Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Existem anúncios publicitários que se estranha como o anúncio Mi Gran Noche, da J&B. Não sei se depois também se entranham como a coca-cola do anúncio da autoria de Fernando Pessoa. Acerca da não publicação deste anúncio e da interdição da bebida em Portugal, consultar o artigo Primeiro estranha-se, depois entranha-se, da Quali.pt.
Imagem: Júlio Pomar. Fernando Pessoa. 1983
O vinagre e as moscas
Há muitas maneiras de o dizer e outras tantas de o entender, o que representa um desafio para os agentes publicitários. Tanto podem contribuir, junto do público, para o envolvimento e o agrado como para o enfrentamento e o desconforto, provocando sensações e sentimentos ora de satisfação, confiança e esperança, ora de perturbação, insegurança e receio. Difíceis de antecipar, as reações podem resultar perversas: indiferença, rejeição e, até, adversidade em vez de adesão, reconhecimento e conversão. A maioria dos anúncios comerciais, interessados em congregar e cativar, apostam na primeira modalidade; os anúncios de sensibilização, mais empenhados em assustar e mitigar, na segunda, destacando-se as campanhas antitabaco como exemplo extremo. Na prevenção ambiental ou rodoviária, a opção pela polémica e pelo choque tende a ser menos drástica e sistemática, com eventual recurso à fantasia, à simpatia e, até, ao humor. O anúncio natalício “Llegar”, da Dirección General de Tráfico (DGT), de Espanha, oferece-se como um excelente exemplo.
Um dia virá em que as altas autoridades se dignarão ponderar um provérbio antigo: “Não é com vinagre que se apanham moscas”; ou “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte barris de vinagre“.
Entretanto insiste-se, décadas a fio, na repetição, na agressividade e, muitas vezes, na intrusão sem que os resultados correspondam. Algo me escapa! Existirão outras lógicas que não consigo ou ouso equacionar? Além da conversão, a discriminação, a estigmatização e a demonização? A justificação da penalização, nomeadamente através de impostos demasiado excessivos e pouco dissuasivos? Com certeza que não, seria grave.
Abraço apertado
How many ways are there left to say I love you?
Há tantas maneiras de o dizer.
A cada um a sorte que merece?
Cada um escolhe a sua sorte, tem o futuro predestinado ou, ao jeito das tragédias gregas, abraça o seu destino? Eis algumas perguntas que um simples anúncio publicitário consegue suscitar.
Cinderela Oriental
O Tendências o Imaginário funciona como um arquivo onde guardo textos, músicas, vídeos e imagens. À procura do anúncio Thai Love Story, deparo com um aviso frequente: vídeo indisponível. Confrontado com esta contrariedade, vejo se encontro outros links disponíveis. Alcancei, mais do que o mero anúncio, um vídeo com uma série de spots da respetiva campanha: a história, em vários episódios, de uma maria rapaz (gata borralheira) que, com recurso a um creme facial (varinha mágica), se transforma numa beldade feminina, acabando por encontrar, graças a uma tatuagem (sapatinho), o noivo verdadeiro e definitivo (príncipe). A marca tailandesa Smooth propicia, destarte, um efeito Cinderela. Há males que vêm por bem!
Beatas: Luz divina e pegada tóxica
Nem tudo o que arde purifica, nem tudo o que se apaga acaba.
Quando o negócio se oferece generoso
A vida e a morte aproximam-se, dão, aliás, frequentemente as mãos. Uma pressupõe a outra. No ciclo anual, esta proximidade é particularmente pronunciada no outono. “Salta-se” de uma comemoração da morte, dos que partiram, para uma celebração da vida, dos que nascem. A publicidade acusa esta viragem. Passa a aludir mais à vida e à esperança e menos à morte e à memória. A campanha natalícia começa na primeira metade de novembro, quase a seguir ao Dia dos Mortos. Os “anúncios de Natal” circulam, portanto, há já alguns dias.
A cadeia de lojas britânica John Lewis & Partners faz questão de publicar todos os anos anúncios de rara qualidade e criatividade. Extensos, convocam um universo mágico em que crianças desenvolvem uma relação inesperada e generosa com figuras fantásticas mais ou menos associadas ao espírito do Natal.
Segue o anúncio Snapper: The Perfect Tree, estreado no dia 9 de novembro. Aproveita-se o ensejo para recordar os anúncios de Natal da John Lewis dos anos 2019 e 2021.
A importância dos notários
Sans blague! (Sem brincadeiras)!
Bons e Simpáticos
Ser bons e simpáticos não basta, pois não? No presente tal como no passado e, provavelmente, no futuro.
A dança das palavras com as imagens
As palavras e as imagens podem enlaçar-se numa espécie de valsa acelerada. No anúncio #YesOfCorsa, do Opel Corsa Electric, as perguntas marcam o compasso e as respostas ilustradas proporcionam o movimento.
