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Eletrónica alemã

Os Tangerine Dream e o ex-membro Klaus Schulze constituem figuras cimeiras do rock progressivo eletrónico alemão. Os Tangerine Dream remontam a 1967; Klaus Schulze iniciou a carreira a solo em 1971. Ambos permanecem ativos. Merecem-me um gosto reticente mas indelével, num recanto de memória inconfundível. Retenho dois vídeos musicais dos Tangerine Dream. O Klaus Schulze aguarda a sua vez.

Tangerine Dream. Logos. 1982.
Tangerine Dream. Code to Zero. Dream Mixes 5. 2010.

Tangerine Dream

Tangerine Dream. Atem. 1973.

Ouvir os Kraftwerk  trouxe-me à memória os Tangerine Dream, bandas alemães fundadas, respetivamente, em 1970 e 1967. Os Tangerine Dream remetem, também, para o Krautrock e para o rock psicadélico estilo Pink Floyd. Têm músicas mais amigáveis e mais “estratosféricas” do que Wahn (1973), mas Wahn, estranha, lembra as óperas de Stockhausen. O que é critério.

Tangerine Dream. Wahn. Atem. 1973.

O Tempo e a Morte

Danse Macabre at the Chaise-Dieu, circa 1470.

Danse Macabre at the Chaise-Dieu, circa 1470.

Este vídeo dos Tangerine Dream, The Return Of The Time (2010), incide, de um modo insólito, sobre a morte. Está-nos vedada a percepção da morte. Apreendemos o moribundo e o cadáver, mas não a morte. Omar Calabrese escreve sobre a tentativa infrutífera de retratar a morte por parte dos artistas (“Representação da morte e morte da representação” in Como ler uma obra de arte, Edições 70, 1997, pp. 81-96). Esta falha justifica a proliferação de representações da morte. O esqueleto é a mais habitual.

O vídeo aborda a morte de uma forma inesperada. Replicada, burocrática, arregimentada, a morte parece um exército ou uma companhia de bailado. Difere das danças macabras medievais, onde não existe quietude, disciplina ou sincronia. A morte, à solta, tocava em tudo e em todos. Vivia-se o “triunfo da morte”. Agora, a morte domesticada tem dificuldade em regressar ao túmulo. A cada tempo, a sua morte. Nós somos os pastores da morte etiquetada e cronometrada. Triunfo do tempo? Da razão? De qualquer modo, uma morte estranhamente humana.

Tangerine Dream. The Return Of The Time. 2010.

Onde os homens?

Os vídeos sobre os prodígios do planeta encantam, mas deixam um travo amargo. Onde estão os homens?

“Donde los hombres?”, cantam os Aguaviva, a partir de um poema de Rafael Alberti: Balada para los poetas andaluces de hoy. A música é de 1970. Segue o ficheiro áudio.


Aguaviva. Poetas Andaluces de ahora. 1970.

“Donde los hombres?”Os Tangerine Dream, fundados em 1967, encontram  cachos humanos. O vídeo Sorcerer (2014) assinala a estética da repetição e da domesticação. Os homens adestram-se, mais do que cães, normalizam-se, mais do que frangos, e arrebanham-se, mais do que carneiros. Os homens são operacionais. E os homens apinham-se para ver homens adestrados, normalizados, arrebanhados e operacionais. Valha-nos Deus!

Tangerine Dream. Sorcerer. 2014.

Balada para los poetas andaluces de hoy

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

Rafael Alberti

Música para museu

Air. Music for Museum

Novo álbum dos Air! Apenas em vinil. O que não impede a circulação digital. Trata-se de uma encomenda do Palais des Beaux Arts, de Lille, em França, para uma experiência audio+visual. Audível em todo o espaço do museu, a música faz parte da mostra que envolve quatro artistas (Linda Bujoli, fotógrafa; Mathias Kiss, designer; Xavier Veilhan, escultor, fotógrafo…; Yi Zhou, arte multimedia).

Não posso afirmar que este Music for Museum corresponde aos Air que me habituei a apreciar (a minha subjectividade não lhe retira valor). A maior parte das faixas lembram Tangerine Dream e Klaus Shulze, mais de cinquenta anos atrás. Por sua vez, o baixo da faixa Octogum não destoa do baixo de One of These Days, dos Pink Floyd. Não obstante, que saiba, nem os Pink Floyd, nem os Tangerine Dream, nem Klaus Shulze, nenhum deles compôs uma trilha sonora para um museu.

Air. Octogum. Music for Museum. 2014.

Pink Floyd. One of These Days. DVD Pink Floyd Live @ Pompeii (The Director’s Cut). 1972.

Tangerina Electrónica

Os Tangerine Dream são uma banda alemã de rock progressivo formada em 1967. Ainda em atividade, foram, com os kraftwerk, pioneiros da música eletrónica. Publicaram mais de meia centena de discos. Stratosfear não é das músicas mais populares, nem das mais elaboradas. É, contudo, aquela que quando penso Tangerine Dream logo me vem à memória. Integra o álbum homónimo editado em 1976. Quem tiver a paciência de a ouvir, será regalado com alguns trechos compensadores. Para acompanhar, juntei umas tantas imagens das capas dos discos.

Tangerine Dream. Stratosfear. Stratosfear. 1976.