Infinitude
Yann Tiersen, que aparece num dos primeiros artigos deste blogue (http://tendimag.com/2011/09/03/notas-coloridas-musica-e-animacao/), acaba de publicar um novo álbum: Infinity. Segue o vídeo oficial disponível: A Midsummer Evening. Uma boa companhia para as noites mágicas em que ninguém perde, nem ninguém ganha.
Yann Tiersen. A Midsummer Evening. Infinity. Maio 2014.
Húmus
A Librería Española, do Equador, adoptou um método interessante para promover a leitura. Criou um diário sensacionalista composto por excertos de livros. O princípio é conhecido dos agricultores: as sementes germinam melhor onde há húmus ou, eventualmente, um simulacro de húmus. A alguns intelectuais custa-lhes perceber esta química. Tomam-se pelo húmus, pela semente, pela folha, pelo fruto e pelo sumo. Vêem-se a um espelho cego. O anúncio Best Sellers Amarillistas acarinha José Saramago de um modo impressionante: O Ensaio sobre a Cegueira partilha o pódio com As Cinquenta Sombras de Grey, de Erika Leonard James, e O Principezinho, de Antoine Saint-Exupéry. Bem-haja! Por cá, húmus do costume.
Marca: Librería Española. Título: Best Sellers Amarillistas. Agência: McCann Quito. Direção: Javier Cotrona. Equador, Maio 2014.
Alexandra
A Marta (http://tendimag.com/2014/05/23/marta/) não é a única actriz do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, da Universidade do Minho. Ainda estamos no início da galáxia. A Alexandra é a protagonista do vídeo musical Change the Song, da banda dinamarquesa Vinyl Floor, estreado em 2014. Este vídeo consta da MTV (http://www.mtv.com/videos/vinyl-floor/1013802/change-the-song.jhtml). Para identificar a Alexandra, não é preciso qualquer pista. Amanhã, dia 24 de Maio, o curso vai passar o fim-de-semana a Melgaço. Já estou a imaginar os melgacenses a fazer fila para uma sessão de autógrafos.
Vinyl Floor. Change the song. Dinamarca. 2014.
Marta
Marta é actriz e aluna no curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, da Universidade do Minho. Participa neste anúncio sueco do Chapel Hill Sparkling Wine: Heavenly wines, delicious moments. Uma pista: é a mais bonita.
Marca: Chapel Hill Sparkling Wine. Título: Heavenly wines, delicious moments. Suécia, Maio 2014.
Terrivelmente delicioso

O anúncio Terribly Delicious incide sobre uma variedade de peixe que se tornou uma epidemia ambiental. Para o combater, nada como o transformar em petisco nacional. Coma-se a praga!
Por cá, também existem infestantes. Se nas águas do Pacífico prolifera o peixe leão, no nosso País, nada o peixe gato e engorda o peixe orçamento (budget fish). Falta-nos, no entanto, a voracidade colombiana. O peixe orçamento tira-nos o apetite.
Anunciante: Ministerio de Ambiente y Desarrollo. Título: Terribly Delicious. Agência: Geometry Clobal Colombia / Ogilvy & Mather. Direção: Agustin Calderon. Colômbia, Maio 2014.
Claras em castelo ou a consistência da liquidez
Nos momentos mais líquidos, a arte é uma boa embarcação. As esculturas de Alison Saar, nascida em Los Angeles em 1956, têm raízes que bebem, sobretudo, na mitologia grega e na tradição africana e ameríndia.
“Informed by artistic traditions from the Americas to Africa and beyond, and by her mixed racial upbringing, Alison Saar fuses her paradoxical responses to the black-and-white delineations of political and social forces into a powerful, visual, and kinesthetic tension. Saar uses the history and associations of her materials, everyday experience, African art and ritual, Greek mythology, and the stark sculptural tradition of German Expressionism to infuse her work with an intensity that challenges cultural and historic references and stereotypes. Through a process of self-scrutiny and introspection, Saar forcefully investigates elements of marginalization and discrimination to present poetic responses as to how these historical burdens can be transformed, and how symbolic atonement, and even some measure of redemption, can be imagined”.
http://www.massart.edu/Galleries/Bakalar_and_Paine/Past_Exhibitions_2014/Alison_Saar_STILL.html
- Fig 01. Alison Saar
- Fig 02. Alison Saar, Strange Fruit. 1995
- Fig 03. Alison Saar. Conked, 1997
- Fig 04. Alison Saar. Nappy Head #1. 1997
- Fig 05. Alison Saar. Panoramio. C. 1999.
- Fig 06. Alison Saar. Travellin’ Light. 1999.
- Fig 07. Alison Saar. Conjure. Pormenor
- Fig 08. Allison Saar’s Lost and Found. 2003.
- Fig 09. Allison Saar. Lost and Found.
- Fig 10. Alison Saar. Bareroot. 2007.
- Fig 11. Alison Saar. Tippy Toes. 2007.
- Fig 12. Alison Saar. Fall. 2011.
- Fig 13. Alison Saar. Spring. 2011
- Fig 14. Alison Saar. Winter. 2011
- Fig 15. Alison Saar. Winter. 2011. Pormenor.
- Fig 16. Alison Saar, Rouse, 2012
- Fig 17. Alison Saar. 2012
- Fig 18. Alison Saar. 50 Proof. 2012 (Pormenor)
- Fig 19. Alison Saar. Cotton Eater. 2013
- Fig 20. Alison Saar. Slough. 2013
- Fig 21. Alison Saar. Weight. 2013.
O Rapto de Europa. Com os olhos no retrovisor.
Mais avisado do que convocar a besta, talvez seja mostrar a obra. A besta sobressai durante as eleições, mas é da obra que se alimenta. Segundo a mitologia grega, Europa senta-se, imprudente, no dorso de um touro (Zeus), que a rapta. Subjugada pela potência, a bela Europa olha para trás: sabe o que perde e teme o que ganha.
“Europa era uma linda princesa fenícia. Como ainda não chegara à idade de casar, vivia com os pais num magnífico palácio e tinha por hábito dar longos passeios com as amigas nos prados e nos bosques. Certo dia quando apanhava flores junto da foz de um rio foi avistada por Zeus (o deus supremo) que se debruçava lá do Olimpo observando os mortais. Fascinado com tanta formosura, decidiu raptá-la. Para evitar a fúria da sua ciumentíssima mulher, quis disfarçar-se. Nada mais fácil para quem tem poderes sobre naturais! Tomou a forma de um touro. Um belo touro castanho com um círculo prateado a enfeitar a testa. Desceu então ao prado e deitou-se aos pés da Europa. Ela ficou encantada por ver ali um animal tão manso, de pelo sedoso e olhar meigo. Primeiro afagou-o, depois sentou-se-lhe no dorso e… o touro disparou de imediato a voar por cima do oceano. A pobre princesa ficou assustadíssima. Mas não tardou a perceber que o raptor só podia ser um deus disfarçado, pois entre as ondas emergiam peixes, tritões e sereias a acenar-lhes. Até Posídon apareceu agitando o seu tridente.
Muito chorosa, Europa implorou que não a abandonasse num lugar ermo. Zeus consolou-a, mostrou-se carinhoso, prometeu levá-la para um sítio lindo que ele conhecia fora da Ásia. Prometeu e cumpriu. Instalaram-se na ilha de Creta e tiveram três filhos que vieram a ser famosos.”
Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada, A Europa dá as mãos, Comissão Europeia. 1995, pp. 4-5.
Voto animado
Estes dois anúncios dinamarqueses não olham a meios para chamar os eleitores às urnas e lhes ensinar a arte de votar. Ambos servem um cocktail grotesco: sexo, violência, boçalidade e animação. O caminho das urnas é insondável. Promove-se, deste modo, a participação dos jovens? Com que efeito no sentido do voto? Retirado no dia seguinte ao lançamento no YouTube e no Facebook, o primeiro anúncio deixa um trago incómodo. A publicidade em torno das eleições europeias tem-se revelado uma autêntica caixa de surpresas. Carregar na imagem para aceder ao primeiro vídeo.
Parlamento Dinamarquês. Voting Video, Danish Style. Dinamarca, Maio 2014.





























