Desporto e natalidade: os bebés das vitórias

O desporto influencia a natalidade? Após as grandes vitórias, a procriação aumenta ao ponto de gerar, a devido tempo, picos de nascimentos?
O anúncio francês, com uma ponta de humor belga, “Le sport c’est la vie”, do Canal +, encena uma reportagem conduzida por uma jornalista. Consultada, uma socióloga é taxativa: “A teoria dos bebés das vitórias é sedutora, mas totalmente [estatisticamente] infundada”. Acontece que os demais testemunhos, ilustrados a preceito, defendem o contrário.
O anúncio culmina com a dita socióloga, fã assumida de Moto GP, a evidenciar uma gravidez avançada. Por coincidência, no dia 11 de maio, o francês Johann Zarco conquistou uma vitória lendária no Grande Prémio da França de MotoGP de 2025, disputado em Le Mans. Largou em 17.º e venceu com 20 segundos de vantagem em relação ao segundo. Tornou-se o primeiro piloto francês a vencer o GP de França em casa desde 1954, encerrando um jejum de 71 anos. Para bom entendedor, meia imagem basta!
Um anúncio genial, contanto em francês. Pelos vistos, Portugal, com uma média, em 2023, de 1.44 filhos por mulher dos 15 aos 49 anos, talvez ganhe em ponderar investir mais no desporto
Contra infestação

Cautela! Os intrujões andam imparáveis. A pretexto do nosso bem! Não apenas na Internet. Só vejo televisão quando a “atualidade” se presta: “cimeira decisiva”, “guerra aos incêndios”… Importunam-ne os comentadores residentes omniscientes ou os painéis que descambam em propaganda. Semelhantes intrometidos, estranhos ou conhecidos, são mais difíceis de identificar do que os vírus” bloqueados pela Telstra.
George Grosz, O Agitador. 1928
A nova campanha da Telstra, “Blocking Villains”, apresenta (…) um imperador intergaláctico que tenta aplicar golpes nos australianos, mas seus planos são frustrados pela segurança da rede da Telstra. A campanha (…) visa destacar os esforços da Telstra para bloquear ameaças cibernéticas e proteger os clientes de golpes. (…) A campanha utiliza a narrativa de uma invasão alienígena por meio de crimes cibernéticos para demonstrar a capacidade da rede da Telstra de bloquear golpes. (IA)
Carregar na imagem para aceder ao próximo vídeo

A união faz a resistência

Perante inclemências tão intempestivas e adversas, estar juntos protege-nos! Um anúncio extraordinário como este só vindo de longe, do Japão. Obrigado Almerinda Van Der Giezen, pela inesperada viagem no espaço e no tempo.
As botas do gato

São as botas do gato mais importantes do que o gato das botas?
Com um humor oriundo do Québec, manifesta-se surpreendente o delírio grotesco do anúncio The Fall Of Your Dreams, da Brown Shoes.
Imagem: Gustave Doré. O Gato das Botas. 1862
Educação sexual. Alternativas
A série Jogar às cartas com o Diabo não é leve; e ainda faltam dois episódios. Convém introduzir um intervalo para publicidade.
Existem muitas fontes de educação sexual. A publicidade será uma delas. Os anúncios seguintes, dois portugueses, oferecem-se como exemplos de modalidades alternativas.
O “Cavalo”, da Indie Júnior, aponta para a autoaprendizagem entre pares. “Os boxes para toda a obra”, da Leroy Merlin, e “Um canalizador picante, mas não muito picante”, da Doritos, possuem um valor ilustrativo, convocando a figura metafórica, assaz corrente e didática, do canalizador a domicílio.
Cosmética pomífera. Maçãs, ideias e ilusões

“Se tens uma maçã [um dólar] e eu tenho outra; e trocamos as maçãs [os dólares], então cada um ficará com uma maçã [um dólar]. Mas se tens uma ideia e eu tenho outra, que partilhamos; então cada um terá duas ideias.” (A partir de George Bernard Shaw)
Imagem: George Bernard Shaw
Numa série de anúncios provenientes da Arábia Saudita, a Apple propôe-se contribuir para a (re)composição dos retratos e dos laços de família, designadamente no que respeita ao protagonismo e ao encanto dos membros atuais e futuros. Trata-se de uma gestão da imagem capaz de potenciar o desígnio de ilusionismo almejado, sobretudo, por tantas figuras públicas, ver políticas.
A Nova Arca de Noé
A nova Arca, com asas, ou o novo Noé, do Extremo Oriente?
Preguiças, flamingos, alpacas, pinguins e outras criaturas adoráveis são as estrelas da mais recente campanha da Cathay Cargo, que realça a atenção e a zelo meticulosos que cada animal desfruta ao viajar com os serviços de Animais Vivos da Cathay Cargo. Concebida com a ajuda da agência criativa Leo Hong Kong, a campanha reinventa uma “arca” moderna – só que com asas, sem velas – para mostrar a espetacular diversidade de animais que podem viajar com a companhia aérea, bem como o cuidado personalizado que recebem em cada voo. (https://www.bestadsontv.com/ad/179410/Cathay-Live-Animal-We-Carry-Them-All-Big-And-Small).
Orientação

Como são diferentes as campanhas de saúde pública no “Oriente” e no “Ocidente”! Nas primeiras, os anúncios apostam no humor e no envolvimento, como na seguinte paródia contra o excesso de consumo de açúcar; as segundas, na severidade e na estigmatização, como, por exemplo, contra o consumo de tabaco e de álcool. Talvez seja de considerar um pouco de “orientação”.
Ser ou não ser especial

O blogue Peixinho de Prata recorda, hoje, no artigo 50 Anos, 50 Músicas – #24 Creep, Radiohead, a canção “Creep” dos Radiohead, acompanhando-a com um comentário pessoal. Em alto, em baixo ou algures no intermédio, eis uma boa maneira de começar o dia.
Campanhas de m*rda

Ça sent la mer d’ici (trocadilho francês)
Acontece as novidades chegarem aos molhos. Com os anúncios “La campagne de merde”, “Conquer the First School Poo” e “Le Studio”, temos elementos para iniciar um tratado de coprologia. Abordam temas fecais, desde a prevenção até à libertação, passando pela depuração.
Imagem: Ilustração do livro Gargantua

O texto mais estapafúrdio que conheço nesta matéria é da autoria do François Rabelais: o capítulo XIII da obra Gargântua (1534), intitulado “Como Grandgousier reconheceu a maravilhosa inteligência de Gargântua graças à invenção de um limpa cu”. Cinco páginas de delírio grotesco, cuja leitura pode ser escutada nos dois vídeos que seguem aos anúncios.
Imagem: O pequeno Gargântua segurando com as mãos um limpa cu. Gravura de Gustave Doré
*****
