Indolência extravagante

- AS LENTAS NUVENS FAZEM SONO
- Indolência aberrante
- As lentas nuvens fazem sono,
- O céu azul faz bom dormir.
- Bóio, num íntimo abandono,
- À tona de me não sentir.
- E é suave, como um correr de água,
- O sentir que não sou alguém,
- Não sou capaz de peso ou mágoa.
- Minha alma é aquilo que não tem.
- Que bom, à margem do ribeiro
- Saber que é ele que vai indo…
- E só em sono eu vou primeiro.
- E só em sonho eu vou seguindo.
- (Fernando Pessoa, Poesias Inéditas, São Paulo, Poeteiro Editor, 2014)
De evento em evento, não me apetece pensar. Pasmo, escuto música e embalo os sentidos. Abandono puro. Não me serve qualquer música. Nem dos gavetões, nem das estantes, mas das raras e singulares, que releguei para as pastas de arquivo. Por exemplo, o folk psicadélico “esquisito” (weird) de Devendra Banhart, que, por sinal, adora Portugal. Conhece?
“O cantor norte-americano Devendra Banhart gostou tanto da recepção que obteve durante o “Festival para Gente Sentada”, realizado na cidade de Santa Maria da Feira, que decidiu homenagear a cidade nesta bonita canção interpretada em espanhol/castelhano”.
Em 2020, regressou a Portugal para apresentar o álbum Ma. Segue a gravação da canção Is This Nice na Antena 3. O vídeo 4 retoma esta canção mas em versão estúdio.
Acrescento a interpretação acústica de Never Seen Such Good Things, um dos seus maiores sucessos.
Pranto

A alma pega fogo quando deixa de amar (Lhasa de Sela)
Não sou dado a cultos, mas a haver algum será a Lhasa de Sela. Pela voz e pela presença.
O Tendências do Imaginário já contempla três canções de Lhasa: De cara a la pared; Meu amor meu amor (uma reinterpretação de Amália Rodrigues); e La Marée Haute. Acrescento dois vídeos musicais: La Llorona e El Desierto.
Ligações insuspeitas

Agraciado com vários prémios, o anúncio dinamarquês All That We Share – Connected, da TV 2, tem um cariz sentimental, eventualmente patético. O simulacro proposto tem, no entanto, a virtude de apontar para uma realidade: a probabilidade de ocorrência de conexões ou laços sociais improváveis. Perante uma pessoa estranha, que tudo parece separar, não é despropositado apostar que algo nos pode unir. O Tendências do Imaginário já contempla um anúncio congénere, de 2017, da TV 2 que incide, nesse caso, sobre as afinidades improváveis (ver A passerelle Electrónica: https://wordpress.com/post/tendimag.com/41377).
E as crianças?

As realidades abordadas nestes três anúncios da Save the Children não são inauditas. De vez em quando, os meios de comunicação social fazem-lhe alusão. Save the Children Fund é uma organização internacional não governamental de defesa dos direitos da criança, ativa desde 1919, com sede em Londres.
Anunciante: Save the Children. Título: Save the Survivors. Agência: POL. 2022.
Anunciante: Save the Children. Título: Save the Children. Agência: POL. Direção: Niels Windfeldt. 2022.
Miriam Makeba, Mama Africa

Dedico-me cada vez mais a uma lentidão atenta à natureza. Hoje, assisti ao que creio ter sido uma “dança de corte” entre um melro, preto, e uma melra, de tez acastanhada. Ultrapassando raramente uma distância de meio metro entre ambos, o melro aproximava-se, investia, e a melra afastava-se, esquivava. Por vezes, ensaiava pequenos voos de menos de 40 cm de altura pousando no mesmo sítio. Esta “dança” durou cerca de 4 minutos. Fiquei a observar quieto, logo não filmei.
Lembrei-me de Miriam Makeba ao ler o artigo “Jean Rouch, cineasta, antropólogo, engenheiro, africano branco”, de José Ribeiro, a aguardar publicação. Menciona Makeba a propósito do filme anti-apartheid Come Back Africa de Lionel Rogosin (1960) em que esta participa como cantora. Este filme foi o primeiro impulso decisivo para a sua carreira.
Ao telefone disse a uma colega que estava a escutar Makeba. Que não conhecia. Estranhei. Somos almas gémeas no que respeita à música. Conhecer tenho a certeza que conhece, apenas desconhece que conhece, como o Monsieur Jourdain do Bourgeois gentilhomme de Molière (1670). Justifica-se, portanto, dedicar um apontamento a Makeba.
Primeira voz africana com reconhecimento expressivo a nível internacional, Miriam Makeba nasceu em Joanesburgo, em 1932. Cedo rumou para os Estados-Unidos, onde gravou o primeiro álbum a solo em 1960. No mesmo ano, o regime sul-africano proibiu-a de regressar ao país para o funeral da mãe. Empenhada em movimentos cívicos, em 1962, testemunhou perante a Comissão Especial das Nações Unidas para o Apartheid. Com um prémio Grammy em 1965, a sua canção mais popular é Pata Pata (1967). Casou em 1968 com Stokely Carmichael, líder do Partido dos Panteras Negras. O governo dos Estados-Unidos cancelou-lhe o visto quando estava em viagem no estrangeiro. Mudou-se para a Guiné, tendo residido em vários países. Artista e cidadã sempre ativa, tornou-se um símbolo da luta contra o apartheid. Terminado o apartheid, regressou à África do Sul. Foi nomeada, em 1999, embaixadora da boa vontade da ONU. Conhecida como “Mamã África”, é considerada a “rainha da canção africana”. Morreu de ataque cardíaco durante um espetáculo, na Itália, em 2008.
Segue cinco canções de Miriam Makeba.
Noite dos Medos
Chuva de gente na Noite dos Medos em Melgaço. Segue a reportagem da Altominho.tv acompanhada por uma galeria de imagens do concurso na Casa da Cultura, da procissão pelas ruas da Vila e da concentração na Torre de Menagem (fotografias da página do Município de Melgaço no facebook: https://www.facebook.com/search/top?q=munic%C3%ADpio%20de%20melga%C3%A7o).
Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo com a reportagem da Altominho.tv.


































