O Tempo e a Morte

Danse Macabre at the Chaise-Dieu, circa 1470.

Danse Macabre at the Chaise-Dieu, circa 1470.

Este vídeo dos Tangerine Dream, The Return Of The Time (2010), incide, de um modo insólito, sobre a morte. Está-nos vedada a percepção da morte. Apreendemos o moribundo e o cadáver, mas não a morte. Omar Calabrese escreve sobre a tentativa infrutífera de retratar a morte por parte dos artistas (“Representação da morte e morte da representação” in Como ler uma obra de arte, Edições 70, 1997, pp. 81-96). Esta falha justifica a proliferação de representações da morte. O esqueleto é a mais habitual.

O vídeo aborda a morte de uma forma inesperada. Replicada, burocrática, arregimentada, a morte parece um exército ou uma companhia de bailado. Difere das danças macabras medievais, onde não existe quietude, disciplina ou sincronia. A morte, à solta, tocava em tudo e em todos. Vivia-se o “triunfo da morte”. Agora, a morte domesticada tem dificuldade em regressar ao túmulo. A cada tempo, a sua morte. Nós somos os pastores da morte etiquetada e cronometrada. Triunfo do tempo? Da razão? De qualquer modo, uma morte estranhamente humana.

Tangerine Dream. The Return Of The Time. 2010.

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