Orientação

Como são diferentes as campanhas de saúde pública no “Oriente” e no “Ocidente”! Nas primeiras, os anúncios apostam no humor e no envolvimento, como na seguinte paródia contra o excesso de consumo de açúcar; as segundas, na severidade e na estigmatização, como, por exemplo, contra o consumo de tabaco e de álcool. Talvez seja de considerar um pouco de “orientação”.
Tempos de Amor e Ódio
A uma refugiada em Paris durante a Guerra
Civil Libanesa iniciada em 1975

Thanatos, a pulsão de morte e a violência, aqui tão perto e Eros, a partilha e o Live Aid, já tão longe…
Seguem dois excertos da histórica prestação dos Queen no Live Aid 85 com as canções: Bohemian Rhapsody; We Will Rock You; e We Are The Champions.
Memorial

Existem momentos em que é muito importante recordar; nos outros, também! Agradeço à Almerinda Van Der Giezen a partilha deste dois links respeitantes ao espiritual “Wade in the Water”.
Imagem: Peter Lely. Elizabeth Murray (1626–1698)with a Black Servant. C. 1651
“Wade in the Water” é um dos espirituais afro-americanos mais conhecidos e carregados de significado histórico, cultural e religioso. A canção remonta ao século XIX e está profundamente ligada à experiência dos escravizados nos Estados Unidos e ao movimento de libertação por meio da Underground Railroad (Rede de Fuga). (…)
Interpretação religiosa:
• Faz alusão ao episódio bíblico de João 5:4, onde um anjo “agitava as águas” e quem entrasse primeiro seria curado. A ideia é que Deus está presente e ativo, oferecendo livramento e cura.
• O uso da palavra “trouble” (perturbar/agitar) sugere que algo milagroso está prestes a acontecer.
Interpretação codificada:
• Acredita-se que essa música também tinha função prática na fuga de escravizados. “Wade in the water” era um conselho literal: entrar na água para mascarar o rastro e confundir os cães farejadores dos caçadores de escravos.
• Harriet Tubman, uma das principais líderes da Underground Railroad, teria usado canções como essa para comunicar rotas e perigos de forma velada. (…)
Legado
“Wade in the Water” é mais que uma canção: é um símbolo de resistência, fé e inteligência coletiva dos povos escravizados. Faz parte de um legado musical e cultural que influenciou o gospel, o blues, o jazz e o soul, sendo até hoje cantada em contextos religiosos, educacionais e artísticos. (ChatGPT, 29/05/2025)
Alpercatas emancipatórias
Mais um anúncio tailandês.
Dar a volta por baixo
Se ao meio-dia o rei te diz que é noite, deves procurar as estrelas?
A beleza costuma ser diurna, solar. Brilha ao ponto de se tornar ofuscante! Mas pode dar-se-lhe a volta e torná-la noturna, ou seja, perigosa e mortal, fazê-la, por exemplo, descer do pódio para o túmulo (anúncio “Dress for the moment”). Parece, aliás, que nos anúncios da New Yorker a noite tem tendência a instalar-se. Em “Closet”, a inversão prossegue; agora, do masculino para o feminino. Perturbador!
Morte Encalhada
Algumas fealdades são mais atraentes do que a beleza comum (Juliette Benzoni).
Testar um sentimento não é namoro que se evapore num ápice. Arrisca agudizar-se ou alastrar-se. A disforia das fragâncias do inferno de Sharon Kovacs pode ressoar, por exemplo, no videojogo Death Stranding, uma deambulação entre a vida e a morte num mundo catastrófico, com forças ocultas, ameaças assombrosas e seres disformes, embalado numa estética épica do feio e do mal, apostada em ambientes deslumbrantes e músicas envolventes.
A estreia do videojogo Death Stranding 2: On the Beach está anunciada para o próximo mês de junho. Segue um trailer.
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Sim, há seres disformes, ameaças assombrosas, mas estas novas gerações o que esperam do mundo afinal? Creio serem metáforas de tudo o que vivemos e do que receamos. É recriado um mundo apocalíptico, mas onde ainda peŕsiste o bem e o mal. Nem as asas são dispensadas, as brancas e as negras. E sobretudo, o amor tem o seu lugar incondicional, com novos heróis e heroínas a combater o mal. Ou o combatem ou são aniquilados. Tudo, pareceu-me, para salvar uma inocência renascida, o bebé protegido a todo o custo, ou seja, o fruto do amor e da vida. Um recomeço.
Não sou fã deste tipo de alegorias mas entendo a necessidade destes novos jovens que, na sua maioria, só vêem desalento, incertezas, guerras e genocídios aceites tacitamente, solidão e não pertença, o horizonte não é mais o mesmo. Necessitam cruzar portas imaginárias onde conseguem ver beleza, amor e uma verdadeira luta, não com o invisível das suas vidas, mas monstros e morte personificadas. Porque a vida só tem sentido encarando toda a obscuridade dos demónios, os de dentro e os de fora, e a morte só é vencida quando a vida faz sentido.
Faz sentido? (Almerinda Van Der Giezen, 22.03.2025)
Catavento

Para que lado sopram os ventos além Atlântico? Será que se reorientam para o grotesco, eventualmente brutesco? Com ou sem burrasca (italiano)?
Imagem: Claude Monet. Tempête sur les Côtes de Belle-Île. 1886
Delírio ou deleite?

A publicidade pode aspirar a ser profética? Os novos tempos serão desvairados e agressivos, como no anúncio Goldilocks And The Three Trucks, da Dodge ou nem precipitados, nem furiosos, como no anúncio Not So Fast, Not So Furious, da Häagen-Dazs? Ambos os anúncios provêm de empresas norte-americanas e passaram ontem, dia 9 de fevereiro, durante o Super Bow 2025.
Filhos da Vida

Se fosse imortal, inventaria a morte para ter o prazer de viver (Jean Richepin. La Chanson des Gueux, 1876)
Nada em nós é eterno. Filhos da vida, herdamos a morte. Qual é a nossa pegada? Vale a pena atardar-se neste anúncio de seis minutos. Acelerado e excessivo em referências históricas, “Immortal” representa mais uma dádiva do Royal Ontario Museum. Por (des)ventura, demasiado generosa face à atenção que nos prestamos a dispensar.


