção: Chris Palmer. Reino Unido, Outubro 2013.

The Making of of Honda Illusions.

Marca: Audi. Título: Illusions. Agência: Bartle Bogle Hegarty.  Direção:  Anthony Atanasio. Alemanha, Junho 2004.

Caravanas

Começam as aulas, regressam as crónicas. Umas vezes, a rufar tambores, outras, a tanger violinos. É a vida! Para aceder, carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.comumonline.com/opiniao/item/1862-caravanas.

Caravanas

A estrela e o eremita

Escrevemos em todas as direcções sobre todos os assuntos. Acertar é cada vez mais difícil. Junto um texto (a blogosfera em crónicas) publicado no Correio do Minho, do dia 9 de maio:

CM_09_05_13 14

A Pragmática e o Memorando

É mais difícil escrever e não dizer nada do que escrever e dizer alguma coisa. Carregar na imagem ou no seguinte endereço: http://www.comumonline.com/opiniao/item/1770-a-pragmatica-e-o-memorando.

A Pragmática e o Memorando

A Pragmática e o Memorando