A coisa

Quino

Quino

“Sem a nomear, vou falar dela” (Georges Moustaki). Nunca colheu tanta atenção. Deu azo a uma bolha opinativa comparável à falência do BPN, ao regresso de José Sócrates ou à demissão irrevogável de Paulo Portas. Despoletou tamanha nuvem de palpites que quase eclipsou a agenda política mais os comentários desportivos. Entre socorristas e cangalheiros da coisa, as palavras atropelam-se, pouco informam e muito julgam. Enfática e repetitiva, a troca de opiniões lembra um coro de Wagner em disco riscado: na televisão, nas redes sociais, no correio electrónico. Não há modo de lhe escapar. O que vale é a opinião ser um bem sui generis que se pode dar sem se ter. Um dia, coloco-me a seguinte pergunta: um país com muita opinião publicada é um país com uma opinião pública forte? Há países onde uma tragédia humana merece consternação, respeito e reserva. Noutros, funciona como rastilho de uma verborreia colectiva.

Quino. Monotonia

Quino

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Sociólogo.

3 responses to “A coisa”

  1. Rasgos Artes Beatriz Martins says :

    sui generis- a coisa: De retórica, em paradoxo, fraca memória, de mal para mal.

  2. carvalhomarta says :

    Quino tem (e uso o presente porque a sua obra ainda perdura) essa fantástica capacidade de colocar a verdade da política e da filosofia em imagens… aprendi mais sobre política com Quino do que com todos os debates políticos juntos…

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