A Arte pela Arte
Este anúncio, Let Art Decide: Dog, remete-nos para a divisa “a arte pela arte”, adoptada por Théophile Gautier nos anos 1830. Pierre Bourdieu considerou esta divisa como a expressão mais emblemática da autonomia do campo da arte. Como reivindica este anúncio, “a arte pela arte” requer que a avaliação das obras artísticas se paute exclusivamente por princípios e critérios intrínsecos à arte, emancipando-se, assim, da moral, da religião, da economia e da política. Téophile Gautier escreveu vários textos fantásticos, entre os quais Avatar (1856), um conto em que as almas das personagens migram de corpos em corpos. Segue o pdf em português: Théophile Gautier. 1856 Avatar.
Anunciante: Art Directors Club. Título: Let Art Decide – Dog. Agência: The Conquistadors Collective. Direção: Jordi Soler. EUA, Dezembro 2012.
A lã e a neve
Vestir os nus
Na sequência do Concílio de Trento (1545-1563), como resposta à Reforma, sopram ventos de “modéstia” e contenção na Igreja Católica. E a arte é eleita como um dos principais domínios de intervenção. Ao mesmo tempo que passa a desempenhar um papel crucial na comunicação da fé, entra no purgatório, sujeitando-se a pesada censura. A fantasia e a imaginação tornam-se suspeitas. Os grotescos, que, há poucas décadas, no tempo do papa Júlio II, encheram as galerias e os tectos do Vaticano, tornam-se, de um momento para outro, mal vistos. Por outro lado, as disposições tridentinas requerem fidelidade aos textos sagrados.
Paolo Veronese vê o quadro “Santa Ceia” recusado pelo Santo Ofício devido à presença de figuras extravagantes deslocadas (bobos, bêbados, anões), indignas da solenidade do ato representado. O pintor acabou por lhe mudar o nome para Banquete na Casa de Levi (1573). O próprio El Greco é admoestado por causa de uma das suas obras-primas, o Espólio de Cristo (1577-1579), que pecava por dois motivos: no canto inferior esquerdo, aparecem as Três Marias (a Virgem, Maria Madalena e Maria de Cleofás), quando as Escrituras só as mencionam no Calvário; por outro lado, a cabeça de Cristo surge abaixo das cabeças de outros figurantes (ver figura 1). Para além da sobriedade imaginativa e da fidelidade aos textos sagrados e aos dogmas da Igreja, também era advogada a simplicidade. A devoção do pintor espanhol Fancisco de Zurbarán não o livrou do seguinte reparo por parte da Inquisição: nas suas imagens, as santas estão trajadas com excessivo luxo (ver, por exemplo, Santa Ágata, figura 2).
Mais preocupante do que o luxo é a luxúria, pecado capital. O combate à lascívia, à sensualidade, ao apelo carnal constituiui a vertente mais notória da intervenção da igreja tridentina ao nível da arte. Importava estancar e corrigir, por toda a parte, esta fonte de ofensas. O alvo prioritário foi o nu na pintura e na escultura, com destaque para a exposição de órgãos genitais.
O episódio mais conhecido diz respeito aos frescos pintados por Michelangelo na Capela Sistina, nomeadamente a parte do Juízo Final (1537-1541). Tamanho desfile de nus chocava a nova concepção da arte. Ainda durante a própria execução da obra, várias personalidades consideraram os frescos de Michelangelo inconvenientes. Biaggio de Cesena, mestre de cerimónias do Vaticano, queixou-se ao papa que tantos nus indecentes não condiziam com um lugar tão honorável, que eram mais próprios de uma hospedaria ou de umas termas do que da Capela do Papa. A reacção de Michelangelo não se fez esperar: pintou Minos, juiz dos infernos, com a cara de Biaggio de Cesena, e, para compor, acrescentou-lhe orelhas de burro (ver figura 3).
Em vida de Michelangelo, a Congregação do Concílio de Trento decidiu cobrir as partes mais ofensivas do Juízo Final. O papa Pio V encarregou dessa missão, em 1559, Daniel de Volterra, discípulo e amigo de Michelangelo, que aceitou contrariado. Ficaria, doravante, conhecido como o “braghetone”. Mas Daniel de Volterra não foi o único a colocar bragas às figuras desnudadas de Michelangelo. Pelos séculos fora, outros pintores foram chamados a assegurar o decoro da Capela Sistina.
As bragas púdicas são, hoje, consideradas parte da história e da arte da Capela Sistina. Nenhum restauro ousou retirá-las. Fica assim vedado o acesso ao original de Michelangelo. Podemos, no entanto, socorrer-nos de uma aproximação indirecta. Marcello Venusti (1512-1575) fez uma cópia de escala do Juízo Final, encomendada pelo Cardeal Alessandro Farnese e aprovada pelo próprio Michelangelo. Esta cópia data de 1549, oito anos após a conclusão dos frescos de Michelangelo, antes do generoso restauro das bragas (ver figuras 4 e 5; em alta resolução).
A intervenção junto dos nus da Capela Sistina é, provavelmente, a mais longa e a mais conhecida da história da arte. Não foi, porém, a única, nem sequer a mais intrusiva. As medidas disciplinadoras aprovadas pelo Concílio de Trento tiveram efeitos retroactivos. Não havia imagem ou escultura, obra de arte, que não fosse visada. Nem sequer as estátuas da antiguidade grega e romana escaparam à censura purgatória. Os órgãos genitais masculinos são cortados ou revestidos com folhas de plantas, nomeadamente de figueira, razão pela qual esta mobilização contra o nu ter ficado conhecida como a “campanha da folha de figueira” (ver documentário).
Assiste-se, em poucas décadas, a uma inversão da atitude face ao corpo. Nos séculos precedentes, o corpo nu significava perfeição e pureza. Consubstanciava uma espécie de expressão do toque do divino que fez o homem à sua imagem. Agora, o corpo é imperfeição, tentação, carne do pecado, pasto do demónio, com realce para as partes baixas e os órgãos genitais.
Em 1503, o Papa Júlio II criou um espaço no Vaticano, o Pátio do Belvedere, para acolher a sua colecção de arte, bem como obras antigas de descoberta recente. Em 1508, encarregou Michelangelo de pintar o tecto da Capela Sistina. Volvido meio século, uma das primeiras medidas do Papa Pio V, coroado em 1566, consistiu em dissolver a colecção reunida pelo Papa Júlio II no Belvedere do Vaticano. As estátuas greco-romanas, desconsideradas como ídolos, ou são escondidas ou são enviadas para o Capitólio. Este mesmo papa, Pio V, manda, em 1559, Daniel de Volterra cobrir as vergonhas dos corpos do Juízo Final de Michelangelo.
Após vários séculos de explosão, exuberância e prazer das imagens, o século XVI abre um período de cerco à imagem e de guerra de imagens.
Galeria: Imagens de Adão e Eva nos séculos XV e XVI
- Fig 11. Masolino da Panicale. Tentação. Capela Brancacci. Restauro sec. XVII
- Fig 6. Ticiano, Adão e Eva. 1550
- Fig 1. El Greco. O Espólio de Cristo. 1577-1579.
- Fig 12. Masaccio. Expulsão de Adão e Eva do Paraíso. 1426-1428 (alterado em 1680 e restaurado em 1980)
- Fig 13. Retábulo do altar da capela Jan van Arkel. Catedral de Utrecht. Descoberta por detrás de uma parede de gesso em 1919. Datada do séc. XV, foi desfigurado em 1572 durante a Reforma .
- Fig 14. Lucas Chranac. Paixões de Cristo e do Anticristo. 1521
- Fig 15. Lucas Chranac. Paixões de Cristo e do Anticristo. 1521
- Fig 2. Francisco e Zurbarán. Santa Ágata. 1630-1633.
- Fig 5. Marcelo Venusti. Cópia do Juízo Final de Michelangelo. 1549.
- Fig 4. Michelangelo. Juízo Final. 1537-1541.
- Fig 3. Michelangelo. Juizo Final. Pormenor. Minos.
Não foi a modéstia da Contra-Reforma, mas o zelo dos pintores do Renascimento do Norte quem vulgarizou o encobrimento dos órgãos genitais com folhas de plantas. Para além dos ressuscitados no Juízo Final e dos condenados ao inferno, não há nudez mais incontornável do que a de Adão e Eva no paraíso. Pintores como Albrecht Dürer, Jan Gossaert, Hans Baldung, Jan van Scorel e Lucas Cranch respaldam-se na própria palavra bíblica para justificar a utilização das folhas virtuosas (ver galeria de imagens).
Mal Adão e Eva acabaram de comer o fruto da árvore que se erguia no centro do jardim celeste, “os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si” (Genesis, 3. 7). As folhas de figueira são mencionadas no Genesis como forma de ocultar a nudez vergonhosa dos primeiros pecadores. Recorde-se que, no paraíso, antes do pecado, a nudez não era vergonhosa e dispensava, portanto, a folha de figueira: “O homem e a mulher estavam nus, e não se envergonhavam” (Genesis, 2. 25). Mas não faltam motivos para estrelar uma folha sobre as partes criativas. Consta que Ticiano colocou ramos no Adão e Eva (1550) por deferência ao fervor religioso do destinatário, o rei Filipe II de Espanha (ver figura 6).
Quem observa pinturas com Adão e Eva, como nos painéis do altar de Ghent, da autoria de Jan van Eick (1432; ver figura 7), dificilmente resiste a interrogar-se se as folhas de figueira são, de facto, tão originais quanto os quadros. O ímpeto correctivo do ser humano não tem limites. Em pleno século XIX, as imagens de Adão e Eva, estimadas impróprias, foram substituídas por outras vestidas a preceito (ver figuras 7 e 8 ).
Sobreviveram, felizmente, algumas imagens de Adão e Eva, com ou sem maçã, sem folha de figueira, ou seja, em nu integral.
A miniatura com Adão e Eva, reproduzida na figura 9, escapou à censura, talvez por pertencer a um livro de horas, o Breviário Grimani (1515-1520) , objecto portátil propriedade privada de uma família de Veneza.
- Fig 10. Masolino da Panicale. Tentação. Capela Brancacci.1425-14
A Tentação (1425-1427), de Masolino de Panicale (1383-1447), e a Expulsão de Adão e Eva do Paraíso (1426-1428), de Masaccio (1401-1428), encontram-se face a face em dois murais da Capela Brancacci, na Igreja de Santa Maria del Carmine, em Florença. Por volta de 1670, um restauro agraciou as imagens com as inevitáveis folhas de resguardo (ver figuras 11 e 12). Recentemente, no decurso de um longo e polémico restauro realizado entre 1981 e 1991, entendeu-se que as folhas acrescentadas no século XVII não eram património bastante para impedir a sua remoção. E foram retiradas uma a uma. Pode-se ver o resultado nas figuras 10 a 12.

Fig 12. Masaccio. Expulsão de Adão e Eva do Paraíso. 1426-1428 (alterado em 1680 e restaurado em 1980)
A Igreja Católica não foi a única a ajustar contas com as imagens. A Reforma deu azo a grandes movimentos iconoclastas nos territórios sob influência protestante. Como Erasmo testemunhou, esvaziaram-se igrejas, quebraram-se estátuas, queimaram-se quadros e apedrejaram-se altares (ver figura 13). Na Alemanha, Lucas Cranach, amigo de Lutero, não tinha mãos a medir na produção de altares para substituição daqueles que tinham sido, entretanto, destruídos. Zwingli e Calvino pregavam contra as imagens associadas à idolatria. Andreas Karlstad (1486-1541), um dos principais mentores do iconoclasmo protestante, publica em 1522 um pequeno livro intitulado Da Eliminação de Imagens, que teve uma enorme repercussão.

Fig 13. Retábulo do altar da capela Jan van Arkel. Catedral de Utrecht. Descoberta por detrás de uma parede de gesso em 1919. Datada do séc. XV, foi desfigurado em 1572 durante a Reforma .
O século XVI não se distinguiu apenas pelo ressurgimento do iconoclasmo, pela guerra às imagens, albergou também uma guerra de imagens sem precedentes. Circulou pela Europa um sem número de folhetos e de gravuras, dos protestantes contra os católicos e vice-versa. Muitos promoviam diabolizações explícitas e caricatas do adversário. São célebres as gravuras impressas da autoria de Lucas Cranach. Algumas apresentavam-se aos pares: de um lado, Cristo, do outro, o Anticristo. Por exemplo, Cristo a expulsar os vendilhões do Templo versus o papa, também num templo, sentado num trono, a vender bulas e indulgências (Figura 14); ou Cristo a carregar a cruz versus o papa a ser sumptuosamente carregado (Figura 15).
E nós, estreantes do terceiro milénio, membros da civilização da imagem e do ecrã, iconófilos e “iconovoros”, como estamos?
À semelhança do Papa Pio V, excluímos do Belvedere o que toleramos no Capitólio. Intransigência com a nudez na publicidade para televisão e cinema; liberalidade nunca antes vista na arte e na internet. Tal como Ticiano antecipou o gosto do rei Filipe II de Espanha, as agências publicitárias também se sintonizam pelas directivas das altas autoridades que supervisionam os media. Na era digital, já não se recorre a folhas de figueira, mas a cortes, montagens e efeitos especiais. Por exemplo, num anúncio português recente (Hot Tub, para a Eurobest Young Creatives; ver http://tendimag.com/2012/11/07/banheira-criativa/), nos últimos segundos, um clarão digital ofusca o seio de uma mulher. Não estamos longe do Adão e Eva de Ticiano.
Não é só de sexo e de nudez que se alimenta a censura. Tal como no século XVI, o nosso tempo também tem as suas guerras de imagens. Algumas, globais. E também tem iconoclasmos selectivos. Em matéria de cruzada contra o tabaco, nem Andreas Karlstad, nem Daniel de Volterra teriam aspirado a tanto: erradicar completamente a imagem do tabaco do espaço público e trocar simbolicamente a beata de Luke Lucky por uma palhinha.
Dizem que vivemos numa realidade líquida, agitada por sombras de Dionísio. Que seja! Mas continuamos, todos os dias, a carpir o nojo da nossa vontade.
A Coleira Electrónica (ComUM online)
Gosto do correio electrónico quando a caixa fica cheia! Fica assim, por horas, por dias, pançudo, num estrangulamento feliz. As crónicas do ComUM online recomeçaram. Dedico a primeira às nossas contradições face ao correio electrónico Para aceder ao texto, clicar na imagem ou neste endereço http://www.comumonline.com/opiniao/item/1192-a-coleira-eletronica.
Métodos e Técnicas de Investigação Social I
Junto uma espécie de manual de métodos e técnicas em ciências sociais cuja primeira versão foi escrita em 1998. Por falta de tempo e de vontade não o publiquei. Pode, mesmo assim, revestir-se de alguma utilidade: Métodos e Técnicas de Investigação Social I
A crise que a pague quem não pode!
O Zé dos Votos deu ouvidos ao Zé dos Tostões: a crise que a pague quem não a pode pagar. Este é o mais recente ovo de Colombo descoberto pelas elites nacionais! Na reunião do Conselho Permanente da Concertação Social, do dia 24 de Setembro, “o primeiro-ministro afirmou que levava da reunião a necessidade de alargar o esforço a todos. E foi isso que afirmou à saída: a contribuição também do capital e do património, de “impostos directos” e do “esforço que já estava pensado para o reescalonamento do IRS”, afirmou. Aumentar ou reduzir o IVA está fora de questão. A tributação sobre o tabaco irá subir.” (jornal Público, 25.09.2012, pág. 3).
“A tributação sobre o tabaco irá subir”. Qual é a situação atual? “Portugal tem uma das mais elevadas incidências fiscais totais sobre os cigarros na UE-15 e um dos níveis de preços relativos dos cigarros (considerando as disparidades de poder de compra) mais oneroso da UE-15 – para que se perceba, na compra de um maço de tabaco, 80% reverte para impostos” (http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO038508.html, acedido 25.09.2012). A fazer fé nesta informação, quem consumir um maço de tabaco por dia está a depositar, ao preço atual, 1 139 euros, por ano, nos cofres do Estado. Um bom subsídio de férias!
“A tributação sobre o tabaco irá subir”. Houve tempos em que era possível acreditar que este tipo de medida comportava virtudes preventivas. Por exemplo, diminuir as doenças pulmonares obstrutivas crónicas. Desta vez, torna-se impossível sustentar tal pretenção. A nova tributação sobre o tabaco é um imposto destinado a combater o défice. Sem eufemismos.
Não se cobram impostos a coisas. Elas não pagam. Até agora, só se tem cobrado impostos a pessoas. Assim é com a tributação sobre o tabaco; é cobrada a pessoas. Estamos confrontados com um imposto que incide sobre uma categoria determinada de portugueses, os fumadores de tabaco, cuja composição social é conhecida (ver: http://tendimag.com/2012/09/24/os-fumadores-que-paguem-a-crise/). Que atributos económicos, sociais e culturais distinguem os fumadores que justifiquem esta sobrecarga fiscal? Não há argumentos racionais aceitáveis. Pelo menos, num país democrático. Só morais, no pior sentido, e políticos, quando a justeza deixa de ser critério. Trata-se de uma medida arbitrariamente discriminatória. Poderia ter calhado às mulheres, aos homossexuais, aos ciganos, aos alcoólicos, aos ciclistas, aos bebedores de café, aos funcionários públicos… Não, desta vez, são aos fumadores. Indexa, taxa e, com a respetiva moral nas entrelinhas, estigmatiza. Soma e segue.
Sendo esta tributação ostensivamente discriminatória, não configura um caso inequívoco de iniquidade fiscal? Pelo menos, nos termos do parecer do Tribunal Constitucional. Não será um esforço fiscal excessivo no combate ao défice pedido a uma categoria particular de portugueses? Não se estará a ferir o princípio da igualdade perante a Lei? A não ser que, como na quinta de George Orwell, alguns portugueses sejam mais iguais que outros…
“ A entrada de tabaco no mercado português baixou 11 por cento entre 2007 e 2009, o que pode ser um “indicador indireto” da diminuição do consumo, disse à Lusa Mário Carreira, da Direcção Geral da Saúde (DGS) (http://www1.ionline.pt/conteudo/54639-consumo-tabaco-baixou-em-portugal, publicado em 09 de Abril de 2010). Se, ao menos, a subida da tributação sobre o tabaco diminuísse o consumo!… Mas não! A queda do consumo tende a ser pouco significativa. Sem comparação com a queda da “entrada de tabaco no mercado português”. Desce em Portugal, mas aumenta na fronteira espanhola. E o contrabando do tabaco não desarma. E muitos fumadores converteram-se a marcas e a modalidades mais baratas. É provável que estas “compensações” que ocorreram entre 2007 e 2009 também venham a verificar-se em 2013. Aumentar a carga fiscal e recolher menos impostos constitui um efeito perverso, nos últimos tempos, mais que visto. As pessoas não são legos. E Portugal não tem que oscilar entre Sebastião e Pirro: derrotas sem luto e vitórias sem fruto.
Não conheço associações, ordens ou movimentos de fumadores. Não há risco de protestos contra a subida da tributação sobre o tabaco que encham a Avenida dos Aliados ou a Praça de Espanha. A mobilização dos fumadores desfaz-se no ar. A equidade desfaz-se em euros. Para tributar os fumadores não é necessária grande coragem. O fumador é um acossado.
Enquanto coleciona falências de empresas como não há memória, o Zé dos Tostões arma-se em conselheiro do Príncipe. Sugere ao Zé dos Votos que o Zé do Boné (alguém se lembra das suas tiras no Primeiro de Janeiro?) está mesmo a jeito para a tosquia… A ave que simboliza este país não é o galo, ainda menos a Águia, é o abutre. Parece que toda a gente sabe que quem fuma não presta. É uma ameaça pública. Quem fuma que deixe de fumar se quer ser um cidadão como deve ser. Assim manda o processo profilático de higienização social.
Fumar não presta, é verdade! Quem se aproveita disso, também não.





















































