Algures num recanto do mundo: Keren Ann

Nascida em 1974 em Israel, Keren Ann é cantora, compositora, produtora e engenheira. Mora em Paris, Telavive e Nova Iorque. Interpreta viola, piano e clarinete. Filha de pai judeu russo e de mãe javanesa holandesa, viveu até em Israel e na Holanda até se deslocar aos 11 anos com a família para Paris. É um consolo escutá-la. Canta em francês e inglês. Seguem, primeiro, três canções em francês.
Ramos e achas
Cortar ramos e lançar achas para a fogueira: podar ou castrar árvores?

As pessoas resistem a ideias novas. Acontece dizerem que só passados vários dias começaram a achar determinadas ideias interessantes. Pois é, só lhes dão valor quando já estão velhas nas suas cabeças.
Sobre Agnes Obel, escrevi: “é uma cantora, compositora e pianista dinamarquesa. As suas canções são despojadas, quase intimistas. Parece soprar uma chama que não quer apagar” (https://tendimag.com/2020/11/06/agnes-obel/). Seguem três canções, incluinto “Fuel to fire”.
Um passarão numa gaiolinha

Troco, naturalmente, dicas. Uma amiga perguntou-me, hoje, se conhecia Patrick Watson, o intérprete e a banda, do Canadá, em particular as músicas “Je te laisserai des mots” (2010) e “The great escape” (2006). Tomara conhecimento através da filha [uma geração que aprende com a seguinte]. Claro, até está no Tendências. Mesmo assim, verifiquei. Nada… Mas nos marcadores, sobravam cinco canções para, como é hábito, colocar três. Esqueci-me! Acontece com tanta frequência que nem sequer relevo. Explica, por exemplo, por que, em doze anos e 3 896 artigos, os Coldplay só aparecem uma única vez, por sinal, à boleia do Claude Debussy (https://tendimag.com/2021/04/18/arabescos/). Mas nunca é tarde para reparar. Seguem as outras três canções: “Lighthouse”, “Here Comes The River” e “Big Bird in a Small Cage”. Acresce “Can’t Stop Staring At The Sun,” pela originalidade sonora, pela qualidade da coreografia e por ser um bom exemplo de vídeo musical surrealizado.
Sensibilidade

Quando as palavras não sonham, as notícias não prestam, a música não dança, as pessoas não se abraçam, as sombras não se escondem, os minutos não passam e o depois não chega… segue os pássaros ou bebe um anúncio bem cheio, sem gelo, do Bruno Aveillan. Perde-te em Nova Iorque ou descobre AluLa. Sente! Sente os rostos, as mãos, os objetos e o que mais se oferecer.
Hórus e Nut

Estou a escrever coisas sérias sobre realidades pesadas. Quase mais números do que letras. Entretanto, o prazer joga às escondidas.
Aproveito os intervalos para espairecer. Sento-me num tapete voador. Na Galiza, colho uma música no ninho de uma meiga. Inspiro-me e parto para o Antigo Egipto ao encontro do olho do deus Hórus na escuridão da deusa Nut.
Imagem: Nut, deusa egípcia do céu no túmulo de Ramsés VI








André Soares em Viana do Castelo
O próximo sábado oferece uma excelente oportunidade para saborear um folhadinho de camarão aquecido, revisitar a Igreja de Nossa Senhora da Agonia sem ser para trabalhar, folhear as imagens de um belo livro, ouvir o Eduardo Pires de Oliveira e jantar à beira-mar.

No próximo dia 17 de junho (sábado), na Igreja de Nossa Senhora da Agonia (Viana do Castelo), pelas 17.30 horas, é apresentado o livro “André Soares em Viana do Castelo”, de Eduardo Pires de Oliveira. Nesta publicação, o autor dá nota do conjunto excepcional de retábulos deixados pelo arquiteto setecentista na cidade Viana do Castelo, nomeadamente o da capela de Nossa Senhora do Rosário, na Igreja de São Domingos, o da Capela da Casa da Praça e os que se mantêm na nave e capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Agonia. A edição de autor, composta por 254 páginas, apresenta fotografia de Adelino Pinheiro da Silva, Ricardo Janeiro e Agnès de Gac e inclui um estudo do douramento do Retábulo de Nossa Senhora do Rosário, assinado por cinco investigadores na área da Conservação e Restauro.
Eduardo Pires de Oliveira, reputado investigador de História da Arte e especialista em André Soares, é doutorado em História de Arte pela Universidade do Porto, Investigador Integrado no ARTIS, Académico Correspondente da Academia Nacional de Belas Artes (Lisboa) e autor de centenas de estudos sobre Arte e a região minhota.
A organização do evento é do Centro de Estudos Regionais, constando no programa a atuação do Coro desta associação cultural.
Muito nos honraria se aceitasse o nosso convite.
José Carlos Magalhães Loureiro
O exílio das palavras

Persiste um ar abafado, morno e enovoado. Não tarda alguém garantir que é efeito do fumo de tabaco, sugerir o aumento dissuasor do respetivo imposto e pedir a interdição de fumar nas varandas. Disfarce-se o mal com uma pitada de música um pouco original e digna de ser mais conhecida: a banda norte-americana My Morning Jacket.
O blog Tendências do Imaginário está a reduzir-se cada vez mais à música. Por que não? Se as palavras andam exiladas…
Músicas surrealizadas 04
Pearl Jam: Life Wasted

A trovoada e a moleza prestam-se a um vídeo musical com fundo de pesadelo a lembrar uma “noite sem fim” abalada por um cortejo frenético de monstruosidades pouco recomendáveis a almas sensíveis. Algo duro, very hard, assim como Life Wasted, dos Pearl Jam, condimentado por meia dúzia de quadros do Max Ernst.
Imagem: Max Ernst. Noite sem fim. 1940





Músicas surrealizadas 03
Björk: Tabula Rasa, Mutual Core e Body Memory


Björk recorre com frequência a vídeos surreais que se destacam pela diversidade e pelo apuro técnico e estético. Entre os mais marcantes consta All is Full of Love, realizado por Chris Cunningham em 1999. Seguem três vídeos relativamente recentes, os dois primeiros com imagens digitais e o terceiro a partir de um espetáculo ao vivo. Todos apostam no efeito de disformidade.
