Anúncios de amor e ódio
A publicidade não sossega. É um segmento sensível à mudança. Nos últimos anos, emergiu um novo formato: campanhas faseadas no tempo. Desdobradas em vários momentos, apostam na interacção com os públicos. Na campanha Love, da Honey Maid, 1) lança-se um anúncio; 2) regista-se a reacção; 3) reage-se à reacção. Umas vezes, corre melhor, outras, pior. Neste caso, correu bem. A mensagem inicial resulta reforçada e aproveita-se para promover uma operação compensadora: lograr uma homeopatia entre duas entidades contrárias: o ódio e o amor. O “mal” é englobado no “bem”, com a arte a ajudar. Sem desvalorizar esta “homeopatia do mal” (Michel Maffesoli), creio que a campanha é conscientemente polémica do primeiro ao último momento. Palpita-me ainda que, nas campanhas faseadas, mais do que um encadeamento decisivo de acções e de reacções, o que ocorre é um jogo dominado pela antecipação. O essencial é traçado antes do lançamento da campanha.
Marca: Honey Maid. Título: Love. Agência: Droga 5, New York. USA, Abril 2014.


Persuasivo, sem dúvida!